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Radio Zapatista

Dia 1: Encontro “Guerra contra a Humanidade”

“Um crime nos convoca”, disse o Capitão Insurgente Marcos na inauguração do Encontro “Guerra contra a Humanidade” (As populações e a natureza sob cerco), neste 20 de julho de 2026, no Cideci/Universidade da Terra, em San Cristóbal de Las Casas, Chiapas

(Baixe o áudio aqui)

um crime transbordando sangue, lama e merda; uma história que começa com a injustiça entronizada, a dor democratizada, a destruição que gera riqueza, prosperidade e desenvolvimento, a morte como programa de governo e símbolo do progresso: quanto mais mortes, mais modernidade em uma civilização. Um crime nos convoca, o crime por excelência, o crime transformado em sistema; um crime tão transparente que a luz não o atravessa, mas o transforma em espelho, em um prisma que se desfaz em cores agradáveis, desejáveis, atraentes, da moda, enfim; um crime tão popular que acumula trilhões de curtidas de suas próprias vítimas sacrificiais e, ainda assim, permanece insatisfeito.

O criminoso — o Estado capitalista — concentra-se agora em reprimir ou exterminar “os que sobram”, não apenas porque não são lucrativos, mas sobretudo porque representam o outro, o que não é homogêneo e, portanto, com sua diferença, desafiam o sistema.

Este encontro — um semillero (viveiro) de pensamento crítico — surge da necessidade urgente de refletir para compreender melhor o criminoso. Ao longo de cinco dias, pensadoras e pensadores refletirão sobre a configuração atual do Estado capitalista, tanto no México quanto no mundo; a devastação ecológica; a privatização de bens comuns, como a água; o fraturamento hidráulico (fracking); o ser humano como vítima, mas também como desafio ao sistema; a história como ferramenta de opressão e as histórias dos de baixo como arma de luta; o horror vivido na Palestina e a dignidade da resistência; as famílias que buscam pessoas desaparecidas; a reorganização urbana; a luta das mulheres; e o terror da extrema direita.


Gilberto López y Rivas – “Terrorismo global de Estado, militarização e recolonização dos territórios”

(Baixe o áudio aqui)

Segundo a análise de López y Rivas, o capitalismo contemporâneo atravessa uma nova etapa caracterizada pelo aprofundamento da violência, da militarização e da recolonização dos territórios. Diferentemente de fases anteriores, nas quais o sistema mantinha certos mecanismos de mediação social, hoje predominam a coerção, a guerra, a criminalização dos protestos e o desmonte dos direitos conquistados pela classe trabalhadora.

O capitalismo atual conduz, assim, a uma crise civilizatória que se manifesta naquilo que os zapatistas chamam de “a tempestade”: mudança climática, esgotamento dos recursos naturais, destruição da biodiversidade, pobreza, migrações forçadas, guerras e aumento de diversas formas de violência.

O terrorismo global de Estado, liderado principalmente pelos Estados Unidos e respaldado por outras potências e organismos internacionais, constitui um instrumento fundamental para impor essa nova fase de acumulação capitalista por meio de intervenções militares, ocupações territoriais e da violação sistemática do direito internacional. “Os Estados Unidos, como potência hegemônica, instauraram a barbárie como um processo devastador para a humanidade e para a natureza”, afirmou López y Rivas.

No caso do México, os governos da chamada “Quarta Transformação” (4T) deram continuidade a processos iniciados durante o período neoliberal. A expansão dos megaprojetos, o fortalecimento do papel das Forças Armadas e a crescente participação do crime organizado configuram uma estratégia de militarização e controle territorial que afeta especialmente comunidades indígenas, camponesas e movimentos sociais. Sob o governo da 4T, o país foi militarizado como nunca antes em sua história. “A instituição militar realiza atualmente mais de 200 funções (…) que não estão previstas na Constituição nem em suas leis regulamentares”, afirma López y Rivas. Ao mesmo tempo, ao paramilitarismo — instrumento encoberto do Estado para assediar, deslocar e enfraquecer organizações populares sem assumir publicamente a responsabilidade pela violência, historicamente utilizado como mecanismo de contrainsurgência — soma-se agora o narcoparamilitarismo.

Diante desse cenário, os povos maias zapatistas, o EZLN, o Congresso Nacional Indígena e os diversos coletivos e organizações que lutam pela vida constituem uma alternativa real. Uma alternativa que não passa pela disputa do poder estatal, mas pela organização desde baixo, pela autonomia, pelo autogoverno, pelo princípio de “mandar obedecendo” e pela construção cotidiana de formas comunitárias de democracia.

López y Rivas concluiu convocando a academia, os artistas, os meios de comunicação, o magistério, os estudantes e todos os setores comprometidos com o pensamento crítico a acompanhar as lutas dos povos. Diante da crise do capitalismo e das múltiplas formas de violência contemporânea, torna-se indispensável fortalecer a organização coletiva, desenvolver um pensamento crítico capaz de compreender as transformações do mundo e manter viva a construção de alternativas voltadas para a defesa da vida, da justiça e da dignidade.


Alicia Castellanos – “Racismo y violencia contra los pueblos”

(Baixe o áudio aqui)

Alicia Castellanos apresentou uma reflexão crítica sobre a relação entre racismo, violência e as formas contemporâneas de dominação que afetam povos e comunidades em diferentes regiões do mundo. Sua reflexão parte da ideia de que vivemos uma etapa de crise civilizatória marcada por uma profunda desigualdade, pela degradação ambiental e pela expansão de diversas formas de violência vinculadas ao capitalismo contemporâneo.

O racismo, explica Castellanos, é uma construção histórica que surgiu e se consolidou durante a expansão colonial europeia. Desde o século XVIII, a ideia de “raça” foi utilizada para estabelecer hierarquias entre os povos e justificar processos de dominação, exploração e espoliação. Embora hoje o conceito racial costume aparecer de maneira menos explícita, seus mecanismos persistem por meio de novas formas de exclusão baseadas em diferenças culturais, nacionais, religiosas, econômicas ou políticas.

Para Castellanos, o racismo funciona como uma ferramenta de poder que permite construir o “outro” como uma ameaça: um inimigo que deve ser controlado, expulso ou eliminado. Essa lógica esteve presente em diferentes processos históricos de colonialismo, genocídio, guerras e perseguições contra povos considerados inferiores ou perigosos.

Essa função do racismo também se aplica aos conflitos contemporâneos, especialmente ao genocídio do povo palestino, às políticas migratórias dirigidas contra comunidades estrangeiras e ao crescimento de discursos nacionalistas e autoritários que transformam determinados grupos sociais em bodes expiatórios durante períodos de crise. A normalização do ódio por parte das instituições e dos governos, adverte, abre caminho para formas extremas de violência.

Castellanos lembra que o escritor libanês Amin Maalouf propõe a ideia de “identidades assassinas”: “aquelas que reduzem a identidade de uma pessoa ou de um povo a uma única pertença”, servindo de fundamento para a violência contra os “outros” e para processos genocidas contemporâneos, como os ocorridos na Guatemala e, agora, na Palestina.

