México
Habitar la fuga, crear otros mundos: el cimarronaje como memoria, territorio y resistencia antirracista frente al colonialismo
Por Brenda Nava Galindo
Semillero Guerra contra la Humanidad (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)
24 de julio de 2026
Primero quiero agradecer a todas las compañeras, compañeros, compañeroas zapatistas; también a las niñas, niñes y niños zapatistas, por abrirme su territorio, su corazón y su escucha, no solo hoy, sino desde siempre; por encaminarme con una frase que, así como voy a iniciar esta participación, voy a cerrar, que fue una semilla que sigue siendo una semilla, y la frase que más me marcó y me ha marcado, y seguramente me acompañará el resto de lo que queda de vida, es: “Somos del color de la tierra“.
Primero quisiera hacer algunas consideraciones importantes. Sé que la teoría, sé que los conceptos pueden llegar a ser muy agotadores, pero me gustaría mucho partir de eso para poder después hablarles un poco de mí, de nuestro colectivo y de nuestra lucha.
Creo que el racismo con frecuencia se ha reducido a una interpretación como una discriminación o a expresiones de prejuicio por el color de la piel. También se refieren a él como un remanente del pasado o como una cuestión de intolerancia hacia la diferencia del otro, de manera individualizada. Sin embargo, comprender su persistencia y profundidad estructural exige ir más allá del prejuicio de esos individuos.
El racismo es una estructura histórica de dominación que hizo posible la expansión del colonialismo europeo, la acumulación originaria del capitalismo y la clasificación jerárquica de la humanidad. El racismo es una tecnología del poder que organiza y jerarquiza quién merece vivir con dignidad, quién puede acceder a derechos y quién es reducido a una condición de inferioridad. Y esto no es un accidente de la modernidad; tampoco es una consecuencia: es, en sí mismo, uno de sus pilares fundacionales.
(Continuar leyendo…)Dia 5, sessão 1, do Encontro “Guerra contra a Humanidade”(As populações e a natureza e a natureza sob cerco)
Dia 5, sessão 1, do
Semillero “Guerra contra la Humanidad”
(Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)
24 de julio de 2026
Cideci / Universidad de la Tierra, Chiapas
Neste quinto dia do Seminário “Guerra contra a Humanidade” (As populações e a natureza sob cerco), com o objetivo de facilitar o retorno das pessoas que vieram de outras regiões, decidiu-se alterar a programação e antecipar para a segunda sessão do dia as apresentações sobre as diferenças, que estavam previstas para o sexto e último dia.
Apresentamos aqui a primeira sessão, na qual se discutiu, de um lado, a exclusão, a extração e a expropriação, bem como as formas de resistência que surgem nas cidades; e, de outro, o ecofeminismo e suas ações diante tanto das violências de gênero quanto das agressões contra a Mãe Terra e os territórios.
Antes do início das apresentações, o Subcomandante Moisés fez um esclarecimento sobre o Encontro de Resistências e Rebeldias, o Encontro de Artes e a comemoração do aniversário do levante zapatista, que, conforme anunciado no início do Seminário, serão realizados durante todo o mês de dezembro na Cidade do México. Explicou que a logística e os demais aspectos organizacionais ainda estão sendo definidos e que, no momento oportuno, serão compartilhados mais detalhes. Ressaltou, porém, que o que não está em discussão é que os zapatistas estarão presentes e que os encontros acontecerão na Cidade do México, conforme anunciado.
A seguir, apresentamos um resumo das duas palestras da primeira sessão deste último dia do Seminário, juntamente com os áudios e os links para os textos completos.
Vicente Moctezuma Mendoza – “Extração, expropriação, exclusão e resistências na cidade”
A cidade como campo de guerra, onde o capital reorganiza o território, concentra a riqueza e expulsa quem a habita.
O pesquisador Vicente Moctezuma Mendoza descreveu uma guerra silenciosa, porém permanente, na qual o mercado imobiliário, os megaprojetos urbanos, a especulação financeira e diversas formas de violência reconfiguram os territórios em benefício de poucos, ao mesmo tempo em que deslocam aqueles que historicamente os habitaram.
