Convocatoria a Sesión Informativa sobre el Viaje-Abrazo a Buscador@s, diciembre 2026-Enero 2027.
La Comisión Sexta Zapatista invita a personas, grupos, colectivos, colectivas, movimientos y organizaciones adherentes a la Sexta y a la Declaración por la Vida, y a las personas honestas y de buen corazón,
A LA SESIÓN INFORMATIVA SOBRE EL VIAJE DE UNA DELEGACIÓN ZAPATISTA A LA CIUDAD DE MÉXICO, LOS ENCUENTROS CON BUSCADOR@S Y EL ABRAZO COLECTIVO A QUIENES BUSCAN VERDAD Y JUSTICIA PARA SUS AUSENTES.
Que se realizará los días 2, 3 y 4 de octubre del 2026, en el CIDECI de San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, México, según la siguiente propuesta:
.- Llegada el viernes 2 de octubre.
.- Sesión informativa. El sábado 3 de octubre. Con la participación de personas que informarán los avances en grupos de Buscador@s que quieren participar en los encuentros (Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de Las Casas); en las finanzas para el viaje (colectivo “Llegó la Hora”); en el hospedaje y alimentación de la delegación zapatista y de los grupos de Buscador@s (Casa Samir Flores Soberanes); las campañas artísticas que se están realizando para recaudar fondos; en el registro de propuestas de actividades para diciembre 2026-enero 2027 en el centro del país (colectivo Red Universitaria Anticapitalista -RUA-); las actividades que ya realizan diversos grupos de musicales. Otroas, barrios, bailador@s, universitari@s (sin incluir la IA, claro); y participación de la Comisión Sexta Zapatista precisando los objetivos del viaje inicial de la Gira por la Vida Capítulo México (Comisión Sexta del EZLN).
.- Regreso el domingo 4 de octubre.
Las sesiones informativas serán transmitidas en vivo. Como es un gasto y por posibles problemas económicos, de salud, de trabajo y/o familiares, se recomienda que no vengan todos, sino que manden alguien que les trasmita la información detallada. O que pidan a alguien de quienes sí vienen, que les pase la información y, en los recesos, reciba sus dudas y preguntas y las plantee en la reunión presencial.
Será, pues, una reunión híbrida: presencial y virtual.
Próximamente daremos a conocer la dirección electrónica para la trasmisión en vivo.
No es necesario registrarse previamente para sesión presencial. Se pueden registrar llegando al CIDECI.
Es todo por ahora.
Desde las montañas del Sureste Mexicano.
Subcomandante Insurgente Moisés. México, septiembre del 2026.
Reseñamos las Jornadas realizadas en San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, el foro “La disputa por la memoria con el Estado” en Ciudad de México, y el anuncio del abrazo zapatista para las madres buscadoras.
Audios: Jornadas en San Cristóbal, Cobertura de la KeHuelgaRadio en CDMX, Transmisión de L@s Terci@s Compas. Música de fondo: “Mujer”, María Inés Ochoa Collage de imágenes: KeHuelgaRadio, CDH Frayba, GranOm
San Cristóbal de Las Casas, Chiapas 30 de agosto de 2026
Pronunciamiento Buscarles es una forma de amarles y de mantener viva su memoria. Día Internacional de las Víctimas de Desaparición Forzada.
El día de hoy, en las plazas del país, en calles, avenidas y en los espacios públicos, las familias, colectivas y organizaciones acompañantes gritarán: ¿Por qué los buscamos? ¡porque los amamos!
Cada 30 de agosto, desde 1981, conmemoramos el Día Internacional de las Víctimas de Desaparición Forzada. En este día, recordamos a nuestros seres queridos que están ausentes, a las familias que luchan cada día para encontrarles y a quienes han fallecido en la lucha por la verdad y la justicia.
En este día, miles de personas no están con sus familias; la desaparición en nuestro país no es un tema solo del pasado, sino que es una acción sistemática contínua, ya que cada día desaparecen entre 25 y 40 personas en México.
En México el Estado sigue permitiendo la desaparición de personas; sigue obstaculizando el acceso a la justicia, y continúa participando activamente en este delito de lesa humanidad. Esto se ve reflejado en las crecientes cifras de desaparición que incrementan año con año, pero también en la profunda violencia que se ejerce hacia las colectivas de familias buscadoras, a las organizaciones y personas que les acompañan.
Gobierno tras gobierno, hemos denunciado con datos el aumento del número de personas desaparecidas en Chiapas. En los últimos años, esta crisis se explica por la disputa y el control territorial ejercido por grupos delictivos con la tolerancia y falta de respuesta de las autoridades. A ello se suma una falsa narrativa de seguridad, planeada y orquestada desde el propio gobierno de Chiapas, que pretente negar la gravedad de esta crisis, invisibilizando a las víctimas y favoreciendo la impunidad.
Según el Registro Nacional de Personas Desaparecidas y No Localizadas, hasta agosto de 2026 se han registrado 133,680 personas desaparecidas en México; informes señalan que, Chiapas, pasó de 1,526 casos de personas desaparecidas en 2025 a más de 2,000 casos activos a mediados de 2026 (Red Lupa, 2026).
A manhã começou imaginando que o capitalismo já havia terminado.
Em uma quadra do CIDECI-Unitierra, sob o céu aberto de San Cristóbal de Las Casas, jovens zapatistas começaram a ocupar o espaço enquanto outras pessoas observavam ao redor. Algumas permaneciam de pé, outras sentadas ou de joelhos. De um lado, uma fila de milicianas e milicianos observava em silêncio. No centro, surgiram faixas sustentadas por longos bastões de madeira.
“Governo em comum”.
“Regulamento da comunidade”.
“Não ao roubo”.
“Não aos maus-tratos contra a mulher”.
“Não à propriedade / Sim ao Comum”.
“Comunidade que se organiza em comum”.
E uma faixa muito maior que as demais:
“Todas e todos somos sobreviventes do que era o capitalismo, e agora nos organizamos sem ele”.
Os corpos se ajoelharam, levantaram-se, estenderam os braços, caminharam em diferentes direções, formaram grupos, dispersaram-se e voltaram a se encontrar. Em determinado momento, dezenas de braços se elevaram simultaneamente, transformando o que parecia um conjunto caótico de movimentos em uma onda. Depois, a onda se organizou.
Aquilo era um ensaio de teatro. A pergunta que começava a tomar forma na quadra era bem maior: como se ensaia uma sociedade que ainda não existe?
O futuro representado ali tinha regulamentos, assembleias, acordos, problemas, cuidados e conflitos. As faixas falavam de propriedade, violência contra as mulheres, roubos, crianças órfãs, vícios e formas de governo. O dia seguinte ao capitalismo aparecia longe de uma imagem serena da utopia. Era preciso organizá-lo.
Horas mais tarde, durante a jornada dedicada ao teatro dentro do SemilleroLas artes bajo acoso, aquela experiência atravessaria praticamente todas as intervenções. Pela mesa passaram o Subcomandante Insurgente Moisés, Luis de Tavira, Marina de Tavira, Diego del Río, David Gaytán e Ofelia Medina, enquanto a Comissão Sexta acompanhava uma conversa que voltava repetidamente ao mesmo problema: o que acontece quando o teatro deixa de se limitar a imaginar outro mundo e começa também a ensaiar as relações necessárias para construí-lo.
A obra antes da obra
O Subcomandante Insurgente Moisés começou explicando algo que nós, que assistimos a uma obra pronta, dificilmente conseguimos perceber.
O processo começa quando coordenadores e coordenadoras de arte e cultura dos doze Caracoles se reúnem em torno de um tema. Surgem muitas ideias. Elas são discutidas. São organizadas. Elabora-se um primeiro rascunho de cenas e movimentos. Depois chegam atores e atrizes vindos dos Caracoles, e aquilo que parecia resolvido volta a se abrir.
As novas pessoas propõem outros movimentos, objetos, formas de representar, palavras e ações. A obra volta a mudar. Segundo explicou Moisés, “vai surgindo em comum a ideia de como vamos encená-la”. Depois, cada grupo retorna ao seu Caracol. Pratica. Corrige. Treina. Comunica-se com os demais. E, finalmente, os doze Caracoles voltam a se reunir para juntar as partes e continuar ensaiando “até dar certo”.
Moisés usou uma expressão muito menos solene para descrever o método com que começaram a fazer teatro: al romplón. Bora, vamos ver no que dá.
A frase, no entanto, poderia enganar. Por trás dessa aparente desordem existe uma enorme estrutura de coordenação: centenas de pessoas, diferentes regiões, deslocamentos, ensaios locais, comunicação entre grupos, materiais que cada participante desenha e constrói, correções sucessivas e uma ideia que precisa conseguir reunir todas essas diferenças.
A organização antecede a cena. E continua dentro dela.
Moisés insistiu ainda em algo decisivo: ele também não desenha os figurinos, os objetos ou cada movimento. “São eles, são elas” quem os criam. Mesmo quando lhe perguntaram como chamar sua própria função, a palavra diretor pareceu grande demais ou talvez vertical demais. Entre brincadeiras, surgiu outra possibilidade: “pensamento orientador”. Sua tarefa, explicou, consiste sobretudo em coordenar tempos, reuniões e grupos. “Os que fazem são eles, são elas”.
Nessa engrenagem coletiva também foram construídas as duas partes de um mesmo problema teatral. “O tema é um só, mas se divide em dois”, explicou Moisés. Primeiro, o Comum. Depois, o dia seguinte, quando “já não existe o sistema capitalista”. O teatro zapatista começa, então, por uma pergunta política e organiza corpos para torná-la visível.
Do “romplón” à técnica
A presença de Luis de Tavira naquela manhã introduziu outra camada no processo.
Moisés contou que o mestre havia compartilhado com eles “método, forma, técnica”: como evitar que o ator permanecesse como uma estátua, como se expressar, como fazer com que uma ação fosse compreensível para quem observa. Essas ferramentas foram recebidas a partir de um lugar muito concreto: as comunidades já sabiam o que queriam dizer.
“A única coisa que sabemos é que vamos mostrar aquilo que pensamos, aquilo em que acreditamos”, explicou.
Ali aconteceu um dos encontros mais férteis de toda a jornada. De um lado, décadas de experiência teatral. Do outro, uma prática comunitária construída sem escola formal de atuação e sustentada por centenas de jovens de diferentes comunidades. A técnica circulou sem deslocar o processo coletivo que já existia.
À noite, Tavira ainda parecia atravessado por aquela experiência. Agradeceu várias vezes antes de conseguir começar sua reflexão e reconheceu estar profundamente comovido com o trabalho compartilhado. Falou de cerca de 240 participantes na obra que acabara de assistir e lembrou outra experiência anterior de teatro zapatista, na qual havia encontrado cerca de 500 pessoas em cena. Mais do que o número, impressionava-o a possibilidade de realizar um teatro multitudinário sustentado, ao mesmo tempo, pela exigência e pela busca artística.
A relação entre aprender e ensinar havia saído do lugar.
De fato, desde a abertura da mesa, falou-se de uma “reunião conspiratória de teatrólogos” ocorrida em outro canto do CIDECI, onde os papéis de mestre e aprendiz mudavam continuamente.
Talvez isso explique uma das coisas mais interessantes do que aconteceu naquela manhã: ninguém saiu ileso do ensaio.