No caso do México, os megaprojetos de desenvolvimento — especialmente o “Trem Maia” — constituem exemplos paradigmáticos do racismo dirigido contra os povos originários. Esses projetos implicaram processos de transformação territorial, impactos ambientais, perda de biodiversidade, pressão sobre comunidades indígenas e uma crescente participação das Forças Armadas em atividades civis e econômicas. Nesse contexto, a militarização do território modifica as relações comunitárias e afeta os direitos coletivos dos povos.

Para os povos maias, a terra não representa apenas um recurso econômico, mas um espaço de memória, identidade, cultura e reprodução da vida. A destruição de ecossistemas, cenotes, florestas e formas tradicionais de organização comunitária constitui, assim, uma ameaça não apenas ambiental, mas também cultural.

A resistência e a organização desde baixo — especialmente aquelas impulsionadas pelos povos zapatistas e pelo Congresso Nacional Indígena — constituem uma resposta a esse cenário: formas alternativas de exercer o poder baseadas na autonomia, na participação comunitária e no princípio de “mandar obedecendo”.

Assim como López y Rivas, Castellanos conclamou ao fortalecimento do pensamento crítico como ferramenta para compreender as transformações do mundo atual e imaginar alternativas diante da violência, do racismo e da destruição ambiental. A resposta às chamadas “identidades assassinas” e às estruturas de dominação deve ser a construção de um “nós” fundamentado na solidariedade, na justiça, na igualdade e no respeito à diversidade.

Diante das forças que promovem a espoliação e a exclusão, os povos organizados mantêm viva a possibilidade de construir outros mundos sustentados na dignidade, na autonomia e na defesa da vida.


Wilfrido Gómez Arias – Nossa água, suas concessões: a arquitetura jurídica da espoliação e da concentração da água no México

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A água é um elemento essencial para a vida e encontra-se em constante movimento por meio do ciclo hidrológico. No entanto, sua distribuição no México é desigual. Enquanto algumas regiões do sudeste concentram grandes volumes de precipitação e disponibilidade hídrica, extensas áreas do norte enfrentam condições de escassez. Essa desigualdade natural foi agravada por um modelo de gestão que permitiu a superexploração, a contaminação e a concentração da água.

A partir do período neoliberal, foram promovidas transformações legais e institucionais que modificaram a relação do Estado com a água. A criação da Comissão Nacional da Água (CONAGUA), em 1989, e a promulgação da Lei de Águas Nacionais, em 1992, estabeleceram um sistema baseado em concessões, por meio do qual o Estado concedeu direitos administrativos para extrair, utilizar e explorar determinados volumes de água durante longos períodos.

Esse modelo transformou o acesso à água em um direito administrativo passível de acumulação, transferência e defesa jurídica. Embora a Constituição estabeleça que a água pertence à nação, o sistema de concessões permitiu que grandes agentes econômicos concentrassem volumes significativos, enquanto muitas comunidades e povos ficaram sem o reconhecimento formal de seus direitos históricos sobre suas fontes de água.

A ausência de um planejamento hídrico adequado provocou um processo de superconcessão. Em diversos aquíferos e bacias hidrográficas passou-se a extrair mais água do que aquela disponível para sua recuperação natural. Como consequência, centenas de aquíferos apresentam redução de suas reservas, e numerosas bacias mostram sinais de degradação. A atual crise da água não é apenas um problema de disponibilidade natural, mas também o resultado de decisões políticas, jurídicas e econômicas.

Os principais beneficiários do modelo de concessões foram grandes usuários públicos e privados ligados a setores como o agronegócio, a mineração, a indústria de transformação, a indústria de bebidas, o setor energético, o mercado imobiliário e grandes empreendimentos urbanos. Enquanto algumas empresas possuem concessões para extrair enormes volumes de água, inúmeras comunidades enfrentam desabastecimento, distribuição irregular, dependência de caminhões-pipa e degradação de suas fontes locais.

Os povos indígenas e os sistemas comunitários de gestão da água foram particularmente afetados. Embora historicamente tenham protegido nascentes, rios e áreas de recarga hídrica, suas formas tradicionais de administração não foram plenamente reconhecidas pelo marco jurídico. Em muitos casos, as fontes de água utilizadas pelas comunidades foram registradas em nome de municípios, particulares ou empresas.

Em 2012, o direito humano à água foi reconhecido constitucionalmente, estabelecendo que toda pessoa deve ter acesso à água suficiente, salubre, aceitável e acessível para suas necessidades pessoais e domésticas. No entanto, as reformas promovidas em 2025 não alteraram de forma substancial a estrutura do sistema de concessões. Embora tenham introduzido algumas mudanças administrativas, mantiveram a lógica central que permitiu a concentração da água nas mãos de poucos usuários.

Garantir o direito humano à água significa muito mais do que fornecer água por meio de caminhões-pipa ou garrafas. Significa assegurar um acesso permanente, seguro e digno, com sistemas públicos eficientes, participação cidadã e reconhecimento das comunidades que historicamente cuidaram da água.

A problemática da água no México reflete uma disputa entre duas visões: uma que compreende a água como mercadoria e outra que a reconhece como um bem comum indispensável à vida. Resolver a crise hídrica exige recuperar uma perspectiva baseada na justiça social, ambiental e territorial, na qual a água seja administrada para garantir a vida das pessoas, dos ecossistemas e das gerações futuras.


Carlos Tornel – “Capitalismo, guerra total e a rebelião do vivo”

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As palavras de Carlos Tornel partiram da provocação formulada pelo zapatismo há mais de duas décadas: a ideia de que vivemos uma Quarta Guerra Mundial, uma guerra que não se limita ao campo militar, mas atravessa a economia, a cultura, a informação, os territórios, os corpos e todas as formas de vida. Seu objetivo não é apenas derrotar inimigos, mas destruir, disciplinar ou reorganizar aquilo que não pode ser facilmente transformado em mercadoria: povos, memórias, autonomias, territórios comuns e formas distintas de se relacionar com a vida.

Essa guerra constitui um aspecto fundamental do funcionamento do capitalismo. Desde suas origens, a expansão capitalista dependeu da espoliação, da apropriação dos bens comuns e da transformação da natureza e das relações sociais em mercadorias. Hoje, diante do esgotamento dos recursos, da crise climática e das resistências territoriais, o capitalismo não reduz sua expansão; ao contrário, abre novas fronteiras de extração: mineração, combustíveis fósseis, minerais críticos e grandes infraestruturas energéticas e logísticas.

A crise ecológica não afeta toda a humanidade da mesma maneira. Não existe uma responsabilidade equivalente diante da degradação ambiental: as classes sociais, o gênero, a geografia e as relações coloniais determinam quem consome, quem decide e quem enfrenta as consequências. Por isso, a crise climática não pode ser compreendida como resultado de uma humanidade abstrata, mas como consequência histórica de um sistema baseado na acumulação, no colonialismo, no patriarcado e na exploração.