A segregação socioespacial, explicou, não é um acidente nem uma consequência natural das desigualdades econômicas. É o resultado de um modelo que concentra riqueza, serviços, infraestrutura e investimentos em áreas privilegiadas, enquanto empurra os setores populares para periferias cada vez mais distantes, inseguras e precarizadas. O acesso à moradia, à água, ao transporte, à cultura e até mesmo ao tempo para conviver com a família passa a ser determinado pela capacidade de pagamento.
Nessa guerra da expropriação, a gentrificação aparece como uma forma de colonização urbana. Bairros inteiros são transformados para atrair investimentos, turismo e moradores de maior poder aquisitivo, provocando o deslocamento de comunidades que, durante gerações, construíram ali suas redes de solidariedade, sua memória e sua vida cotidiana. Ao mesmo tempo, o pesquisador denunciou a existência de despejos violentos, fraudes imobiliárias, cobrança de extorsão por grupos criminosos, extorsões e mecanismos de controle territorial, dos quais participam tanto o Estado quanto o crime organizado, transformando a moradia e o trabalho em fontes permanentes de extração de riqueza.
No entanto, destacou que, diante da cidade projetada para atender aos interesses capitalistas, também emerge a cidade das resistências: povos originários, comerciantes, coletivos de bairro, cooperativas e organizações populares que continuam defendendo seus bairros, seus espaços de trabalho e seu direito ao território.
Porque, como já foi afirmado, a cidade não é apenas uma mercadoria: ela é também um espaço de comunidade, de memória e de luta.
Iracema Gavilán – “Mandatos de gênero e extrativismos: ações a partir do ecofeminismo”
A guerra contra os territórios também é travada contra o corpo das mulheres.
Os megaprojetos extrativistas não saqueiam apenas montanhas, florestas e rios. Eles também aprofundam as violências contra as mulheres, fortalecem o patriarcado e transformam os territórios em cenários de expropriação. Esse foi o eixo da reflexão da pesquisadora e ativista Iracema Gavilán, que propôs compreender o extrativismo como uma guerra que avança tanto sobre a natureza quanto sobre a vida.
A partir de sua experiência no acompanhamento da defesa do território sagrado de Wirikuta, Gavilán explicou que o modelo extrativista do século XXI vai muito além da mineração: inclui megaprojetos de energia, agroindústria e tecnologia que, sob o discurso do desenvolvimento e da transição energética, continuam deslocando comunidades e mercantilizando a vida.
Iracema Gavilán sustentou que o patriarcado e o capitalismo fazem parte do mesmo sistema de dominação. Enquanto um explora a natureza, o outro atribui às mulheres a sobrecarga do trabalho de cuidado, intensifica as violências, a criminalização e os impactos sobre a saúde das pessoas que vivem nos territórios afetados.
No entanto, diante dessa realidade, destacou também as múltiplas formas de resistência construídas por mulheres defensoras dos territórios, que organizam comunidades, promovem instrumentos jurídicos e colocam o corpo como o primeiro território que deve ser cuidado para sustentar a luta. Ela afirma que a defesa do território começa pelo reconhecimento do corpo como o primeiro espaço de resistência, pois é nele que habita nosso espírito.
“Corpo–Terra–Território é o nosso primeiro espaço de luta.”
Recordando o Dia Mundial contra a Mineração, Iracema Gavilán convida à reflexão de que resistir significa cuidar da vida em todas as suas formas, construir alianças e seguir caminhando diante de um modelo que ameaça tanto a natureza quanto aqueles e aquelas que a defendem.
“A resposta não é nos resignarmos”, afirmou. “Não temos tempo para ficar parados, mas sim para continuar caminhando e avançando, cada um e cada uma a partir de suas possibilidades, para defender a vida e os territórios.”