Pensar fazendo
Luis de Tavira retomou uma inquietação que havia surgido durante suas conversas com Moisés. Pensar é necessário. Fazer também. Para Tavira, o teatro acontece justamente nessa relação: é fruto do pensamento e, ao mesmo tempo, realização do pensamento. Ali surgiu o problema que atravessaria boa parte da noite. A ficção pode imaginar um mundo diferente. O desafio é a realidade. Moisés havia formulado essa inquietação durante os intercâmbios anteriores: tudo bem imaginá-lo, mas como aquilo que é representado passa para a vida?
Tavira respondeu voltando a uma das origens ocidentais do teatro. Lembrou como a tragédia grega imaginou uma saída para o ciclo interminável da vingança, sangue que chama mais sangue, por meio de outra possibilidade de organização coletiva. Seu argumento conduzia a uma afirmação deliberadamente forte: o teatro tem intervindo historicamente nas formas nas quais as sociedades imaginam a si mesmas.
“O teatro muda a história”, afirmou.
A afirmação adquire outro sentido diante de uma obra que imagina sobreviventes se organizando depois da catástrofe capitalista. Para Tavira, o teatro também é um mirante: um lugar de onde observar a vida por meio de corpos presentes. A história conta aquilo que aconteceu alguma vez; o teatro pode interrogar aquilo que continua acontecendo.
E daí chegou a uma formulação que desloca radicalmente a centralidade da própria obra: “A verdadeira obra de arte é a sociedade”.
O palco importa porque pode tornar visível algo que ainda não possui uma forma completa na realidade. O futuro aparece, então, como acontecimento aberto. “A esperança não é otimista”, disse Tavira. É uma “espera atenta pelo que ainda não se sabe que vai acontecer”.
Juntar as diferenças
Entre a intervenção de Luis e a de Marina, o Capitão Marcos voltou ao que havia observado nos ensaios zapatistas. O que via, contou, inicialmente parecia uma bagunça. Grupos separados. Cada um trabalhando por conta própria. Pessoas corrigindo umas às outras. Nenhuma figura central percorrendo o espaço para ditar cada movimento. Aquilo lhe parecia particularmente estranho vindo de uma formação militar, na qual existem comando e obediência.
Os e as jovens que faziam teatro, observou, cresceram em assembleias e reuniões comunitárias. Essa experiência reaparecia quando criavam: cada grupo se autogerenciava e, posteriormente, as partes conseguiam se encontrar. “Não há uma voz que se imponha ou que mande”.
Marcos lembrou ter sentido a mesma incerteza ao assistir anteriormente aos ensaios de Bichos. Não conseguia compreender como tantos fragmentos independentes poderiam se transformar em uma obra. Até que a viu completa. Então aquilo que estava disperso encontrou uma forma comum. Para ele, a potência estava justamente ali: “ter conseguido construir essas diferenças em um coletivo, isso é uma arte”. Talvez o teatro zapatista estivesse mostrando algo antes mesmo de começar a representação. A obra podia falar do Comum porque sua própria construção obrigava a praticá-lo.
Uma trincheira contra o intolerável
Marina de Tavira havia chegado com um texto preparado. Quase desde o início, confessou que, depois do que havia vivido naquela manhã, já não sabia muito bem como lê-lo. Havia escrito o texto a partir de certo desalento. Depois de conviver, ensaiar e assistir às apresentações dos jovens zapatistas, a sensação era outra: alegria.
O que encontrou naquela cena foi uma forma de presença e coletividade que confrontava algumas das coisas que o teatro profissional costuma proclamar e que, às vezes, consegue praticar com muito mais dificuldade. Sua reflexão voltou então a uma convicção que a acompanha há décadas: fazer teatro como trincheira contra o intolerável.
O intolerável aparece quando a crueldade começa a se tornar normal. Quando uma imagem de guerra sucede a outra. Quando um corpo desaparecido se transforma em número. Quando a violência perde a capacidade de comocionar.
O teatro pode atuar justamente contra essa anestesia. Colocar um corpo diante de outro. Sustentar o olhar. Tornar difícil desviar-se. Permitir que aquilo que acontece com outra pessoa volte a nos afetar. Mas Marina levou essa pergunta também para aqueles que fazemos arte e para as posições a partir das quais tentamos acompanhar as lutas. Lembrou uma frase que durante anos havia usado para explicar seu trabalho: queria fazer teatro para “dar voz a quem não a tem”.
E então a corrigiu.
“Faço teatro para mudar a mim mesma”, disse. Aquelas pessoas a quem queria dar voz “têm voz, e uma voz muito potente”. A tarefa pode consistir em contribuir para que essa voz reverbere, começando por transformar a própria consciência. A diferença é profunda.
A arte deixa de se colocar diante de outras pessoas como instrumento encarregado de representá-las e começa a perguntar o que precisa mudar em quem olha, escuta, acompanha ou cria.
Ao final de sua intervenção, Marina relacionou essa reflexão às mães que buscam seus desaparecidos e ao país atravessado pelos desaparecimentos. A palavra teatral pode então se transformar em lamento público, denúncia, memória e abraço.
A cena adquire sentido quando abre espaço para escutar uma voz que já existe.
Acompanhar sem apagar
Diego del Río começou praticamente onde Marina havia terminado. Ele e David Gaytán haviam participado, durante a manhã, de uma parte do ensaio com os jovens zapatistas. Diego reconheceu que a experiência de atuar junto com eles, ainda que por alguns minutos, havia modificado sua própria percepção do presente.
Eles haviam feito parte da onda. Por um instante, precisaram coordenar seus corpos com muitos outros corpos. Sentir quando se mover. Quando parar. Quando seguir o impulso coletivo. E como fazer parte de uma ação maior sem desaparecer dentro dela. Essa relação reapareceu depois em uma frase proveniente de outra experiência teatral de Diego: “Acompanhar um corpo não significa apagar sua autonomia”.
A frase podia ser ouvida de muitas maneiras naquela mesa.
No teatro, dirigir pode significar acompanhar uma busca e deixar espaço para que quem atua produza algo irredutivelmente próprio. Em uma comunidade, o coletivo pode adquirir forma sem cancelar a singularidade. Em uma relação de solidariedade, acompanhar pode exigir abandonar a pretensão de conduzir aquilo que pertence aos outros.
Diego também falou sobre os rituais teatrais. Entrar. Preparar a atenção. Respirar. Encerrar uma apresentação. Guardar o figurino. Despedir-se do espaço.
O teatro precisa desses limiares porque trabalha com presenças. Algo começa quando vários corpos concordam em prestar atenção à mesma coisa e algo termina quando essa energia volta a se dispersar.
Naquela manhã, a quadra havia funcionado exatamente assim. Sem cortina nem poltronas. Sem uma separação estável entre palco e mundo. O espaço se transformou temporariamente em outra coisa porque centenas de pessoas concordaram em habitá-lo como teatro.
O prazer de se organizar
David Gaytán voltou de maneira ainda mais explícita àquela experiência.
Falar de teatro sob assédio, disse, exige voltar de vez em quando a uma pergunta elementar: por que fazer teatro?
A profissão oferece inúmeros motivos materiais para desistir: precariedade, pouco reconhecimento, exposição permanente, uma relação absurda entre o tempo investido e a recompensa econômica. Sua resposta foi pensar o teatro como serviço social. E, a partir daí, falar do prazer. O prazer de uma ideia. O prazer do corpo se expressando. O prazer de se mover junto com outras pessoas. O prazer de se coordenar. O prazer de se organizar.
Quando descreveu a manhã, as fotografias pareciam adquirir movimento outra vez.
David lembrou “o prazer de ser uma onda em estado de caos para depois ser um mar de corpos organizados” que explode quatro vezes em uníssono. Também lembrou algo aparentemente insignificante: discutir onde e qual deveria ser o tamanho dos furos nas faixas, para que o vento não impedisse a leitura das frases.
Ali estava o teatro. Na palavra de ordem e no corpo. No tecido e no vento. Na decisão coletiva sobre como fazer com que uma palavra continuasse visível. David formulou então uma das ideias que melhor explicam o que havia acontecido durante o dia: “Fazer uma peça de teatro é a possibilidade de ensaiar a convivência”.
Ensaiar deixa de significar apenas repetir uma cena até executá-la corretamente. Ensaiar é experimentar relações. Distribuir responsabilidades. Escutar divergências. Resolver erros. Aceitar lideranças temporárias. Corrigir uma decisão. Começar outra vez.
A partir dessa perspectiva, a frase que aparecia pela manhã — “Regulamento da comunidade” — adquire uma densidade diferente. O dia seguinte precisa de regras porque a convivência também precisa ser ensaiada. Outra faixa dizia “Assembleia”. Outra, “Governo em comum”. O futuro se construía ali como verbo. Perto do encerramento, David condensou sua intervenção em várias frases: “É preciso fazer obras que sejam oxigênio”. É preciso provocar e agitar a verdade. E, sobretudo: “É preciso nos organizarmos”.
A alegria de fazer algo que nos transcende
Ofelia Medina tomou a palavra por último. Sua intervenção percorreu boa parte de sua vida entre arte, teatro, dança e organização política. Lembrou a formação artística pública de sua infância, o movimento estudantil de 1968, anos de trabalho com povos indígenas, o levante zapatista e as redes de artistas e da sociedade civil que começaram a se organizar depois de janeiro de 1994. Mas todo esse percurso desembocou em uma afirmação muito simples: “Ser comunidade, ser em comum e agir coletivamente. Isso é o futuro”.
Ofelia voltou então ao que Moisés tinha explicado no início. Antes de fazer uma obra, as pessoas se perguntam o que estão fazendo e para quê. Depois decidem sobre o que ela tratará. Depois criam.
A prática artística em comum compartilha, assim, algo com outras formas de organização comunitária: começa por produzir acordos em torno de uma necessidade ou de um desejo. Diante de uma ideia de arte organizada em torno do indivíduo excepcional, da assinatura, do sucesso e do mercado, Ofelia defendeu outra experiência: criar com outras pessoas, discutir, até mesmo brigar, resolver e continuar. Ao final, voltou a uma palavra que também havia atravessado as jornadas anteriores: alegria.
“O teatro é um ritual”, disse. Quando perde essa dimensão, corre o risco de se transformar simplesmente em mais uma parte do comércio. E então: “A alegria coletiva é o que se produz aqui”.
A afirmação adquiriu imediatamente uma dimensão política. Ofelia falou do assédio atual, da violência que atravessa o país e do encontro que o zapatismo vem propondo com coletivos de mães, mulheres e homens que buscam seus desaparecidos. Esse encontro faz parte dos objetivos anunciados pela Comissão Sexta para sua viagem à Cidade do México: escutá-los, tornar-se eco de suas demandas e levar-lhes o abraço coletivo dos povos zapatistas.
A alegria de que se falava naquela noite estava longe de ser uma fuga. Era a possibilidade de continuar produzindo comunidade em um mundo que trabalha constantemente para rompê-la.
Ensaiar o dia seguinte
Pela manhã, uma faixa havia afirmado algo que ainda era impossível verificar: “Todas e todos somos sobreviventes do que era o capitalismo, e agora nos organizamos sem ele”. O capitalismo estava escrito no passado. Ao redor, centenas de jovens começavam a construir o futuro com seus corpos. Havia assembleia. Cuidados. Problemas. Autogoverno. Violências que precisavam ser enfrentadas. Uma discussão sobre a propriedade. Pessoas que precisavam chegar a acordos. Aquilo que aparecia na quadra podia ser entendido como uma ficção. E justamente por isso podia funcionar como ensaio. A ficção permite colocar um corpo diante de uma pergunta antes que exista a resposta.