A guerra contra a natureza nasce de uma separação moderna entre a humanidade e o mundo vivo. A natureza foi transformada em objeto, recurso e propriedade, enquanto certos povos foram colocados do lado daquilo que seria “natural”, tendo sua autonomia e legitimidade negadas. Essa lógica permitiu justificar a conquista, o “desenvolvimento” e o “progresso” como caminhos universais, ocultando a violência necessária para impô-los.

Na atualidade surge uma nova forma de colonialismo climático. A crise ambiental já não é apenas negada; ela também é convertida em oportunidade de acumulação. Os mercados de carbono, as compensações ambientais, a mineração “verde” e determinadas formas de transição energética podem reproduzir as mesmas lógicas de espoliação sob uma nova linguagem de sustentabilidade. Os minerais necessários para as tecnologias digitais, energéticas e militares geram novas disputas territoriais, enquanto comunidades e ecossistemas são transformados em zonas de sacrifício.

Tornel também criticou a “maldição do ambientalismo”. Quando o cuidado da Terra se transforma em uma tarefa técnica administrada por especialistas, indicadores e mercados, a conservação perde seu vínculo com os territórios e converte-se em uma forma de governança que mede, controla e administra a natureza sem modificar as relações econômicas que produzem a devastação. A crise ecológica acaba sendo transferida para o indivíduo por meio da figura do “sujeito climático”, responsabilizado por mudar seus hábitos, enquanto as grandes estruturas de poder permanecem intactas.

Diante dessa situação, a proposta é “a rebelião do vivo”. A Terra não deve ser entendida como um objeto externo que precisa ser salvo, mas como a trama de relações da qual fazemos parte. Defender um rio, uma floresta, uma montanha ou um território significa defender comunidades, memórias, conhecimentos e modos de vida. A autonomia, o comum e as resistências territoriais demonstram que existem outras maneiras de organizar a existência para além da lógica da mercadoria.

A ideia de que somos a própria natureza defendendo a si mesma implica recuperar os vínculos com os territórios, reconstruir capacidades coletivas e reconhecer que a transformação não virá apenas dos Estados, das corporações ou da tecnologia, mas das práticas comunitárias que já existem. A segunda tempestade não é apenas a crise produzida pelo capitalismo, mas também a força dos povos, dos territórios e das formas de vida que se organizam para resistir a ela.

Tornel concluiu com um convite para abandonar a espera por soluções externas e recuperar a capacidade coletiva de construir outros mundos: não utopias distantes, mas espaços reais onde a autonomia, o cuidado e a vida em comum possam continuar florescendo diante da guerra contra a natureza.


Subcomandante Insurgente Moisés

O primeiro dia do encontro encerrou-se com um importante anúncio feito pelo Subcomandante Insurgente Moisés:

O próximo Encontro de Resistências e Rebeldias e o Encontro de Artes, previstos para dezembro de 2026, serão realizados na Cidade do México, na sede da Casa dos Povos e Comunidades Indígenas Samir Flores Soberanes.

(Baixe o áudio aqui)

Aqui o comunicado completo.

Fotos: Radio Pozol

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Radio Zapatista

Día 1 – Semillero “Guerra contra la Humanidad”

“Nos convoca un crimen”, dijo el Capitán Insurgente Marcos en la inauguración del Semillero “Guerra contra la Humanidad” (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio), este 20 de julio de 2026, en el Cideci/Universidad de la Tierra, San Cristóbal de Las Casas, Chiapas.

Lee el texto aquí.

(Descarga el audio aquí)

un crimen rebosando sangre, lodo y mierda, una historia que empieza con la injusticia entronizada, el dolor democratizado, la destrucción que genera riqueza, bonanza y desarrollo, la muerte como programa de gobierno y símbolo del progreso: a más muertes, más modernidad en una civilización. Nos convoca un crimen, el crimen por excelencia, el crimen hecho sistema, un crimen tan transparente que la luz no lo atraviesa sino que lo trastoca en espejo, en un prisma que se desgaja en colores amables, queribles, deseables, de moda, pues; un crimen tan popular que acumula trillones de likes de sus víctimas propiciatorias y aún así está insatisfecho.

El criminal —el Estado capitalista— se centra ahora en reprimir o exterminar a “los que sobran”, no sólo porque no son lucrativos, sino sobre todo porque representan lo otro, lo no homogéneo, y por lo tanto, con su diferencia, desafían al sistema.

Este encuentro —semillero de pensamiento crítico— surge por la urgente necesidad de reflexionar para mejor entender al criminal. A lo largo de cinco días, pensadoras y pensadores reflexionarán sobre la conformación actual del Estado capitalista tanto en México como en el mundo, la devastación ecológica, la privatización de bienes comunes como el agua, el fracking, el ser humano como víctima pero también como desafío al sistema, la historia como herramienta de opresión y las historias de abajo como arma de lucha, el horror vivido en Palestina y la dignidad de la resistencia, las familias buscadoras de desaparecidas y desaparecidos, el reordenamiento urbano, la lucha de las mujeres, el terror de la ultraderecha.


Gilberto López y Rivas – “Terrorismo global de Estado, militarización y recolonización de los territorios”

Texto completo aquí.

(Descarga el audio aquí)

Según el análisis de López y Rivas, el capitalismo contemporáneo atraviesa una nueva etapa caracterizada por la profundización de la violencia, la militarización y la recolonización de los territorios. A diferencia de etapas anteriores, en las que el sistema mantenía ciertos mecanismos de mediación social, hoy predominan la coerción, la guerra, la criminalización de la protesta y el desmantelamiento de los derechos conquistados por la clase trabajadora.

El capitalismo actual conduce así a una crisis civilizatoria que se manifiesta en lo que los zapatistas han llamado “la tormenta”: cambio climático, agotamiento de los recursos naturales, destrucción de la biodiversidad, pobreza, migraciones forzadas, guerras e incremento de diversas formas de violencia.

El terrorismo global de Estado, encabezado principalmente por Estados Unidos y respaldado por otras potencias y organismos internacionales, constituye un instrumento fundamental para imponer esta nueva fase de acumulación capitalista mediante intervenciones militares, ocupaciones territoriales y la violación sistemática del derecho internacional. “Estados Unidos, como potencia hegemónica, ha instaurado la barbarie como un proceso devastador para el género humano y para la naturaleza”, afirmó López y Rivas.

En el caso de México, los gobiernos de la llamada Cuarta Transformación (4T) han dado continuidad a procesos iniciados durante el periodo neoliberal. La expansión de los megaproyectos, el fortalecimiento del papel de las fuerzas armadas y la creciente participación del crimen organizado configuran una estrategia de militarización y control territorial que afecta especialmente a comunidades indígenas, campesinas y movimientos sociales. Bajo el régimen de la 4T, el país se ha militarizado como nunca en la historia. “El estamento militar realiza actualmente más de 200 tareas… que no están contempladas en la Constitución ni en sus leyes reglamentarias”, dice López y Rivas. Al mismo tiempo, al paramilitarismo —un instrumento encubierto del Estado para hostigar, desplazar y debilitar a las organizaciones populares sin asumir públicamente la responsabilidad de la violencia, utilizado históricamente como mecanismo de contrainsurgencia—, se le suma ahora el narcoparamilitarismo.

Frente a este panorama, los pueblos mayas zapatistas, el EZLN, el Congreso Nacional Indígena y los diversos colectivos y organizaciones que luchan por la vida constituyen una alternativa real; una alternativa que no pasa por la disputa del poder estatal, sino por la organización desde abajo, la autonomía, el autogobierno, el principio de mandar obedeciendo y la construcción cotidiana de formas comunitarias de democracia.

López y Rivas concluyó haciendo un llamado a la academia, a los artistas, a los medios de comunicación, al magisterio, al estudiantado y a todos los sectores comprometidos con el pensamiento crítico para acompañar las luchas de los pueblos. Ante la crisis del capitalismo y las múltiples formas de violencia contemporánea, es indispensable fortalecer la organización colectiva, desarrollar un pensamiento crítico capaz de comprender los cambios del mundo y mantener viva la construcción de alternativas orientadas a la defensa de la vida, la justicia y la dignidad.


Alicia Castellanos – “Racismo y violencia contra los pueblos”

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Alicia Castellanos hizo una reflexión crítica sobre la relación entre racismo, violencia y las formas contemporáneas de dominación que afectan a pueblos y comunidades en distintas regiones del mundo. Su reflexión partió de la idea de que vivimos una etapa de crisis civilizatoria marcada por una profunda desigualdad, deterioro ambiental y expansión de diversas formas de violencia vinculadas con el capitalismo actual.

El racismo, explica Castellanos, es una construcción histórica que surgió y se consolidó durante la expansión colonial europea. Desde el siglo XVIII, la idea de “raza” fue utilizada para establecer jerarquías entre pueblos y justificar procesos de dominación, explotación y despojo. Aunque hoy el concepto racial suele aparecer de manera menos explícita, sus mecanismos persisten mediante nuevas formas de exclusión basadas en diferencias culturales, nacionales, religiosas, económicas o políticas.

Para Castellanos, el racismo funciona como una herramienta de poder que permite construir al “otro” como una amenaza: un enemigo que debe ser controlado, expulsado o eliminado. Esta lógica ha estado presente en distintos procesos históricos de colonialismo, genocidio, guerras y persecuciones contra pueblos considerados inferiores o peligrosos.

Esta función del racismo se aplica también a conflictos contemporáneos, en especial al genocidio del pueblo palestino, las políticas migratorias contra comunidades extranjeras y el crecimiento de discursos nacionalistas y autoritarios que convierten a determinados grupos sociales en chivos expiatorios durante épocas de crisis. La normalización del odio desde instituciones y gobiernos, advierte, abre camino a formas extremas de violencia.

Cuenta Castellanos que el escritor libanés Amin Maalouf propone la idea de “identidades asesinas”: “aquellas que reducen la identidad de una persona o de un pueblo a una sola pertenencia”, y que sirven de sustento para la violencia contra los “otros” y para procesos genocidas contemporáneos, como el de Guatemala y, ahora, Palestina.

En el caso de México, los megaproyectos de desarrollo, en especial el Tren Maya, son ejemplos paradigmáticos del racismo hacia los pueblos originarios. Estos proyectos han implicado procesos de transformación territorial, afectaciones ambientales, pérdida de biodiversidad, presión sobre comunidades indígenas y una creciente participación de las fuerzas armadas en tareas civiles y económicas. En este contexto, la militarización del territorio modifica las relaciones comunitarias y afecta los derechos colectivos de los pueblos.

Para los pueblos mayas, la tierra no representa sólo un recurso económico, sino un espacio de memoria, identidad, cultura y reproducción de la vida. La destrucción de ecosistemas, cenotes, selvas y formas tradicionales de organización comunitaria es, así, una amenaza no sólo ambiental, sino también cultural.

La resistencia y organización desde abajo, en especial las impulsadas por los pueblos zapatistas y el Congreso Nacional Indígena, son una respuesta a este panorama: formas alternativas de ejercer el poder basadas en la autonomía, la participación comunitaria y el principio de “mandar obedeciendo”.

Al igual que López y Rivas, Castellanos llamó a fortalecer el pensamiento crítico como herramienta para comprender las transformaciones del mundo actual y para imaginar alternativas frente a la violencia, el racismo y la destrucción ambiental. La respuesta a las llamadas “identidades asesinas” y a las estructuras de dominación debe ser la construcción de un nosotros basado en la solidaridad, la justicia, la igualdad y el respeto a la diversidad.

Frente a las fuerzas que promueven el despojo y la exclusión, los pueblos organizados mantienen viva la posibilidad de construir otros mundos sustentados en la dignidad, la autonomía y la defensa de la vida.


Wilfrido Gómez Arias – Nuestra agua, sus concesiones. La arquitectura legal del despojo y el acaparamiento del agua en México

Texto completo aquí.

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El agua es un elemento esencial para la vida y se encuentra en constante movimiento a través del ciclo hidrológico. Sin embargo, su distribución en México es desigual. Mientras algunas regiones del sureste concentran grandes volúmenes de precipitación y disponibilidad de agua, amplias zonas del norte enfrentan condiciones de escasez. Esta desigualdad natural se ha agravado por un modelo de gestión que ha permitido la sobreexplotación, contaminación y concentración del agua.

A partir del periodo neoliberal, se impulsaron transformaciones legales e institucionales que modificaron la relación del Estado con el agua. La creación de la Comisión Nacional del Agua (CONAGUA) en 1989 y la promulgación de la Ley de Aguas Nacionales de 1992 establecieron un sistema basado en concesiones, mediante el cual el Estado otorgó derechos administrativos para extraer, utilizar y aprovechar volúmenes determinados de agua durante periodos prolongados. Este modelo convirtió el acceso al agua en un derecho administrativo susceptible de acumulación, transmisión y defensa jurídica. Aunque el agua constitucionalmente pertenece a la nación, el sistema de concesiones permitió que grandes usuarios económicos concentraran importantes volúmenes, mientras muchas comunidades y pueblos quedaron fuera del reconocimiento formal de sus derechos históricos sobre sus fuentes de agua.

La ausencia de una adecuada planeación hídrica provocó un proceso de sobreconcesionamiento. En diversos acuíferos y cuencas se comenzó a extraer más agua de la disponible para su recuperación natural. Como consecuencia, cientos de acuíferos presentan disminución de sus reservas y numerosas cuencas muestran señales de deterioro. La crisis actual del agua no es únicamente un problema de disponibilidad natural, sino también resultado de decisiones políticas, legales y económicas.

Los principales beneficiarios del modelo de concesiones han sido grandes usuarios privados y públicos vinculados con sectores como la agroindustria, minería, industria manufacturera, bebidas, energía, inmobiliarias y grandes desarrollos urbanos. Mientras algunas empresas cuentan con concesiones para extraer importantes volúmenes de agua, numerosas comunidades enfrentan desabasto, distribución irregular, dependencia de pipas y deterioro de sus fuentes locales.