Moisés havia explicado que é assim também que suas obras são construídas: surge uma ideia, ela é discutida, experimentada, viaja aos Caracoles, recebe novas contribuições, é corrigida, retorna e volta a ser ensaiada. O dia seguinte parecia seguir o mesmo método.
Tavira pensou nisso como uma possibilidade ainda desconhecida.
Marina encontrou ali uma forma de presença capaz de transformar primeiro quem participa.
Diego falou sobre acompanhar corpos preservando sua autonomia.
David sentiu uma onda caótica se transformar em um mar organizado.
Ofelia nomeou a alegria de produzir algo coletivamente.
E o Capitão Marcos observou algo talvez mais difícil de perceber de longe: uma obra feita por grupos que pareciam dispersos podia adquirir forma sem que uma única voz precisasse se impor sobre todas as demais.
A cena daquela manhã continha, então, algo mais do que uma representação do futuro. Era uma prática do presente. Eles se corrigiam. Voltavam a começar, desta vez todos juntos.
Talvez o dia seguinte se pareça menos com uma imagem acabada do que com aquele ensaio. Uma comunidade perguntando a si mesma como quer viver. Experimentando e errando. Corrigindo. Discutindo e voltando a se organizar.
Luis de Tavira havia dito algumas horas antes que a esperança consiste em esperar atentamente aquilo que ainda não sabemos.
Na quadra, enquanto os corpos se moviam sob uma faixa onde o capitalismo já pertencia ao passado, essa espera deixara de ser imóvel.
La memoria y la mirada bailaron juntas al ritmo de una cumbia japonesa en el Cideci/Universidad de la Tierra este último día del Semillero “Las artes bajo acoso”. El extraordinario grupo musical Xaolin Wolf preparó el cuerpo y el corazón colectivo para las reflexiones que vendrían, insuflando vida y alegría.
Las reflexiones de este día girarían en torno al teatro pero, a través de éste, a la vida más ampliamente. Y en eso, la memoria como resistencia y fundamento de la comunalidad y la mirada como abrazo y como reconocimiento de la singularidad de las partes en la pluralidad del todo estuvieron siempre presentes.
“Es la memoria lo que define al ser humano”, dijo el Capitán Marcos. Es lo que sustenta la comunidad. Y la humanidad es comunidad, aunque el sistema mundo en el que vivimos se empeñe en destruirla por medio, justamente, de la desmemoria.
Cuando hablamos de memoria, dice el Capitán, no nos referimos sólo al acto de recordar, sino a contextualizar los recuerdos. Es de esa contextualización de los recuerdos que surge la mirada: una forma particular de ver el mundo y a los otros seres fincada en la memoria y que construye al ser individual y colectivo.
Cuando recordamos al Sup Pedro, por ejemplo —dijo el Capitán— lo traemos de vuelta, le curamos las heridas de bala, le curamos la cicatriz calibre 30 de carabina de su mejilla y le damos su café amargo y su paquete de cigarrillos. Y no hablamos, sólo nos miramos; es decir, nos abrazamos.
La comunidad se construye y se alimenta también por medio de la mirada. Pero no cualquier mirada, y sin duda alguna no la mirada única que se impone sobre las demás. La mirada que cuenta, la que hace comunidad, es “aquella que abraza la pródiga pluralidad de la vida”, y en ella, la particularidad de quien es mirado.
El Capitán citó la obra “Seis personajes en busca de un autor” de Luigi Pirandello, en la que, en medio de un ensayo de teatro, seis desconocidos llegan explicando que son personajes de una historia inacabada y que buscan un autor que complete su historia. “Esa obra de teatro representa el reclamo de la mirada”, dijo el Capitán, pues los personajes saben “que es el arte lo que les permitirá ser mirados”.
La mirada, aclaró, no es un privilegio de la vista, sino del corazón. Quien mira ama, pues el amor nace de la sorpresa de mirar. Pero el amor es incompleto si quien es mirado no siente esa mirada, “no percibe el abrazo que toda mirada debe prodigar”.
Por eso vamos a la Ciudad de México, para hacerle saber a los grupos, colectivos y colectivas de buscadoras que les miramos, y para confirmarnos que lo saben y lo sienten.
Esmeralda Aragón inició sacudiéndonos con memoria y mirada, al leernos un texto sobre su madre. Autodidacta, mujer de lucha sin estudios formales pero con profundos saberes, parte de un linaje de “generaciones de mujeres que no pisaron las aulas” pero que “saben de todo”. “Mi madre sabe de teatro aunque nunca haya pronunciado la palabra”, pues en los momentos difíciles sabe sonreir y contagiar la sonrisa. “Mi madre es verdad.”
El Capitán nos había dicho que son la memoria y la mirada lo que sustentan la comunidad. Esmeralda nos mostró entonces que el teatro comunitario sólo puede existir fundamentado en la memoria y la mirada.
Viajemos. Octubre de 2018. En una pequeña comunidad de la región chontal baja de Oaxaca, los habitantes se preparan para presenciar una obra de teatro, sin saber exactamente qué puede ser eso de “teatro”. Pero llueve, y el evento tendrá que ser cancelado. No, deciden los madres y padres de familia de la escuela primaria, y llegan al patio de la casa de Esmeralda con lonas, arena para los charcos, más lonas para el suelo y sillas prestadas de la escuela. Y entonces el espacio se va llenando, y hay que traer más sillas, y luego más, hasta que más de 800 personas se amontonan para presenciar quién sabe qué cosa.
Y entonces algo extraordinario sucede. La obra es memoria y es mirada. Es a la vez espejo y largavista. En ella la comunidad se reconoce. Ríe, llora y reflexiona. Mira su cotidianidad, y al mirarla, contextualiza la memoria. Luego la cotidianidad se rompe y hay un feminicidio, un sismo, ecocidio, la búsqueda de una hija que todas y todos lloran. Se estrechan lazos afectivos, se es en colectivo. Y al finalizar la obra, bailan hasta las tres de la madrugada.
Lo recaudado se utiliza para reconstruir la escuela, destruida por el sismo de 2017, ante lo que ninguna institución decidió actuar.
Teatro comunitario es eso, nos dice Esmeralda. No el que viene de fuera una vez al año para llevar “cultura” al pueblo, como si éste no la tuviera; no el que impone una mirada externa que se presume universal e ignora la mirada propia; no el que ignora la memoria, la hace a un lado, la ningunea.
“Pinche chamaca”, le dijo una tía tras la función, “no sabes lo que acabas de hacer. Nos estás haciendo gente”.
Pues la mirada externa, la mirada única, la mirada que todo hegemoniza y homogeniza, nos dice que, para ser “alguien”, es necesario dejar de ser comunidad. Salir, alejarse, olvidar y desaprender la mirada.
La mirada que es espejo y largavista sirve también para sembrar semillas de otros mundos posibles. Hoy el pueblo tiene un encuentro de teatro al que llaman Encuentro Nacional de Teatro El Coyul, que ha presentado cientos de funciones en canchas, parques, mercados, escuelas y demás. Teatro comunitario construido en común. Teatro en el que la comunidad se mira y que le permite también mirar al mundo desde su propio lugar. Y teatro que le permite al mundo mirar no sólo la realidad de esa pequeña parte del todo que es El Coyul, sino también mirarse a sí mismo con una mirada otra.
Paisajes
A través de la experiencia del colectivo “Línea de sombra”, fundado hace 33 años, Jorge Vargas y Eduardo Bernal nos presentaron un panorama compuesto por diez “paisajes” —miradas— que, de alguna forma, contribuyen a responder las dos preguntas que se plantean: ¿Qué cuentas rinde el teatro? ¿Es posible encontrar gestos de vida en contextos de violencia?
Autorretratos en la Ciudad de las Mujeres. No muy lejos de Cartagena de Indias, en Colombia, existe un vecindario con 98 casas autoconstruidas por mujeres desplazadas por la violencia, quienes se organizan con proyectos de educación, salud, justicia y demás. Allí se realizó un taller de “autorretrato. Pero uno de los niños hizo un retrato de la niña que tenía enfrente, y ella de él. Los corrigieron, les explicaron lo que es un autorretrato. Pero los niños objetaron: hacer un autorretrato es imposible porque nadie se puede ver a sí mismo. Es necesaria la mirada de alguien más para saber quiénes somos.
Guardar silencio para sobrevivir. En uno de los países más peligrosos para ejercer el periodismo, el silencio es una forma de sobrevivir. Traer al teatro la palabra de periodistas que comparten memoria y mirada es una forma de revivir la palabra silenciada.
Habitar el espacio de la desolación. Una colaboración de dos años con el periodista Carlos Manuel Juárez, director de Elefante Blanco, y Graciela Pérez, buscadora que encabeza Milynali Red, revela que “buscar en campos de exterminio implica un encuentro con un mal inimaginable.” Pero también que, allí, “en medio del horror, se encuentran las razones que hacen saber que la vida importa”. La búsqueda es también, a pesar de todo, una forma de esperanza.
Yo ya no soy nadie, yo ya no existo. Eso dijo el ex boxeador Mantequilla Nápoles en entrevista a La Jornada en 2019. Inspirados en un cuento de Cortázar, “La noche de Mantequilla”, fueron a Ciudad Juárez a buscarlo. Descubrieron que Mantequilla Nápoles no podía decir mucho, pues sufría de Alzheimer. Y sin embargo, la convivencia superó por mucho el cuento de Cortázar. “Es como una declaración de amor a una ciudad en ruinas”, diría un espectador sobre la resultante obra “Baño Roma”.
Paisaje del éxodo. En 2009 inició el proyecto “Amarillo”, obra que duró 12 años y que vio transcurrir los diferentes momentos del éxodo migrante en ese periodo. Pero el proceso involucró también explorar e incidir en los espacios de tensión entre migrantes, albergues y las comunidades en las que se encuentran. Construyeron así un nicho religioso en Tenosique, un horno de pan en el albergue de Ixtepec, una capilla para despedida de migrantes en Altar, Sonora, y más.
Una bomba de semillas. Una veintena de niñas y niños amasan tierra con semillas en un albergue para migrantes en Tapachula, y con eso construyen bombas de semillas, que arrojan a la tierra removida de lo que será el futuro huerto comunitario, sembrando así vida y esperanza entre la violencia.
Las zonas clausuradas y el mojón de tierra. La última imagen que el público mira es un mojón de tierra y pasto muerto suspendido en el aire, del que penden cientos de hilos con piezas de barro amarradas, bajo las que se puede caminar. “Gracias”, dijo Graciela, que busca a cinco miembros de su familia desaparecidos en agosto de 2012, “porque me permitiste caminar donde se me ha impedido ver”.
Alicia no puede cavar en la tierra. No puede porque su madre fue arrojada al mar. En la obra “Vuelos nocturnos sobre un mar sin fondo”, Alicia cuenta la historia de su madre Alicia y, a través de ella, de la guerra sucia y los infames vuelos de la muerte. “Narrar la vida de mi madre es un acto de gratitud”, dice Alicia, “que corresponde a su atrevimiento por parirme en medio de la guerra”.