Los pueblos indígenas y sistemas comunitarios de agua han sido particularmente afectados. A pesar de que históricamente han protegido manantiales, ríos y zonas de recarga, sus formas tradicionales de gestión no han sido plenamente reconocidas por el marco legal. En muchos casos, las fuentes de agua utilizadas por comunidades han sido registradas a nombre de municipios, particulares o empresas.

En 2012 se reconoció constitucionalmente el derecho humano al agua, estableciendo que toda persona debe tener acceso a agua suficiente, salubre, aceptable y asequible para sus necesidades personales y domésticas. Sin embargo, las reformas impulsadas en 2025 no modificaron de fondo la estructura del sistema de concesiones. Aunque incorporaron algunos cambios administrativos, mantuvieron la lógica central que ha permitido la concentración del agua en pocos usuarios.

Garantizar el derecho humano al agua implica mucho más que entregar agua mediante pipas o botellas. Significa asegurar un acceso permanente, seguro y digno, con sistemas públicos eficientes, participación ciudadana y reconocimiento de las comunidades que históricamente han cuidado el agua.

La problemática del agua en México refleja una disputa entre dos visiones: una que entiende el agua como mercancía y otra que la reconoce como un bien común indispensable para la vida. Resolver la crisis hídrica requiere recuperar una perspectiva basada en la justicia social, ambiental y territorial, donde el agua sea administrada para garantizar la vida de las personas, los ecosistemas y las generaciones futuras.


Carlos Tornel – “Capitalismo, guerra total y la rebelión de lo vivo”

Texto completo aquí.

(Descarga el audio aquí)

Las palabras de Carlos Tornel partieron de la provocación formulada por el zapatismo hace más de dos décadas: la idea de que vivimos una Cuarta Guerra Mundial, una guerra que no se limita al campo militar, sino que atraviesa la economía, la cultura, la información, los territorios, los cuerpos y todas las formas de vida. Su objetivo no es solamente derrotar enemigos, sino destruir, disciplinar o reorganizar aquello que no puede convertirse fácilmente en mercancía: pueblos, memorias, autonomías, territorios comunes y formas distintas de relacionarse con la vida.

Esta guerra es un aspecto fundamental del funcionamiento del capitalismo. Desde sus orígenes, la expansión capitalista ha dependido del despojo, la apropiación de bienes comunes y la transformación de la naturaleza y las relaciones sociales en mercancías. Hoy, frente al agotamiento de recursos, la crisis climática y las resistencias territoriales, el capitalismo no reduce su expansión, sino que abre nuevas fronteras extractivas: minería, combustibles fósiles, minerales críticos y grandes infraestructuras energéticas y logísticas.

La crisis ecológica no afecta a toda la humanidad de la misma manera. No existe una responsabilidad equivalente frente al deterioro ambiental: las clases sociales, el género, la geografía y las relaciones coloniales determinan quién consume, quién decide y quién enfrenta las consecuencias. Por ello, la crisis climática no puede entenderse como resultado de una humanidad abstracta, sino como consecuencia histórica de un sistema basado en la acumulación, el colonialismo, el patriarcado y la explotación.

La guerra contra la naturaleza surge de una separación moderna entre humanidad y mundo vivo. La naturaleza fue convertida en objeto, recurso y propiedad, mientras ciertos pueblos fueron colocados del lado de “lo natural”, negándoles autonomía y legitimidad. Esta lógica ha permitido justificar la conquista, el “desarrollo” y el “progreso” como caminos universales, ocultando la violencia necesaria para imponerlos.

En la actualidad aparece una nueva forma de colonialismo climático. La crisis ambiental ya no solamente es negada; también se convierte en una oportunidad de acumulación. Los mercados de carbono, las compensaciones ambientales, la minería “verde” y ciertas formas de transición energética pueden reproducir las mismas lógicas de despojo bajo un nuevo lenguaje de sustentabilidad. Los minerales necesarios para las tecnologías digitales, energéticas y militares generan nuevas disputas por territorios, mientras comunidades y ecosistemas son convertidos en zonas de sacrificio.

Tornel también criticó la “maldición del ambientalismo”. Cuando el cuidado de la Tierra se transforma en una tarea técnica administrada por expertos, indicadores y mercados, la conservación pierde su vínculo con los territorios y se convierte en una forma de gobernanza que mide, controla y gestiona la naturaleza sin modificar las relaciones económicas que producen la devastación. La crisis ecológica termina trasladándose al individuo mediante la figura del “sujeto climático” responsable de modificar sus hábitos, mientras las grandes estructuras de poder permanecen intactas.

Frente a esta situación, la propuesta es “la rebelión de lo vivo”. La Tierra no debe entenderse como un objeto externo que necesita ser salvado, sino como la trama de relaciones de la que formamos parte. Defender un río, un bosque, una montaña o un territorio significa defender comunidades, memorias, conocimientos y formas de vida. La autonomía, el común y las resistencias territoriales muestran que existen otras maneras de organizar la existencia fuera de la lógica de la mercancía.

La idea de que somos naturaleza defendiéndose a sí misma implica recuperar vínculos con los territorios, reconstruir capacidades colectivas y reconocer que la transformación no vendrá únicamente desde los Estados, las corporaciones o la tecnología, sino desde las prácticas comunitarias que ya existen. La segunda tormenta no es solamente la crisis producida por el capitalismo, sino la fuerza de los pueblos, los territorios y las formas de vida que se organizan para resistirla.

Tornel concluyó con una invitación a abandonar la espera de soluciones externas y recuperar la capacidad colectiva de construir otros mundos: no utopías lejanas, sino espacios reales donde la autonomía, el cuidado y la vida común puedan seguir creciendo frente a la guerra contra la naturaleza.


Subcomandante Insurgente Moisés

El primer día del Semillero concluyó con un importante anuncio por parte del Subcomandante Insurgente Moisés:

El siguiente Encuentro de Resistencias y Rebeldías y el Encuentro de Artes, en diciembre de este año 2026, se realizará en la Ciudad de México, en la sede de la Casa de los Pueblos y Comunidades Indígenas Samir Flores Soberanes.

Texto completo aquí.

(Descarga el audio aquí)

Fotos: Radio Pozol

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Subcomandante Insurgente Moisés

Anuncio de la Comisión Sexta Zapatista en voz del Subcomandante Insurgente Moisés

(Descarga el audio aquí.)

Comisión Sexta Zapatista
México, 20 de julio de 2026

A las compañeras, compañeros y compañeroas de la Sexta y de la Declaración por la Vida:

Considerando que:

Uno. Vemos que necesitamos reencontrarnos con nosotras, compañeras, compañeros y compañeroas de la Sexta y de la Declaración por la Vida.

Dos. Sentimos que tenemos que expresarnos personalmente nuestra admiración, nuestro cariño y nuestro respeto a los colectivos de buscadoras y buscadores. Sentimos que tenemos que abrazarlas, escucharlas y hacerles saber que acá, en las montañas del sureste mexicano, compartimos su dolor y, sobre todo, su empeño de verdad y la justicia.

Tres. Sabemos que, en el espíritu del Común, la idea, el plan y la concreción de la siguiente etapa de la Gira por la Vida deben realizarse en común acuerdo con los individuos, grupos, colectivos, movimientos y organizaciones de la Sexta México, puesto que es en su geografía donde se resiste, se lucha y se rebelan y revelan las formas organizativas anticapitalistas, y donde nos proponemos realizar la siguiente etapa.

Cuatro. Necesitamos encontrarnos, conocernos e intercambiar historias y experiencias con los grupos, colectivos, organizaciones, movimientos, pueblos, barrios, naciones y tribus de originarios en México.

Cinco. El mundo en general, y México en particular, necesita reconocer que hay oposiciones, resistencias, rebeldías que no responden a las lógicas de liberales y conservadores, izquierdas y derechas, y cosas igual de absurdas y tramposas para escapar de críticas y cuestionamientos. Y para eso, es necesario que las resistencias y rebeldías se hagan presentes.

Seis. Necesitamos conocernos y reconocer nuestras diferencias y distancias, y encontrar las coincidencias en intereses comunes. Conocernos para respetarnos.

Por lo tanto, les anunciamos que los zapatistas iremos a la Ciudad de México, y ahí haremos base para encontrarnos con todas esas personas, y así armar juntos futuras reuniones y actividades.

En la Ciudad de México se realizará el siguiente Encuentro de Resistencias y Rebeldías y el Encuentro de Artes en diciembre de este 2026.

Estaremos todo el mes de diciembre de este año de 2026, y ahí, con nuestros compañeros y compañeras y compañeroas de la Sexta y de la Declaración por la Vida, celebraremos el aniversario del inicio de nuestro alzamiento contra el olvido, el 1 de enero de 2027.

Para esto, hemos decidido aceptar la invitación de las mujeres, hombres, niños, niñas, ancianos de la comunidad indígena otomí residente de la Ciudad de México, para hospedarnos en las instalaciones sedes durante el tiempo que estaremos ahí. Esto es, en la Casa de los Pueblos y Comunidades Indígenas Samir Flores Soberanes.

Así está. Y ahí lo vean.

Más detalles les comunicaremos cuando tengamos mayor información.

Desde las montañas del sureste mexicano,

Subcomandante Insurgente Moisés
México, julio de 2026.

Foto de portada: Radio Pozol

radio
EZLN

TRANSMISIÓN EN VIVO Semillero Guerra contra la Humanidad (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio). Martes 21 de julio, 13:00 horas

Martes 21 de julio, 13:00 horas

TRANSMISIÓN EN VIVO
Semillero Guerra contra la Humanidad

(Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)

Alejandra Guillén. “Desaparición y leva para la acumulación de capital. Grietas de resistencia ante el nuevo dominio”
Ilán Semo. “La caída del antiguo orden y las nuevas formas de la guerra”
Comisión Sexta Zapatista

radio
Capitán Insurgente Marcos

Inauguración del Semillero “Guerra contra la Humanidad” (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)

Capitán Insurgente Marcos
Semillero Guerra contra la Humanidad (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)
20 de julio de 2026

(Descarga el audio aquí)

Buenas tardes compañeros, compañeras, compañeroas, yo les voy a hacer la introducción. Los que entendieron ese albur se van a ir al infierno.

Queremos agradecer primero a quienes levantan y sostienen este espacio para la palabra, la reflexión y el pensamiento crítico, es decir, a la comunidad del Cideci/UniTierra, agradecerles su hospitalidad y la casa para el oído, la palabra y el corazón que desafiando todo han construido y mantienen. Gracias Cideci, gracias, Doc, ¡ánimo!

Agradecer también a las mentes lúcidas que en esta ocasión nos visitan para compartir su mirada crítica ante un mundo que de un día a otro cambia y se transforma en la peor versión de sí misma. Y saludar a quienes están de escuchas presentes y a quienes en otros rincones de México y el mundo abren su corazón para alimentar sus luchas, sus historias, sus búsquedas, sus éxitos y sus fracasos, es decir, sus vidas. Ahora nos convoca una historia, una historia de ustedes y de nosotros, aunque seamos tan diferentes, tan distintas, tan otros, que no pocas veces nos confundimos como si fuéramos enemigos entre nosotros.

Una historia común, pues. Y esta historia comienza con un crimen, no con una boda esplendorosa en un marco idílico, con un novio guapísimo y otro novio que lo que sea de cada quien está más feo que la foto de Trump con Infantino en su relación sadomasoquista. Claro, los chismes en las mesas son unánimes, él debe estar forrado de billetes y el otro él es un interesado a quien no le mueve el amor desprendido y la entrega incondicional.

No, no me he equivocado al repetir los géneros de los novios. Y no, esta historia no inicia con el amor triunfante o derrotado ante la adversidad. Tampoco inicia con una embriagante vista aérea a vuelo de pájaro sobre una campiña verde, dorada y lejana, ni con el vertiginoso serpenteo de una cámara en un travelling zigzagueante por entre las calles y las miserias de una urbe en cualquier parte del mundo. No, empieza con un crimen rebosando sangre, lodo y mierda, una historia que empieza con la injusticia entronizada, el dolor democratizado, la destrucción que genera riqueza, bonanza y desarrollo, la muerte como programa de gobierno y símbolo del progreso: a más muertes, más modernidad en una civilización.

Nos convoca un crimen, el crimen por excelencia, el crimen hecho sistema, un crimen tan transparente que la luz no lo atraviesa sino que lo trastoca en espejo, en un prisma que se desgaja en colores amables, queribles, deseables, de moda, pues, un crimen tan popular que acumula trillones de likes de sus víctimas propiciatorias y aún así está insatisfecho.

Así que nos convoca un crimen. Tenemos un criminal cínico, están las pruebas, está el juicio cotidiano de la realidad, está una sentencia siempre pendiente. El criminal en cuestión cuenta con abogados de oficio, jueces, policías, ejércitos, bancos, industrias, comercios, redes sociales, medios de comunicación, mundiales de fútbol, FIFAs, barras o porras virtuales, tratados comerciales, reuniones clandestinas y abiertas y la actitud designada de millones de víctimas.

No se entregará fácilmente, no se detendrá en su afán de conquista y sometimiento. Si el aberrante objetivo de su guerra, el planeta, sucumbe, está preparando y en algunos casos tiene ya sus refugios o cuartos de pánico alternos. Su principal objetivo ahora son los prescindibles, los que sobran, los que estorban, no sólo porque no reditúan ganancia alguna, también y sobre todo porque, al contrario y contradictorio de lo que predican los catecismos políticos revolucionarios, es ahí, en esos desechables, donde no sólo está la amenaza a su proyecto mortal. También y sobre todo porque en esos pequeños está la semilla de lo otro, de lo no homogéneo, lo no hegemonizado. Su ofensa al sistema está en su heterogeneidad, en su resistencia y en su desesperante rebeldía. Estamos aquí y allá, donde está la escucha, la reflexión, la posición crítica, convocados con dos metas siempre inconclusas, siempre renovadas: el conocimiento y análisis de las vulnerabilidades del sistema y la existencia de otros, otras, otroas, que en sus prácticas cotidianas, lejos de los grandes medios de comunicación y trending topics, aprenden y aprehenden de sus luchas.