Las imágenes y la bruma histórica. Son la contingencia, la imprecisión y la incertidumbre lo que impulsa todos los trabajos de Línea de Sombra. Retazos de experiencias propias y ajenas son lo que les permite “transitar por la bruma histórica en la que hoy se producen las imágenes”.
Ciudad sitiada. En 2008, la Muestra Nacional de Teatro se realizó en Ciudad Juárez, cuando la guerra de Calderón tenía a la ciudad sitiada: ejército y fuerzas federales, tanquetas, retenes, miedo, parálisis. Nadie salía de casa. Y sin embargo, los juarences acudieron masivamente al teatro. El teatro se convirtió, así, en “bálsamo para sanar las heridas de una ciudad sitiada”.
Descolonizar la mirada, resistir la desmemoria
Un acontecimiento, dijo Hernán del Riego, es algo que rompe con lo establecido, que irrumpe y revela algo que antes ni siquiera se podía nombrar. Marca el inicio, dijo, de un “proceso de verdad”. Así lo fue el levantamiento zapatista, así lo es el arte.
Como acontecimiento, el arte es también pensamiento crítico. Pero el pensamiento crítico es con frecuencia eurocentrista. Los pensadores europeos y estadounidenses, dijo, se olvidaron de un pequeñito detalle: el resto del mundo. Es por eso que se vuelve necesario descolonizar el pensamiento crítico.
Colonización y colonialidad no son lo mismo. La colonización fue un evento histórico, la colonialidad permanece. Está en las jerarquías económicas, raciales, culturales y de conocimiento. Está en la mirada. Y está en la desmemoria.
Descolonizarse implica recuperar la capacidad de pensar, nombrar y crear desde el propio territorio. Implica recuperar lenguas, memorias, saberes comunitarios y formas propias de entender el tiempo, la naturaleza y la vida colectiva. Implica mirar al mundo, entendiendo que nuestra humanidad es un pluriverso, no un universo. Implica poner en el centro a la comunidad y no al individuo. Poner en el centro la responsabilidad comunitaria y la interdependencia.
No se trata de idealizar un pasado precolonial, sino de transformar la herida en memoria activa. Y construir futuros propios a partir de esa memoria y esa mirada.
Pero es también abrazar la contradicción. Hay que “recuperar lo que se puede, buscar lo que se tiene, ir a donde se intuye” desde el ser propio… que es colonizado. Una forma de abrazar la contradicción es “estar mepantla”: ese concepto de los primeros pueblos conquistados que significa estar en medio, no ser ni una ni otra cosa. “Digerir el colonialismo”, como diría Silvia Rivera Cusicanqui. Como lo propuso también el movimiento antropofágico de Brasil.
Y hablando de pedagogías descoloniales, se refirió a su proyecto “La bola”: “un cancionero para resistir la desmemoria”. El proyecto consiste en intervenir canciones. Por ejemplo, en Ciudad Juárez, presenció cómo, en tiempos de violencia extrema, un chico fue expulsado de un parque por las mamás. “No tengo nada”, dice una canción de Nina Simone, “¿qué cosa tengo?”. Tengo ese muchacho dentro de mí, se dijo Hernán, tengo su voz, su vida. Así, decide intervenir esa canción de Nina Simone, incorporando incluso a Ayotzinapa.
Y cerró compartiéndonos su intervención del tradicional son jarocho El Balajú:
Si has sido burlado, ven. Si no entiendes nada ya, ven. Si eres un incrédulo, un timado, si te han derrotado sin haber perdido, ven. Si eres un irrespetuoso, preguntón, jodón empedernido, si tú sigues sin creer que fue como dicen que fue y tú sabes que así no, que así no fue, pues. Si tú encuentras a muchos otros, muchas otras, muchas más, muchos otros que como tú saben que saben, ven. Ven aquí y escucha. Ven y quédate. Ven y ayúdame a llegar a la luna, ven y ayúdame a llegar al mar, que ya me anda por llegar.
LISTA DE LOS DESAPARECIDOS Y ASESINADOS DE LAS COMUNIDADES QUE INTEGRAN LA COORDINADORA REGIONAL DE AUTORIDADES COMUNITARIAS CRAC-PC-PF POR PARTE DEL GRUPO DELECTIVO DE LOS ARDILLOS
ALCOZACAN
DESAPARECIDOS
EL 25 FEBRERO DE 2014 EN CHILAPA
GUILLERMO LIMPIA TORRES
LAURO LIMPIA TEPETITLAN
15 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 EN CHILAPA
ALFREDO CUAPANGO VERALES DE 16 AÑOS
EL 25 DE DICIEMBRE DEL 2014 EN CHILAPA
MAURO MIGUELENO JOAQUIN
23 DE ABRIL DEL 2026 EN CHILAPA
FLORENCIO RITA NAVA
CAHUEMUST
ASESINADOS
25 DE NOVIEMBRE DEL 2014 EN LA CARRETERA CHILPANCINGO -CHILAPA
LUCIO MENDOZA PASADO
29 JUNIO DEL 2017 EN CHILAPA
DOMINGO MARCOS TEPETITLAN
23 DE JULIO DEL 2018 EN CHILAPA
JOSE HILARIO TEPETITLAN
12 DE JULIO DEL 2019 EN CHILAPA
FELIPE DE JESUS TOLENTINO
14 DE SEPTIEMBRE DEL 2019 EN TLACHIMALTEPEC
SILVIANO MORALES JOAQUIN
17 DE ENERO DEL 2020 EN TLALYELPA LOS 10 MUSICOS
CRECENCIANO MIGUELEÑO
JUAN JOAQUIN AHUEJOTE
JOSE JULIO FISCALEÑO HILARIO REGINO FISCALEÑO HILARIO
MARCOS FISCALEÑO BALTAZAR ANTONIO MENDOZA TOLENTINO
ISRAEL TEPETITLAN MENDOZA
ISRAEL MENDOZA PASADO
CANDIDO FISCALEÑO HILARIO
FLORENCIO LINAREZ JIMENEZ
19 DE DICIEMBRE DEL 2020 EN LAMANZINTLA
MIGUEL MIGUELENO CHAUTLA
BENITO MIGUELENO CUAPANGO
AGUSTINA CHINO DIAZ
AMELIA MORALES CUAPANGO
24 DE JULIO 2022 EN CHILAPA
NICOLAS PEREZ ZOYATECO
5 DE NOVIEMBRE DEL 2022 SERCA DE CHILAPA
ADAN LINAREZ SILVERIO
MOISES PIPISTECO
27 DE SEPTIEMBRE DEL 2023 EN 2 VISTAS DE SAN JERONIMO
JOSE JUAN HERNANDEZ FISCALEÑO
ALBERTA SANTOS MELCHOR
24 DE ABRIL DEL 2024 EN ATZACUALOYA
GUILLERMO MORALES COYOTECO
19 DE JUO DEL 2024 EN CORRAL DE PIEDRAS
MARIA DE JESUS PASADO MARGARITO
01 DE AGOSTO DEL 2024 ATZACUALOYA
ALBERTO ZOYATECO PEREZ
08 DE DICIEMBRE 2024 EN HUEYCANTENANGO
MARCELINO CHINO MENDOZA
ALCOZAC
02 DE MAYO 2026 EN LA CARRETERA TEOMATLATLAN
DANIEL TOLENTINO PEREZ
VICTORINO LIMPIA CUAPANGO
MUHIC
12 DE MAYO DEL 2026 CERCA DE MELCALTEPEC 1
ABRAHAM JIMENEZ CHAUTLA
EUSEBIO MIGUELEÑO ZOYATECO
MARTIN FLORES MIGUELEÑO
LOS PINOS
ASESINADOS
EL 9 DE JULIO DEL 2019 EN EL CRUCERO DE JAGUEY LO LEVANTARON Y A LOS 5 DIAS EN CORRAL
DE PIEDRAS FUE ENCONTRADO YA SIN VIDA
DAVID DOMINGO ALONZO
AYAHUALTEMPA
ASESINADOS
2 DE JUNIO DEL AÑO 2019 EN HUEYCANTENANGO
EUGENIO MAXIMO HILARIO
EL 9 DE JULIO DEL 2019 EN EL CRUCERO DE JAGUEY LO LEVANTARON Y A LOS 5 DIAS EN CORRAL
DE PIEDRAS FUE ENCONTRADO YA SIN VDA
MARCELINO PEDRO ROJAS REYES
4 DE OCTUBRE DEL 2019 LA CARRETERA DE HUEYCANTENGO
GABINO ROSENDO VILLALVA
01 DE NOVIEMBRE DEL 2019 PUNTO CONOCIDO COCHISTLANTLATEMPAN EN BUENA VISTA DEL
RIO HACIA ARRIBA EN EL CERRO FUE ASESINADO EN MANOS DE LOS ARDILLOS
SAMUEL ROJAS DORANTES
16 DE ENERO DEL 2022 EN HUEYCANTENGO
DELFINA RAMIREZ MORALES
25 DE JULIO DEL AÑO 2022 EN HUEYCANTENANGO
MAXIMO CLAUDIO HILARIO RAMIREZ
9 DE FEBRERO DEL 2023 EN HUEYCANTENGO
PABLO MORALES BOLAÑOS
XOCHITEMPA
DESAPARECIDOS
30 DE MAYO DEL 2019 EN CUATZINGO
RICARDA XOCHITEMPA CHAUTLA
MARTIN SALGADO DE JESUS
11 DE DICIEMBRE DEL 2021 EN DOS VISTAS
FELIPE TLALXINTLE TEPEXCO
ASESINADOS
29 DE ABRIL DEL 2023 EN LAMACINTA
JUAN SALVADOR REYES
12 DE AGOSTO DEL 2023 EN CHILAPA
ESTEBAN XOCHITEMPA TEPEXCO
JUAN XOCHITEMPA MACARIO ACAHUEHUE
13 DE SEPTIEMBRE 2023 EN CHILAPA
BONIFACIO XOCHITEMPA TLALXINTLE
11 DE FEBRERO DEL 2024 EN TLATEMPA FUERON ASESINADOS
MATEO FRANCISCO REYES DE 12 AÑOS DE EDAD
PORFIRIO MORALES XOCHITEMPA DE 11 AÑOS DE EDAD
11 DE MARZO DEL 2024 EN ATZACUALOYA
ISAAC DIEGO SALAZAR
30 DE OCTUBRE DEL 2024 EN CHILAPA
ALFONZO XOCHITEMPA CHAUTLA
ZACAPEXCO
DESAPERECIDO
25 DE ENERO DEL AÑO 2022 EN ATIXTAC
SAMUEL HERNANDEZ SANCHEZ
20 DE ABRIL DE 2023 EN CHILAPA
SANTOS JOSE CRISTINO ANDRACA
ASESINADOS
9 DE JULIO DEL 2019 EN LOS AJOS ENTRADA DE CHILAPA
JUANA HERNANDEZ AMBROCIO
ALBERTA MATIAS RENDON
31 DE OCTUBRE DEL 19 EN HUEYCANTENGO
SANTOS VASQUES ANDRACA
17 DE AGOSTO DEL 2023 EN CRUZERO DE ZOQUIAPAN
MARCELINO HERNANDEZ TECORRAL
ANGEL VILLALVA SALVADOR
NICOLAS RODRIGUEZ DIAZ
5 DE NOVIEMBRE DEL 2024 EN LA CARRETERA TIXTLA-CHILPANCINGO
BENITO JIMENEZ VILLALVA
RINCON DE CHAUTLA
ASESINADOS
7 DE MARZO DEL 2021 EN LA CARRETERA CHILAPA-TLAPA
JORDAN LUNA VIRGENIO
30 DE MAYO DEL 2021 EN ACAPULCO
BERENICE VIRGENIO GERMAN
4 DE ABRIL DEL 2023 EN CHILAPA
LUCIA VIRGENIO GERMAN
ACAHUEHUETLAN
ASESINADOS
7 DE MAYO DEL 2020 EN ATZACUALOYA
LORENZA CHANTZIN POXAWAZINGO
10 DE MAYO DEL 2026 LO MATARON DENTRO DE LA COMUNIDAD
MARCELO CALVARIO HILARIO
NUEVO AMANECER
ASESINADOS
24 DE NOVIEMBRE DEL 2015 EN ATZACUALOYA
ISAAC XOCHITEMPA CHAUTLA
ANGELA CASARUBIA CORTES
ANA ORGIN CASARUBIAS
VICTORIA DIAZ BERNABE
9 DE ENERO DEL 2020 EN CHILAPA EN SU CASA
ANTONIA ORGIN CASARRUBIAS
28 DE NOVIEMBRE DEL 2022 EN EL MONTE DONDE CUIDABAN
PABLO CORTES ORGIN
PEDRO CORTES ORGIN
12 DE ENERO DEL 2023 CERCA DE SAN GERONIMO PALANTLA
Assim se encerrou este extraordinário espaço de reflexão e pensamento crítico, com a força, a potência, a contundência e a feroz ternura de mulheres e outroas que, por meio de seus múltiplos olhares, nos convidaram a enxergar, com corações indignados, a violência de um sistema-mundo que se impõe como único, mas também, com amor e esperança, a multiplicidade das realidades humanas que compõem um mundo de inúmeras e deslumbrantes cores.
Que melhor forma de concluir este semillero, que nos ofereceu uma oportunidade única de compreender não apenas a tragédia que hoje acomete a humanidade e o planeta, neste momento de tanta escuridão, mas também as muitas luzes de esperança que nascem do empenho em criar e proteger a vida a partir de tantos e tão diversos lugares e corações: outros mundos que já existem e que nos permitem continuar, caminhando esperançando em meio à tempestade.
Titze Malambé – “Radiografía do corpo em resistência”
A pele como território e trincheira: guerra, dissidências e corpos descartáveis
Os corpos dissidentes no México não são sujeitos de proteção do Estado, mas territórios de guerra. É o que expõe Titze Malambé ao analisar como a violência contra as dissidências sexo-gênero, as trabalhadoras sexuais e as pessoas trans não constitui um fenômeno isolado da criminalidade comum, mas faz parte de uma estratégia sistemática de militarização, controle e extermínio que caracteriza a atual fase do capitalismo no México.
Com clareza, Malambé afirma: o Estado não protege esses corpos, ele os persegue. A polícia, que deveria garantir segurança, transforma-se em algoz. O sistema de justiça, que deveria investigar os transfeminicídios, os naturaliza e os esquece. O capitalismo, que empurra mulheres pobres, pessoas trans e dissidências para a prostituição, depois as criminaliza por venderem o próprio corpo como último recurso de sobrevivência.
Essa lógica não é nova, mas se aprofundou. Durante o chamado governo da Quarta Transformação, enquanto o governo proclama estar “ao lado dos pobres”, a militarização se intensifica, o crime organizado continua operando sem limites e os corpos dissidentes seguem tombando. Travestis assassinadas em Ecatepec, trabalhadoras sexuais desaparecidas em Iztapalapa e pessoas trans espancadas pela polícia não são exceções. São parte de uma política de Estado.
Malambé conectou os pontos que as autoridades insistem em manter separados: a repressão policial contra as trabalhadoras sexuais, o proxenetismo que atua impunemente, o paramilitarismo que faz desaparecer corpos considerados incômodos e os transfeminicídios executados sob o manto da impunidade. Tudo isso funciona como um único mecanismo de aniquilação territorial.
A pele, afirmou, é território. E esse território está sob ocupação.
Diante dessa realidade, a resposta não pode ser pedir mais proteção a um Estado que mata. Não se pode confiar nas instituições que perpetuam a violência. A saída, sustenta Titze Malambé, é aquela que já vem sendo construída pelas próprias trabalhadoras sexuais, pelas ativistas trans e pelas dissidências: a organização a partir da base, a autonomia, a autodefesa e a construção de redes de cuidado coletivo que o Estado jamais oferecerá.
O chamado final foi direto: dirigido a jornalistas, ativistas, pesquisadores, artistas e a todos aqueles que se dizem comprometidos com o pensamento crítico. Acompanhar essas lutas não é um ato de caridade. É reconhecer que a defesa dos corpos dissidentes é, antes de tudo, a defesa da própria vida contra uma máquina de morte que continua em operação.
Vica Rule – “Potência travesti contra o realismo capitalista: propaganda por uma militância em defesa da vida”
A guerra contra a humanidade também persegue as pessoas trans
A violência contra as pessoas trans no México não é um fato isolado nem uma discussão recente. Ela faz parte de uma guerra permanente contra a vida, sustentada pela impunidade, pelo ódio e pela expropriação.
A partir de sua própria trajetória como sobrevivente de tortura, sequestro e agressões motivadas por sua identidade, Vica Rule afirmou que o sistema capitalista tem buscado despolitizar as lutas da diversidade sexual, enquanto os crimes de ódio continuam a crescer. Lembrou que os transfeminicídios e travesticídios ocorrem há décadas no México e denunciou que muitas dessas violências permanecem invisibilizadas ou são encobertas pelas autoridades.
A memória é uma forma de resistência, insistiu a ativista. Ela recordou a história das primeiras marchas do orgulho como espaços de protesto — e não de celebração comercial — e convocou à desconstrução dos discursos da extrema direita, que transformaram as pessoas trans em alvo de uma nova ofensiva política.
Sua mensagem foi concluída com um chamado para romper com a resignação, exigir justiça para as vítimas da transfobia e manter viva a rebeldia ao lado das demais lutas do povo. “Não podemos renunciar à resistência”, afirmou, porque a defesa da diversidade também faz parte da defesa da humanidade.
Brenda Nava Galindo – “Habitar a fuga, criar outros mundos: o quilombismo como memória, território e resistência antirracista diante do colonialismo”.
O racismo não é apenas discriminação ou preconceito; é uma estrutura histórica de dominação.
Esse foi o ponto de partida da análise de Brenda Nava Galindo. O racismo é uma criação histórica europeia que possibilitou tanto a expansão do colonialismo quanto a acumulação primitiva do capitalismo, por meio de uma classificação hierárquica da humanidade.
“O racismo é uma tecnologia de poder que organiza e hierarquiza quem merece viver com dignidade, quem pode ter acesso a direitos e quem é reduzido a uma condição de inferioridade.”
A raça, que biologicamente não existe, foi criada como categoria pelos colonizadores europeus para justificar a apropriação de territórios e riquezas, bem como a escravização e o extermínio dos povos originários, africanos e afrodescendentes. Essa classificação colocou o europeu — concebido como “branco” — no topo da humanidade, identificada com a “civilização”, enquanto indígenas e africanos foram reduzidos à condição de selvagens, primitivos, irracionais e, evidentemente, inferiores. Na prática, a hierarquia imposta pelo racismo define quem é considerado plenamente humano e quem é privado desse reconhecimento.
Essa concepção hierárquica da humanidade chegou às Américas com a conquista e a colonização europeias, mas não desapareceu com as independências. Ela permaneceu enraizada no imaginário coletivo e continua sendo imposta pela distribuição desigual não apenas do poder, da riqueza e do trabalho, mas também do conhecimento — isto é, pela definição de quais saberes e formas de compreender o mundo são considerados legítimos e quais são desqualificados; de quem é reconhecido como produtor de conhecimento e quem é reduzido à condição de mero “objeto de estudo”. Brenda Nava comparou esse extrativismo epistêmico — a apropriação dos conhecimentos dos povos considerados “inferiores” pelas elites culturais hegemônicas — ao extrativismo de minérios e hidrocarbonetos. Diante disso, a proposta não é rejeitar a ciência nem os conhecimentos de matriz europeia, mas desarticular o monopólio da verdade: promover “um profundo processo de questionamento radical das hierarquias do saber, do poder e do ser herdadas da modernidade colonial e, a partir daí, construir horizontes alter-nativos”.
A ativista também apresentou uma crítica contundente ao que denominou “feminismo branco hegemônico”. Esclareceu que não se refere a todo feminismo surgido na Europa nem a toda feminista branca, mas àquele feminismo que toma a experiência da mulher branca como padrão universal e ignora as profundas diferenças que marcam a vida das mulheres racializadas. Ao fazê-lo, esse feminismo invisibiliza as violências de gênero atravessadas pelo despojo territorial, pela militarização, pelo extrativismo, pelo empobrecimento e pelo racismo.
Por fim, Brenda Nava apresentou o trabalho anticolonial e antirracista do coletivo AFROntera Cimarrona, do qual faz parte. Explicou que o nome do coletivo inspira-se no quilombismo (cimarronaje): a fuga de pessoas escravizadas e a fundação de comunidades autônomas nas quais, em contraposição ao apagamento promovido pela colonialidade, florescia a memória de suas origens, de suas línguas, de suas práticas religiosas e de suas próprias formas de organização social. O quilombismo constituiu, assim, um exemplo vivo da possibilidade de construir outras sociedades, fundamentadas nos saberes e nas formas de compreender o mundo dos povos historicamente inferiorizados pela colonialidade. Em muitos aspectos, concluiu, essa experiência guarda importantes afinidades com o zapatismo.
Argelia Guerrero – “‘Dança para mulheres’… que lutam”
No 8 de março de 2018, em meio à escuridão, mais de duas mil velas foram acesas nas mãos de mulheres zapatistas, que simbolicamente as entregaram às milhares de mulheres de todo o mundo reunidas no primeiro Encontro Internacional de Mulheres que Lutam. “Essa luz é para você”, disseram. “Quando sentir que a luta — ou seja, a vida — está muito dura, acenda-a novamente em seu coração.” “E não fique com ela”, acrescentaram: leve-a às assassinadas, às desaparecidas, às presas, às estupradas, às violentadas de tantas formas, para que essa pequena luz ilumine o futuro.
Neste último dia do Semillero, a dançarina, pesquisadora e ativista Argelia Guerrero nos trouxe essa pequena luz na forma de um ramalhete de mulheres que lutam, ao ritmo dos sete movimentos e do aleluia que compõem o Stabat Mater, de Pergolesi, a música da peça que ela definiu como “uma das mais belas danças criadas pela bailarina e coreógrafa mexicana Gloria Contreras”: Dança para mulheres — à qual acrescentou: que lutam. Uma obra, explicou, dedicada às mães.
Às mães buscadoras, em sua luta incansável por encontrar seus filhos e filhas desaparecidos, carregando a dor indizível da ausência e da incerteza, enquanto enfrentam não apenas a inação e a incompetência do Estado, mas também a criminalização, a perseguição e a desqualificação dirigidas contra elas próprias — expressão evidente da cumplicidade do Estado mexicano com o crime organizado.
Às mulheres trabalhadoras, cuja luta nasce da exploração laboral e de classe, enfrentando as condições precárias impostas pelo capitalismo e defendendo os direitos do trabalho.