Ellos, ellas, elloas, a quienes aspiramos a algún día llamar compañeros, compañeras, compañeroas.

Para esto, en esta ocasión, escucharemos una descripción del terrorista por excelencia, el poder, esto es, el Estado capitalista, según el pensamiento de Gilberto López y Rivas.

Su desprecio y racismo a lo diferente, dibujados por Alicia Castellanos.

La Madre Tierra como víctima y como rebelde, estudiada por Carlos Tornel.

La apropiación, es decir, la privatización de bienes que eran comunes hace unas cuantas semanas, como lo es el agua, según el estudio de Wilfrido Gómez Arias.

El ser humano como alimento de la hidra sistémica que reclute y desaparece, lo que ya no sólo se le enfrenta, sino que se le atraviesa, así como la rebeldía en la lucha por la vida, analizadas por Alejandra Guillén.

El reordenamiento del sistema y sus nuevas formas mortales, con la sapiente guía de Ilán Semo.

El fracking contra la tierra y contra quienes la defienden, explicado por Mauricio González González.

El atisbo de una esperanza en la defensa de la naturaleza, bajo la mirada de Pablo Montaño.

La historia como herramienta de opresión y las historias de abajo como arma de lucha, explicadas ambas por Carlos Alberto Ríos Gordillo.

Los nuevos rostros de la hidra explotadora, desenmascarados por Mateo Crossa Niell.

El horror y el heroísmo emblemático de este y de todos los tiempos de Palestina, con Micaela Gramajo e Iván Prado.

El éxodo mundial e imparable de las migraciones humanas en el ojo crítico de Bruno Miranda.

El anhelo insatisfecho del fin de las guerras y el triunfo de la vida, explicado por David Barrios.

El tierno y maravilloso empeño de quienes buscan a quien hace falta, descrito por Andrea Horcasitas Martínez.

El accionar del crimen organizado y las resistencias que se le oponen en la disección de Raúl Romero.

La conquista y reordenamiento del espacio urbano y quienes en él viven, resisten y se rebelan, señalados por Vicente Moctezuma Mendoza.

El lugar de lucha como mujeres que somos en la defensa de la naturaleza, con la visión de Iracema Gavilán.

Y para cerrar con broche de oro, tenemos dos mesas con el terror y la pesadilla de la ultraderecha: las diferencias. Titze Malambé, Vica Rule, Brenda Nava Galindo, Argelia Guerrero y a nuestras compañeroas y compañeras zapatistas, la Marijose, la Mía, Fernanda, Érika, Mareli, Yuli y Remedios.

Creo que más de unoa, una, uno, estará de acuerdo conmigo en que el menú de este semillero presenta una variedad rica en vitaminas, minerales, proteínas e hidrocarburos, pero que será necesario el condimento que cada escucha elija para sazonar.

Es un semillero pues, hay varios tipos de semillas. Habrá las que nos sirvan para alimentar el pensamiento crítico, la reflexión, el cuestionamiento y habrá las que no. No nos convoca la difusión y propaganda de evangelios políticos, de doctrinas novedosas o arcaicas, de dogmas seculares.

Lo que nos convoca es la necesidad cada vez más urgente de nuevos elementos para el análisis crítico, de herramientas para la discusión y la identificación del perfil del criminal.

Creo, es un supositorio, que la parte más importante de este y otros semilleros no ocurre en este auditorio, o en este streaming o en las palabras que aquí se digan. Creo que lo que realmente importa ocurrirá fuera de este recinto, en las pláticas de sobremesa, en los comentarios, en las discusiones, en los debates y en la apropiación o no de las ideas que consideremos acertadas y pertinentes. En la aprehensión pues, que convierte el aprendizaje en método de cultivo de una, de otra, de muchas semillas, que habrán de florecer, madurar y dar fruto en las luchas por la vida.

En estos días, una organización hermana en la lucha por la vida, la española Open Arms (Brazos Abiertos), desembarca en las costas de Cuba para entregar apoyos necesarios y urgentes para el pueblo cubano. No llevan consignas, demandas, exigencias, condicionamientos, imposiciones. En cambio, llevan equipos de energía solar y medicinas para un hospital. El velero se llama Astral. En él, como un elemento más de la embarcación y su tripulación, viaja también una pequeña lancha llamada Lacandona, familiar de los cayucos que a bordo de La Montaña cruzaron hace cinco años el Atlántico a contrapelo de la historia para hermanar la rebeldía que no reconoce fronteras. Así como la pequeña Lacandona es hermana menor del Astral, y es el más pequeño de los navíos que rescatan a náufragos de las guerras militares, económicas y raciales, nuestra palabra y nuestra práctica es una más de la gran familia de quienes reconocen como necesaria, urgente e impostergable, la lucha por la vida. La más pequeña, cierto, pero parte también del todo.

pLos más primeros dioses, los que nacieron en el mundo de la mano de Ixmucané, la diosa madre, la tierra, se dieron en crear caminos, puentes y embarcaciones. Cuando aún no habían sido creadas las aguas, los continentes, los pueblos y quienes los viven, no habían sido creados aún los colores de piel, ni los tamaños de los seres, ni las lenguas que los hablan, ni los modos que los viven, ni las geografías que los hospedan, ni las religiones que los entibian.

Harán falta —suspiró le Ixmucané—, orque tiempos llegarán en que reinen los rompimientos, las distancias, las divisiones, las persecuciones, las fronteras y las guerras. Y los hombres y mujeres de maíz tendrán así la ruta, pero ellos, ellas y elloas habrán de construirse los pies, las manos, los cuerpos y los corazones para desafiar esos obstáculos, y aún a la muerte encontrarán camino. Su paso llevará preguntas y no destrucciones y muertes. ¿Quién eres? ¿Cuál es tu historia? ¿Dónde estás?

Aquí estoy, madre, padre, hermana, amigo. Soy el ausente, la desaparecida forzada de estadísticas y mediciones. Soy el color de piel distinto, diferente en la atracción y el amor, disímil en geografía, historia y modo. Soy la víctima propiciatoria, el huérfano de esperanza y de vida. Soy quien busca ser encontrada. Soy quien no se resigna, no se conforma, no se rinde. Estas serán algunas de las palabras, algunas de las respuestas que buscará su andar.

Así murmuró Ixmucané, la más primera, y al rodar de los tiempos su murmullo se convirtió en grito en las montañas del sureste mexicano.

Compañeras, compañeroas y compañeros, hermanoas, hermanos y hermanas, bienvenidas, bienvenidoas y bienvenidos seamos al semillero “Guerra contra la humanidad, las poblaciones y la naturaleza bajo asedio”.

Tiene la palabra un viejo compañero joven, Gilberto Rópez y Rivas.