Às mães de vítimas de feminicídio e às mulheres sobreviventes da violência machista, que enfrentam a impunidade, a revitimização e o esquecimento — sendo, muitas vezes, elas próprias também assassinadas —, preservando a memória de suas filhas e exigindo justiça.
Às mulheres indígenas, que defendem seus povos, culturas, línguas e territórios, e cuja resistência inspira espaços como a Rotatória das Mulheres que Lutam, onde mulheres mazatecas, otomís, triquis, mazahuas e de outros povos têm se reunido para compartilhar suas histórias e transformar a dor coletiva em verdadeiros “jardins da memória”.
Às defensoras dos territórios, compreendendo o território não apenas como terra, mas também como corpo, memória, identidade, comunidade e espaço de vida.
Às mulheres jovens, que transformam sua rebeldia em organização política e social diante do capitalismo, do patriarcado e de outras formas de opressão.
Às mulheres artistas, que utilizam a música, a dança, o cinema, a fotografia, o bordado e tantas outras formas de expressão para dar visibilidade às lutas, construir memória e fortalecer a resistência coletiva.
O aleluia que encerra a obra, afirmou Argelia Guerrero, simboliza justamente aquela pequena luz que as zapatistas nos entregaram há oito anos. Uma luz guardada coletivamente, que tremula junto às desaparecidas, às assassinadas, às presas, às estupradas, às espancadas e às mulheres assediadas.
“A luta nunca mais foi a mesma desde aquela noite em que as companheiras nos iluminaram com sua luz. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas, naquela noite, nos sentimos menos sozinhas.”
“Como mulheres que somos”
Mulheres e outroas zapatistas encerraram o Semillero “Guerra contra a Humanidade” e convocaram a semear o comum diante de um sistema que busca fazer desaparecer a vida.
Não foi um discurso de despedida. Foi uma conversa de mulher para mulher, de outroa para outroa, de povo para povo, da dor para a esperança.
As mulheres e outroas — bases de apoio, uma miliciana, uma coordenadora de artes e duas integrantes da Comissão Permanente do Governo Autônomo — transformaram a palavra em um abraço coletivo e em um chamado urgente à organização para defender a vida. Representando a voz de milhares de mulheres zapatistas e outroas, Marijose, Mia, Yuli, Remedios, Fernanda, Mareli e Erica compartilharam sua palavra. (Textos completos e áudios abaixo.)
Marijose, recordou a história de exploração suportada por suas avós, bisavós e tataravós. Essa história de exploração e violência, afirmou, continua atingindo sobretudo as mulheres indígenas, pobres e trabalhadoras. “O sistema capitalista busca nos dividir por gênero, raça, religião ou identidade, quando a resposta só pode ser construída em comum.”
A partir de sua experiência como mulher trans zapatista, Mía compartilhou que foi no comum que encontrou autonomia, respeito, liberdade e uma família. “A dor de vocês é a nossa dor; a raiva de vocês é a nossa raiva”, afirmou, dirigindo-se a todas as dissidências que sofreram e seguem sofrendo as diversas violências do sistema. O inimigo não são as diferenças entre os povos, mas um sistema que alimenta a discriminação e a expropriação.
As vozes de Yuli, Remedios, Fernanda, Mareli y Erica foram tecendo uma mesma mensagem. Manifestaram sua solidariedade às mães buscadoras: “Sentimos sua dor e sua raiva, e reconhecemos a luta de mães, pais, irmãos e irmãs, homens e mulheres.” Falaram sobre a juventude recrutada pelo crime organizado, sobre a violência contra mulheres e meninas, sobre o saqueio dos territórios e da Mãe Terra. Mas, acima de tudo, falaram da organização como o único caminho possível:
O capitalismo é cruel, desumano e criminoso. Nasceu para o mal e pelo mal morrerá.
Esclareceram que não convocam à guerra, mas à construção da justiça, da liberdade e da democracia desde baixo, sem esperar que a mudança venha daqueles que governam em benefício de seus próprios interesses.
A mensagem foi clara e expressa com a convicção de quem a semeou na terra que defende: “Há apenas um caminho, e esse caminho é o comum.”
Com essa certeza, as mulheres zapatistas encerraram o Semillero voltando seu olhar para o futuro.
Nós, mulheres zapatistas, por sermos mulheres, acreditamos nessa transformação. Em Chiapas, em algum lugar do mundo, o comum já nasceu.
Cerró así este extraordinario espacio de reflexión y pensamiento crítico con la fuerza, la potencia, la contundencia y la fiera ternura de mujeres y otroas, que con sus múltiples miradas nos invitaron a mirar con corazones indignados la violencia de un sistema mundo que se impone como único, pero también con amor y esperanza la multiplicidad de las realidades humanas que componen un mundo de muchos y deslumbrantes colores.
Qué mejor manera de cerrar este semillero que nos ofreció una oportunidad única de entender no sólo la tragedia que nos acomete como humanidad y como planeta en este momento de tanta oscuridad, sino también las muchas luces de esperanza nacidas del empeño por crear y proteger la vida desde tantos y tan diversos lugares y corazones: mundos otros que ya existen y que nos permiten esperanzar caminando en medio de la tormenta.
Titze Malambé – “Radiografía del cuerpo en resistencia”
La piel como territorio y trinchera: guerra, disidencias y cuerpos descartables
Los cuerpos disidentes en México no son sujetos de protección estatal, sino territorios de guerra. Así lo expone Titze Malambe al analizar cómo la violencia contra las disidencias sexogenéricas, las trabajadoras sexuales y las personas trans no es un fenómeno aislado de la criminalidad común, sino parte de una estrategia sistemática de militarización, control y exterminio que caracteriza la fase actual del capitalismo en México.
Con claridad Malambé afirma: el Estado no protege estos cuerpos, los persigue. La policía que debería garantizar seguridad se convierte en verdugo. El sistema de justicia que debería investigar transfeminicidios los normaliza y olvida. El capitalismo que expulsa a las mujeres pobres, a las trans, a las disidencias, hacia la prostitución, luego las criminaliza por vender su cuerpo como último recurso de supervivencia.
Esta lógica no es nueva, pero se ha profundizado. Durante la llamada Cuarta Transformación, mientras el gobierno proclama que “está del lado de los pobres”, la militarización se intensifica, el crimen organizado sigue operando sin límites y los cuerpos disidentes siguen cayendo. Travestis asesinadas en Ecatepec, trabajadoras sexuales desaparecidas en Iztapalapa, personas trans golpeadas por la policía no son excepciones. Son política de Estado.
Malambé conectó los puntos que las autoridades mantienen separados: la represión policial contra trabajadoras sexuales, el proxenetismo que actúa sin castigo, el paramilitarismo que desaparece cuerpos incómodos, los transfeminicidios ejecutados impunemente. Todo funciona como un único mecanismo de aniquilación territorial.
La piel, dijo, es territorio. Y ese territorio está bajo ocupación.
Frente a esta realidad, la respuesta no puede ser pedir más protección a un Estado que mata. No se puede confiar en las instituciones que perpetúan la violencia. La salida, plantea Titze Malambé, es la que ya construyen las propias trabajadoras sexuales, las activistas trans, las disidencias: la organización desde abajo, la autonomía, la autodefensa, la construcción de redes de cuidado colectivo que el Estado nunca ofrecerá.
El llamado final fue directo: a periodistas, activistas, académicos, artistas, todos los que dicen pensar críticamente. Acompañar estas luchas no es un acto de caridad. Es reconocer que la defensa de los cuerpos disidentes es la defensa de la vida misma contra una máquina de muerte que sigue operando.
Vica Rule – “Potencia travesti contra realismo capitalista. Propaganda para una militancia a favor de la vida”
La guerra contra la humanidad también persigue a las personas trans
La violencia contra las personas trans en México no es un hecho aislado ni una discusión reciente. Es parte de una guerra permanente contra la vida que se sostiene en la impunidad, el odio y el despojo.
Desde su propia historia como sobreviviente de tortura, secuestro y agresiones por su identidad, Vica Rule sostuvo que el sistema capitalista ha intentado despolitizar las luchas de la diversidad sexual mientras los crímenes de odio continúan creciendo. Recordó que los transfeminicidios y travesticidios llevan décadas ocurriendo en México y denunció que muchas de estas violencias permanecen invisibilizadas o son maquilladas por las autoridades.
La memoria es una forma de resistencia, insistió la activista. Recordó la historia de las primeras marchas del orgullo como espacios de protesta y no de celebración comercial, y llamó a desmontar los discursos de la ultraderecha que han colocado a las personas trans como blanco de una nueva ofensiva política.
Su mensaje concluyó con un llamado a romper la resignación, exigir justicia para las víctimas de la transfobia y mantener la rebeldía junto a las demás luchas del pueblo. “No podemos renunciar a la resistencia”, afirmó, porque la defensa de la diversidad también forma parte de la defensa de la humanidad.
Brenda Nava Galindo – “Habitar la fuga, crear otros mundos: el cimarronaje como memoria, territorio y resistencia antirracista frente al colonialismo”.
El racismo no es sólo discriminación o prejuicio; es una estructura histórica de dominación.
Ese fue el punto de partida del análisis de Brenda Nava Galindo. El racismo es una creación histórica europea que permitió tanto la expansión del colonialismo como la acumulación originaria del capitalismo, por medio de una clasificación jerárquica de la humanidad.
“El racismo es una tecnología del poder que organiza y jerarquiza quién merece vivir con dignidad, quién puede acceder a derechos y quién es reducido a una condición de inferioridad.”
La raza, que biológicamente no existe, fue creada como categoría por los colonizadores europeos para justificar la apropiación de los territorios y riquezas y la esclavitud y exterminio de las poblaciones originarias, africanas y afrodescendientes. Esta clasificación colocó a lo europeo —concebido como “blanco”— en la cúspide de la humanidad —la “civilización”—, mientras lo indígena y lo africano se redujeron a la categoría de salvaje, primitivo, irracional y, desde luego, inferior. En efecto, la jerarquía impuesta por el racismo define en la práctica quiénes son considerados humanos en el pleno sentido de la palabra, y quiénes no.
Esta concepción jerárquica de la humanidad llegó a América con la conquista y colonización europeas, pero no desapareció con las independencias. Quedó enraizada en el imaginario colectivo y ha sido impuesta con violencia por la distribución desigual no sólo del poder, de la riqueza y del trabajo, sino también del conocimiento; o sea, qué conocimientos y formas de entender el mundo son válidos y cuáles no. Quiénes son capaces de producir conocimiento y quienes son apenas “objetos de estudio”. Compara así el “extractivismo epistémico” (la apropiación de conocimientos de los pueblos considerados “inferiores” por parte de las élites culturales hegemónicas) al extractivismo de minerales o hidrocarburos. Ante eso, la propuesta no es rechazar la ciencia ni el conocimiento de matriz europea, sino “desarticular el monopolio de la verdad”: “un proceso profundo de cuestionamiento radical de las jerarquías del saber, poder y ser que heredamos de la modernidad colonial y, después, la construcción de horizontes alter-nativos”.
La activista también hizo una crítica contundente a lo que llamó el “feminismo blanco hegemónico”. Aclaró que no se refiere con esto a todo feminismo que surge en Europa ni a toda feminista “blanca”, sino a aquel feminismo que concibe a la mujer “blanca” como patrón universal e ignora las profundas diferencias entre sus experiencias y las de las mujeres racializadas. Esto porque, al hacerlo, ese “feminismo blanco” invisibiliza las violencias de género atravesadas también por el despojo territorial, la militarización, el extractivismo, el empobrecimiento y la discriminación racial.
Finalmente, describió el trabajo anticolonial y antirracista de la colectiva AFROntera Cimarrona, del cual es parte. El nombre de la colectiva, explicó, se inspira en el cimarronaje: la fuga de esclavizados y la fundación de comunidades autónomas en las que, a contrapelo del borramiento ejercido por la colonialidad, florecía “la memoria de sus orígenes, de sus lenguas, de sus prácticas religiosas y de sus propias estructuras sociales”. El cimarronaje fue, así, ejemplo vivo de las alter-nativas posibles de sociedades otras fundamentadas en los saberes y formas de entender el mundo de los pueblos inferiorizados por la colonialidad. Algo que, en muchos sentidos, dijo, tiene semejanzas con el zapatismo.
Argelia Guerrero – “‘Danza para mujeres’… que luchan”
El 8 de marzo de 2018, en medio de la oscuridad, más de dos mil velas se prendieron en las manos de mujeres zapatistas, quienes simbólicamente se las entregaron a los varios miles de mujeres de todo el mundo reunidas en ese primer Encuentro de Mujeres que Luchan. “Esa luz es para ti”, dijeron. “Cuando sientas que es muy dura la lucha, o sea, la vida, préndela de nuevo en tu corazón”. “Y no la quedes”, añadieron: llévala a las asesinadas, las desaparecidas, las presas, las violadas, las violentadas de tantas formas, para que esa lucecita ilumine el futuro.
Este último día del Semillero, la bailarina, investigadora y activista Argelia Guerrero nos trajo esa lucecita en la forma de un ramillete de mujeres que luchan, al ritmo de los siete movimientos y la aleluya que componen el Stabat Mater de Pergolesi, la música de “una de las danzas más bellas creadas por la bailarina y coreógrafa mexicana Gloria Contreras”: Danza para mujeres, a lo que Guerrero añadió: que luchan. Una obra, explicó, dedicada a las madres.
Madres buscadoras, en su incansable lucha en busca de sus hijos e hijas desaparecidas, cargando el dolor indecible de la ausencia y la incertidumbre y enfrentando no sólo la inacción e ineptitud del Estado, sino la criminalización, persecución y denigración de las propias madres, reflejo clarísimo de la complicidad del gobierno mexicano con el crimen organizado.
Mujeres trabajadoras, cuya lucha nace de la explotación laboral y de clase, enfrentando condiciones precarias impuestas por el capitalismo y defendiendo derechos laborales.
Madres de víctimas de feminicidio y mujeres víctimas de la violencia machista, quienes combaten la impunidad, la revictimización y el olvido —siendo no pocas veces, ellas mismas, también asesinadas—, reivindicando la memoria de sus hijas y exigiendo justicia.
Mujeres indígenas, que defienden sus pueblos, culturas, lenguas y territorios, y cuya resistencia inspira espacios como la Glorieta de las Mujeres que Luchan, en donde se han reunido mujeres mazatecas, otomíes, triquis, mazahuas y otras para compartir sus historias, y donde se transforma el dolor colectivo en “jardines de memoria”.
Defensoras del territorio, entendiendo el territorio no solo como tierra, sino también como cuerpo, memoria, identidad, comunidad y espacios de vida.
Mujeres jóvenes, que transforman su rebeldía en organización política y social frente al capitalismo, el patriarcado y otras formas de opresión.
Mujeres artistas, que utilizan la música, la danza, el cine, la fotografía, el bordado y otras expresiones para visibilizar las luchas, construir memoria y fortalecer la resistencia colectiva.
El aleluya con que concluye la pieza, dijo Guerrero, simboliza esa lucecita que las zapatistas nos entregaron hace ocho años. Una luz que se custodia en colectivo, que titila con las desaparecidas, las asesinadas, las presas, las violadas, las golpeadas, las acosadas.
“La lucha no volvió a ser igual desde aquella noche que nos iluminaron con su luz, compañeras. Falta mucho por caminar, pero aquella noche nos sentimos menos solas.”
“Como mujeres que somos”
Mujeres y otroas zapatistas hicieron uso de la palabra para clausurar el semillero “Guerra contra la humanidad” y llamaron a sembrar el común frente a un sistema que quiere desaparecer la vida.
Este no fue un discurso de despedida. Fue una conversación de mujer a mujer, de otroa a otroa, de pueblo a pueblo, de dolor a esperanza.
Las mujeres y otroas —bases de apoyo, una miliciana, una coordinadora de artes, dos miembras de la Comisión Permanente del Gobierno Autónomo— hicieron de la palabra un abrazo colectivo y un llamado urgente a organizarse para defender la vida. Representando la voz de miles de mujeres zapatistas y otroas, Marijose, Mia, Yuli, Remedios, Fernanda, Mareli, Erica, hicieron uso de su palabra. (Textos completos y audios abajo)
Marijose, recordó la historia de explotación que han cargado las abuelas, bisabuelas y tatarabuelas. Esta historia de explotación y violencia, dijo, continúa golpeando sobre todo a las mujeres indígenas, pobres y trabajadoras. “El sistema capitalista busca dividirnos por género, raza, religión o identidad, cuando la respuesta sólo puede construirse en común.”
Desde su experiencia como mujer trans zapatista, Mía compartió que en el común encontró autonomía, respeto, libertad y una familia. “Su dolor es nuestro dolor, su rabia nuestra rabia”, expresó, dirigiéndose a todas las disidencias que han sufrido y sufren las distintas violencias del sistema. El enemigo no son las diferencias entre los pueblos, sino un sistema que alimenta la discriminación y el despojo.
Las voces de Yuli, Remedios, Fernanda, Mareli y Erica fueron tejiendo un mismo mensaje. Mostraron su solidaridad a las madres buscadoras —”sentimos su dolor y su rabia, y reconocemos cómo luchan madres, padres, hermanos y hermanas, hombres y mujeres”—. Hablaron sobre las juventudes reclutadas por el crimen organizado, la violencia contra mujeres y niñas, el saqueo de los territorios y de la Madre Tierra. Pero, sobre todo, hablaron de la organización como el único camino posible:
El capitalismo es cruel, inhumano y criminal. Nació para el mal y por el mal morirá.
Aclararon que no convocan a la guerra, sino a construir justicia, libertad y democracia desde abajo, sin esperar que el cambio llegue de quienes gobiernan para sus propios intereses.
El mensaje es claro y fue proyectado con una certeza sembrada en la tierra que defienden: “Sólo hay un camino y ese camino es el común”.
Con esa convicción, las mujeres zapatistas concluyeron el Semillero mirando hacia el futuro.
Nosotras, las mujeres zapatistas, como mujeres que somos, creemos en este cambio. En Chiapas, en algún lugar del mundo, ya nació el común.
Buenas noches. Yo, como ustedes, también más bien estoy muy deseosa de escuchar a las compañeras, pero bueno, aquí estamos y también espero que la palabra abone y siembre. Imaginen primero las tres cuartillas que, como decía Iván, podía dar de agradecimientos, y me los voy a ahorrar para ahorrar tiempo.
Mi ponencia se llama Danza para mujeres que luchan. Está dedicada a las compañeras de la Red Universitaria Anticapitalista, porque nadie reflexionamos solas, y a mi madre.
Presento estas reflexiones y veo la necesidad de reconocer el trabajo colectivo y la difusión de la lucha de como mujeres que somos, a las compañeras de Mujeres y la Sexta. Ellas han sido un pilar fundamental para la organización de mujeres que nos reivindicamos de abajo y a la izquierda. Ellas siempre con la agenda de las mujeres presente y siempre con la reflexión sobre qué caracteriza a las mujeres que luchamos desde abajo y desde la izquierda anticapitalista. Sin ellas, ese paso sería bastante más lento y autocomplaciente.
Quiero también traer a la mesa el nombre colectivo de las compañeras Mazatecas por la Libertad, quienes han sostenido una lucha de muchos años por la libertad de los presos en Eloxochitlán de Flores Magón y que, a la par, defienden el territorio, se organizan con mujeres de otros espacios, otras geografías, generaciones y orígenes, y todavía dejan espacio para la solidaridad con otras luchas y con sus mujeres, como es el caso de las compañeras zapatistas. Abrazo fuerte y amoroso para las compañeras mazatecas.
Por último, pero también a modo de inicio, quiero reconocer y saludar a las compañeras de la Glorieta de las Mujeres que Luchan, por su necedad, por su tenacidad, por su digna rabia y por esa terrible pero maravillosa experiencia de llevar el dolor en colectivo y transformarlo en jardines de memoria, espacios de encuentros, foros de reflexión, áreas de conciertos, salas para la danza, el teatro, la poesía, el cine.
23 de julho de 2026 Cideci / Universidad de la Tierra, Chiapas
Neste quarto dia do Semillero “Guerra contra a Humanidade” (As populações e a natureza sob cerco), o Capitão Marcos informou que, até o dia anterior, havia 686 participantes de 28 geografias, além de mais de 200 zapatistas.
Ao longo da jornada, foram compartilhadas reflexões profundas e contundentes sobre migração, as diversas formas da guerra, a busca por pessoas desaparecidas e as corporações criminosas, tudo isso inserido na luta pela vida e na construção de alternativas.
A seguir, apresentamos um resumo das exposições, bem como os áudios e os links para os textos completos.
Bruno Miranda – “Olhares críticos sobre as migrações e as fronteiras”
As fronteiras não impedem a migração; elas produzem a ilegalidade.
Neste quarto dia do Semillero “Guerra contra a Humanidade”, o pesquisador Bruno Miranda propôs compreender o fenômeno migratório por outro ângulo: não foram as migrações que deram origem às fronteiras, mas sim as fronteiras e os Estados que produziram a figura do migrante. Nessa perspectiva, migrar deixa de ser um fato natural e passa a ser uma condição política construída pelo Estado e pelo capitalismo.
Durante sua apresentação “Olhares críticos sobre as migrações e as fronteiras”, Miranda propôs desnaturalizar tanto a migração quanto as fronteiras. Explicou que a mobilidade humana sempre existiu, mas a categoria de “migrante” surge com os Estados nacionais, capazes de definir quem pertence a um território e quem dele é excluído. Assim, as fronteiras não apenas delimitam países: elas classificam pessoas, autorizam determinadas mobilidades e criminalizam outras.
Segundo o pesquisador, as migrações foram fundamentais para a construção do capitalismo moderno. Cidades, ferrovias, agricultura e industrialização nas Américas foram erguidas pelo trabalho de milhões de migrantes. Entretanto, essa mesma força de trabalho indispensável à economia é posteriormente ilegalizada por políticas que transformam em “ilegais” pessoas antes aceitas quando o mercado precisava delas.
Nesse contexto, explicou que a chamada crise migratória funciona muitas vezes como um discurso político que justifica o endurecimento das políticas de controle. Sob essa lógica, fortalece-se a securitização das fronteiras: muros, vigilância militar, drones, sistemas biométricos e uma crescente cooperação entre instituições policiais e migratórias que tratam a mobilidade humana como ameaça à segurança nacional.