Les voy a platicar como estuvo. Es que yo le dije al compañero que nos ayuda a contactar gente para venir a exponer sus saberes, su sabiduría, le dije: “hay que buscar gente joven para que conozcan otros pensamientos”. Entonces me fue pasando la lista y las edades iban entre 45 y 50 años. Yo no me reí, me puse triste, me deprimí. Entonces yo dije bueno, si los jóvenes tienen entre 40 y 50 años, entonces los que tengan entre 20, mayores de 20 y menores de 40 son adolescentes púberos y los que tienen menos de 20 pues tienen, son niños pues y niñas.

Este semillero es para adultos, por favor retírense los menores de 20 años.

radio
EZLN

Transmisión en vivo de la Segunda Sesión del Semillero Guerra contra la Humanidad. (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio). Lunes 20 de julio, 18:00 horas

Lunes 20 de julio, 18:00 horas

TRANSMISIÓN EN VIVO
Semillero Guerra contra la Humanidad
(Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)

Wilfrido A. Gómez-Arias. “Nuestra agua, sus concesiones. La arquitectura legal del despojo y el acaparamiento del agua en México”
Carlos Tornel. “Capitalismo, guerra total y la rebelión de lo vivo”
Comisión Sexta Zapatista

radio
Carlos Tornel

Capitalismo, guerra total y la rebelión de lo vivo

Por Carlos Tornel
Semillero Guerra contra la Humanidad (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)
23 de julio de 2026

(Descarga el audio aquí)

Muchas gracias, compas, una vez más por esta invitación. Es un gusto y un placer estar aquí otra vez en el Cideci. Es un verdadero gusto y un honor poder compartir estas palabras, que espero abonen a la discusión sobre la guerra contra la naturaleza. Esta vez trataré de ir más lento. Ya no traje el celular; intentaré también no ofender a los anfitriones. Reitero que toda acusación contra el tabaco fue dirigida a sus oligarcas corporativos.

Espero que esta sea una ocasión para revisitar los puntos de la Cuarta Guerra Mundial y ojalá al final aparezca ese mítico pastel de moca que, como el quinto partido —ah, no, perdón, ahora el sexto partido—, no termina de llegar. En fin, no llega.

Traté de organizar esta intervención a partir de una provocación que el zapatismo formuló hace ya más de 20 años: la idea de que vivimos en una Cuarta Guerra Mundial. No voy a repasar aquel planteamiento con lujo de detalle. Me interesa recuperar solamente tres de las líneas que siento que siguen siendo fundamentales para comprender nuestro presente.

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radio
Wilfrido Gómez Arias

Nuestra agua, sus concesiones. La arquitectura legal del despojo y el acaparamiento del agua en México

Por Wilfrido Gómez Arias
Semillero Guerra contra la Humanidad (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)
23 de julio de 2026

(Descarga el audio aquí)

Antes de comenzar, me gustaría agradecer por esta invitación que me hicieron llegar para compartirles algo que hemos intentado ir entendiendo, aprendiendo junto con mi esposa Andrea, otros colegas, sobre un tema tan importante como es el acaparamiento de nuestras aguas.

Es para mí un honor estar aquí con ustedes, compartiendo esta experiencia junto a otros compañeros, compañeras, compañeroas y junto a ustedes, en este espacio en el que han pasado diversos personajes, pueblos, comunidades, a compartir su palabra, sus luchas, su pensamiento crítico y otras formas de construir otros mundos posibles.

He de confesar que siempre que me encuentro en una encrucijada hacia dónde navegar, recurro a ustedes, a su pensamiento, a su rebeldía, a lo que van construyendo desde el común.

No voy a negar que estoy nervioso, pero haré todo lo posible por lograr una exposición que nos permita comprender y reflexionar sobre cómo ha sido y sigue siendo la arquitectura legal del despojo y el acaparamiento del agua en México. Voy a terminar en una hora.

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radio
Alicia Castellanos

Racismo y violencia contra los pueblos

Por Alicia Castellanos
Semillero Guerra contra la Humanidad (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)
23 de julio de 2026

(Descarga el audio aquí)

Gracias. Buenas tardes a todas y a todos.

Antes de iniciar esta exposición, quiero expresar también mi afecto y reconocimiento por su compromiso y esfuerzo, que hoy, una vez más, y a lo largo de su existencia como zapatistas, convocan a estos memorables encuentros de reflexión, a este semillero sobre la guerra contra la humanidad.

Agradezco esta invitación para compartir ideas sobre racismo y violencias contra los pueblos. Debo decir que, indudablemente, es una experiencia perturbadora para todos constatar que vivimos como humanidad en un tiempo de extrema violencia, que sabemos es indisociable de un capitalismo que, en esta fase de crisis sistémica, avanza violando, más que nunca, los derechos de los pueblos; inseparable también de un terrorismo de Estado que actúa con una sofisticada tecnología que se expande con inmensa capacidad destructiva por todos los rincones del planeta.

Esta estrategia de los poderes dominantes se torna en una política que opera impunemente, con la guerra y el exterminio como sus expresiones recurrentes, causas de que la vida de los seres humanos y la naturaleza, y todo lo construido en siglos por pueblos y culturas, patrimonio de la humanidad, enfrentan riesgos que atentan contra su existencia y continuidad, y el disfrute y derecho a la vida.

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radio
Gilberto López y Rivas

Terrorismo global de Estado, militarización y recolonización de los territorios

Por Gilberto López y Rivas
Semillero Guerra contra la Humanidad (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)
20 de julio de 2026

(Descarga el audio aquí)

Agradezco a las y los hermanos zapatistas por invitarme a este semillero, al que vengo como integrante del Colectivo de Apoyo al EZLN-CNI-CIG “Llegó la Hora de los Pueblos”, que tiene su origen precisamente en el esfuerzo por acompañar las acciones de los pueblos en defensa de la vida, la paz, la justicia y la dignidad. Recordando con especial cariño a uno de sus fundadores, don Pablo González Casanova, quien cumplió a cabalidad, hasta el final de su fructífera vida, las tareas de ese vigía que los mayas zapatistas describen como el centinela de la reflexión crítica, que sabe distinguir los cambios, mira los indicios, los valora y los interpreta; que no se cansa, mucho menos se rinde, y señala los peligros y las tormentas, sin consignas, autos de fe ni modas de la academia extractivista.

Ese merecido reconocimiento de los zapatistas al más notable científico social de nuestro país, realizado en este mismo auditorio, vino a colmar una vida plena de congruencia ética y compromiso social e intelectual. Fue precisamente por esa entrega a la causa de los pueblos que la Comandancia General del EZLN lo premió a la manera de los zapatistas, es decir, dándole más trabajo. En aquella noche memorable en que le impusieron el grado de Comandante Contreras y lo integraron al Comité Clandestino Revolucionario Indígena del EZLN, convirtiéndolo en un obligado referente con el que se pone a prueba una intelectualidad anquilosada y alejada de las resistencias anticapitalistas y de la lucha contra la recolonización y la guerra social que viven nuestros pueblos y naciones.

Ese es el tema que vamos a discutir en este semillero.

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