Miranda afirmou que essas políticas não buscam impedir totalmente a migração, mas administrá-la por meio de estratégias de dissuasão, obrigando as pessoas a percorrer rotas cada vez mais perigosas ou permanecer meses — e até anos — aguardando uma decisão migratória. Esse modelo também alimenta uma crescente indústria migratória, na qual centros privados de detenção obtêm lucros milionários com o encarceramento de migrantes.
Para quem consegue atravessar a fronteira, a violência não termina. Segundo Miranda, opera-se uma inclusão diferencial: os migrantes são incorporados ao mercado de trabalho porque sua mão de obra é necessária, mas continuam excluídos do pleno acesso a direitos e à cidadania. A fronteira deixa, assim, de ser apenas uma linha geográfica para tornar-se um mecanismo cotidiano de vigilância, medo e incerteza — o que ele definiu como internalização das fronteiras.
A isso somam-se práticas como o perfilamento racial, que considera suspeitas determinadas pessoas por sua aparência, e as deportações externalizadas, por meio das quais governos transferem migrantes para terceiros países, ampliando o controle migratório muito além de suas próprias fronteiras.
Longe de apresentar os migrantes apenas como vítimas, Bruno Miranda destacou que eles também constroem formas coletivas de resistência. As caravanas migrantes, afirmou, representam estratégias de cuidado mútuo, organização e defesa diante de uma ordem fronteiriça que busca administrar indivíduos, mas encontra na ação coletiva uma disputa permanente pelo direito de buscar uma vida digna.
Miranda nos convida, assim, a compreender a migração a partir de uma perspectiva crítica: reconhecer que, por trás de cada fronteira, existem decisões políticas, interesses econômicos e relações de poder que continuam determinando quem pode circular livremente e quem precisa arriscar a própria vida para fazê-lo. Mas também entender que a migração revela a resistência daqueles que insistem em buscar um lugar digno em um mundo marcado pelo despojo e pela exclusão.
David Barrios – “O fim das guerras e as lutas pelo futuro”
As guerras de hoje buscam controlar a vida e os territórios.
David Barrios afirmou que a militarização já não responde apenas a conflitos entre Estados, mas constitui uma estratégia para reorganizar territórios, apropriar-se dos bens naturais e disciplinar as populações. Diante desse cenário, defendeu o fortalecimento da organização comunitária e da defesa da Mãe Terra.
Em sua apresentação “O fim das guerras e as lutas pelo futuro”, explicou que as guerras contemporâneas deixaram de ser apenas confrontos militares para tornar-se uma ofensiva permanente destinada a controlar territórios, garantir o acesso aos bens naturais e reorganizar a vida dos povos em benefício do capital.
Barrios destacou que a militarização atual ultrapassa o âmbito estritamente militar, manifestando-se por meio da expansão de bases, operações de segurança, políticas de controle territorial, criminalização de populações e fortalecimento dos mecanismos de vigilância, que acompanham os processos de despojo em diferentes regiões do mundo.
Segundo ele, as disputas geopolíticas entre grandes potências também refletem uma crescente competição por minerais estratégicos, água, energia e outros recursos essenciais tanto para o desenvolvimento tecnológico quanto para a indústria militar. Nesse contexto, os territórios habitados pelos povos tornam-se espaços permanentes de disputa.
O pesquisador advertiu ainda que a chamada “guerra às drogas” serviu, em diversos países da América Latina, como justificativa para aprofundar processos de militarização e controle social. Em sua avaliação, essas estratégias não reduziram a violência, mas favoreceram a fragmentação dos territórios e a expansão de grupos armados que disputam recursos, rotas comerciais e atividades econômicas muito além do tráfico de drogas.
Também chamou atenção para o crescimento contínuo dos gastos militares em escala global, o desenvolvimento de novas tecnologias de guerra — como inteligência artificial e drones — e a ampliação da presença militar dos Estados Unidos em diversas regiões do continente, fatores que apontam para conflitos cada vez mais prolongados e complexos.
Apesar desse panorama, Barrios rejeitou a ideia de que o futuro esteja condenado à guerra. Destacou que as resistências construídas por povos, comunidades e movimentos sociais continuam demonstrando que existem alternativas ao despojo e à militarização.
“A luta pela Mãe Terra é também a luta pelo futuro”, afirmou, defendendo o fortalecimento da organização coletiva, da autonomia e da defesa da vida como resposta a uma época marcada pela violência e pela disputa pelos territórios.
Andrea Horcasitas Martínez – “Diante do horror: a busca e a promessa do reencontro”
A pesquisadora e ativista Andrea Horcasitas Martínez refletiu sobre o desaparecimento de pessoas no México como uma das expressões mais cruéis da guerra contra a humanidade. Agradeceu ao movimento zapatista por abrir um espaço de diálogo e destacou que sua análise nasce do aprendizado compartilhado com as famílias buscadoras. Sua exposição organizou-se em três eixos: o diagnóstico da crise, a disputa em torno dos números e a esperança construída pela busca coletiva.
Afirmou que o desaparecimento forçado não é um fenômeno novo nem exclusivo do México, mas que, desde o início da chamada guerra às drogas, o país atingiu níveis de violência sem precedentes na América Latina. Mais de 135 mil pessoas desaparecidas, milhares de valas clandestinas e dezenas de milhares de corpos sem identificação revelam uma crise que vai muito além das estatísticas.
Segundo a autora, o desaparecimento tornou-se uma tecnologia de guerra vinculada ao despojo territorial, ao deslocamento forçado, ao recrutamento compulsório e à acumulação de riqueza por meio da violência. As valas clandestinas transformaram a relação das comunidades com seus territórios, pois deixaram de existir apenas em locais remotos e passaram a aparecer também em cidades, escolas, parques e espaços cotidianos.
Na segunda parte de sua fala, denunciou o que chama de “guerra contra os números”: o esforço do Estado para minimizar a dimensão da tragédia por meio da manipulação estatística e de discursos que desumanizam as vítimas. Criticou a redução do problema a percentuais e categorias administrativas enquanto persistem a impunidade, a criminalização das pessoas desaparecidas e a ausência de investigações eficazes.
Por fim, contrapôs a essa política de esquecimento a resistência das famílias buscadoras. São mães, pais, irmãs, irmãos e filhos que, diante da ausência de respostas oficiais, organizam buscas, escavam a terra e constroem redes de solidariedade para encontrar seus entes queridos e todas as pessoas desaparecidas. A busca deixa de ser um ato individual e transforma-se em uma causa coletiva baseada na memória, na dignidade e na defesa da vida. Para Andrea Horcasitas, a esperança não consiste em negar o horror, mas na capacidade das famílias de transformar a dor em organização, solidariedade e resistência.
Raúl Romero – “Corporações criminosas e as lutas pela Vida”
Em sua apresentação “Corporações criminosas e as lutas pela vida”, Raúl Romero argumentou que a violência vivida no México não pode ser compreendida apenas como um problema de narcotráfico ou de insegurança, mas como expressão de um capitalismo criminoso que utiliza a guerra, o despojo e a violência para favorecer processos de acumulação de riqueza.
A partir de sua experiência junto a organizações sociais, famílias buscadoras e vítimas da violência, afirmou que a guerra iniciada em 2006 fortaleceu as organizações criminosas em vez de enfraquecê-las, deixando como saldo mais de 135 mil pessoas desaparecidas, centenas de milhares de assassinatos e deslocamentos forçados.
Romero sustenta que o crime organizado integra uma estrutura transnacional formada por atores legais e ilegais — banqueiros, empresários, políticos, forças de segurança, fabricantes de armas e grupos criminosos. Essas redes, que denomina corporações criminosas, funcionam como empresas globais diversificadas, atuando no tráfico de pessoas, armas e recursos naturais, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e cibernéticos, entre outras atividades.
O autor apresenta ainda o conceito de estatalidade criminosa, segundo o qual o Estado mexicano não fracassou, mas foi reconfigurado para responder às necessidades do capitalismo criminoso e do capitalismo extrativista. Nesse contexto, a fronteira entre o legal e o ilegal torna-se difusa quando instituições e governos colaboram com essas redes, garantindo impunidade e facilitando o despojo territorial associado aos megaprojetos. Para Romero, a militarização não representa uma solução; ao contrário, conviveu e alimentou a expansão do crime organizado.
Como contraponto, destacou as lutas pela vida, protagonizadas por povos indígenas e camponeses que defendem seus territórios, famílias buscadoras, organizações de direitos humanos, caravanas migrantes, coletivos juvenis e diversas iniciativas comunitárias que colocam a vida, a solidariedade e o bem comum no centro de sua ação política.
Segundo Romero, essas resistências representam uma alternativa ética e política ao capitalismo criminoso, apostando na organização coletiva, na memória, na arte, na cultura e na defesa dos territórios como caminhos para construir um mundo em que a vida prevaleça sobre a lógica do despojo, da acumulação e da morte.
Subcomandante Insurgente Moisés – Mensagem às famílias buscadoras
Falando em nome do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena do EZLN, o Subcomandante Insurgente Moisés dirigiu uma mensagem às famílias buscadoras, expressando a solidariedade zapatista e reconhecendo sua luta como exemplo de dignidade, resistência e esperança.
Afirmou que os zapatistas se identificam com sua experiência porque, como povos originários, também foram historicamente invisibilizados e excluídos pelo sistema capitalista. Por isso, consideram as pessoas desaparecidas parte de sua própria família e compartilham a dor de quem as procura.
Anunciou que o EZLN decidiu aproximar-se das famílias buscadoras, reunir-se com elas na Cidade do México e, sobretudo, escutá-las, reconhecendo o valor de sua experiência e de sua luta.
Enquanto persistirem os desaparecimentos, a violência e a injustiça, afirmou, o México continuará distante do país que desejam construir. Somente por meio da organização coletiva, da luta e do trabalho conjunto será possível construir um país verdadeiramente justo e digno.
Por fim, fez um chamado aos povos do campo e da cidade para que se unam e se organizem, lembrando que ninguém resolverá esses problemas em seu lugar. A responsabilidade de transformar o presente cabe à sociedade civil organizada; somente assim será possível deixar um futuro melhor para as próximas gerações.
Ao encerrar o quarto dia do Semillero, o Capitão Marcos agradeceu às pessoas participantes por suas contribuições e refletiu sobre o impacto das exposições no público zapatista. Longe de apenas confirmar conhecimentos prévios, afirmou que as apresentações revelaram aspectos da realidade que ele próprio desconhecia e que enriquecem a análise zapatista sobre a crise atual.
Destacou a importância de articular diferentes formas de conhecimento — a experiência das comunidades, o trabalho científico, a pesquisa e a prática política — compreendendo que todas podem conduzir a conclusões comuns por caminhos distintos.
Também agradeceu o esforço das e dos palestrantes, que custearam suas próprias viagens e compartilharam generosamente seus conhecimentos com um público formado por ouvintes zapatistas, militantes, integrantes de organizações da sociedade civil, ativistas, pessoas solidárias e muitos outros.
Segundo o Capitão, as intervenções realizadas até o momento constituem um verdadeiro semillero de ideias e aprendizagens para o zapatismo. Concluiu agradecendo tanto aos que já participaram quanto aos que ainda participariam, expressando o desejo de que o encontro fortaleça a reflexão coletiva e que os aprendizados adquiridos sejam levados aos lugares de origem de cada participante, contribuindo para a construção de novas formas de organização e resistência.