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Alejandro Reyes

Mídia Revolucionária: a mídia alternativa no movimento zapatista

Publicado em: Revista Rua – Universidade Federal de São Carlos

por Alejandro Reyes

Em 1994, o surgimento de um movimento guerrilheiro indígena no sul do México, provocou um verdadeiro reboliço na mídia ao redor do mundo. No momento em que muito se falava do “milagre econômico mexicano”, das bondades das políticas neoliberais e do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, milhares de indígenas tomavam sete cidades do estado de Chiapas na madrugada do 1 de janeiro e declaravam a guerra ao governo. As propostas inovadoras do Exército Zapatista de Liberação Nacional (EZLN)1 e a forma surpreendentemente bem-humorada e articulada de comunicá-las suscitaram não apenas o interesse da mídia comercial, mas o surgimento de um movimento de mídia alternativa – nacional e internacional – com efeitos duradouros na forma de se pensar os meios de comunicação global. Ao mesmo tempo, as comunidades zapatistas rebeldes na selva e nas montanhas do sudeste mexicano, que desde então vêm criando sistemas cada vez mais complexos de autonomia como principal eixo da sua proposta revolucionária, têm desenvolvido audaciosos projetos de comunicação autônoma que incluem rádio, produção áudio-visual, comunicações por internet e outros meios. Neste ensaio falamos desses projetos e das iniciativas de mídia alternativa, no México e no mundo, inspiradas pelo movimento zapatista.

O zapatismo: um movimento “pós-moderno”?

Era a primeira metade da década de 1990, a poucos anos do fim da Guerra Fria, divisor de águas na história e o início do que muitos chamavam, com exaltado otimismo, “a nova ordem mundial” – sob a liderança ideológica de George H. W. Bush e Mikhail Gorbachev -, que supostamente acabaria com os conflitos norte-sul graças à cooperação harmoniosa num sistema capitalista globalizado. Entretanto, na América Latina (e no México em particular) as contradições desse capitalismo globalizado estavam levando ao desespero a milhões de indígenas, camponeses e pobres urbanos, graças à invasão de empresas multinacionais que destruíam as pequenas empresas, à privatização de terras comunais e à entrada de produtos agrícolas transgênicos e industriais que arrasavam a agricultura artesanal.

Mas, como resistir a esses embates, quando as velhas ideologias de esquerda, que impulsionaram as lutas de resistência durante todo o século XX na América Latina, estavam desacreditadas e o campo socialista, desarticulado? Entre o otimismo festivo da direita e a perplexidade da esquerda, parecia não haver mais alternativas.

Isso explica a surpresa – e o entusiasmo – causada pela aparição do Exército Zapatista no 1o de janeiro de 1994, justo o dia em que entraria em vigor o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, ponto culminante do suposto “milagre econômico mexicano” neoliberal. Que desvario teria levado a esse bando de índios mascarados a se levantar em armas quando já as guerrilhas estavam tão fora de moda? Quem eram eles? O que queriam? Seriam apenas remanescentes anacrônicos de um tempo extinto ou enunciadores de novas propostas num momento de vazio ideológico?

A mídia nacional e internacional correu a Chiapas e em breve os zapatistas estavam em TVs e jornais pelo mundo afora. Os comunicados escritos pelo Subcomandante Insurgente Marcos (o carismático chefe militar e porta-voz do movimento, com seu olhar penetrante sob a máscara preta e o eterno cachimbo) faziam uma crítica aguda às utopias neoliberais com uma linguagem irônica e bem-humorada, irreverente, cheia de sonoridades do mundo indígena, totalmente distinta dos tradicionais discursos marxistas dos movimentos revolucionários conhecidos até então. Neles se articulava uma proposta igualmente inédita: a criação de um movimento de baixo para cima, sem vanguardas, que não aspirava a tomar o poder, mas à construção de um contra-poder popular, de uma realidade alternativa fundamentada na prática cotidiana da democracia participativa baseada nas autonomias locais e a vinculação solidária com movimentos sociais autônomos ao redor do mundo.

Ao mesmo tempo, surgiu outro fenômeno inesperado. Movimentos sociais e indivíduos de todo o mundo, entusiasmados com as possibilidades da proposta zapatista, começaram a usar a internet (então ainda incipiente) como forma de comunicação e de articulação da resistência global. Alguns intelectuais qualificaram então os zapatistas do “primeiro movimento guerrilheiro pós-moderno” pelo uso das novas mídias como forma de luta, sem se dar conta que não eram os próprios zapatistas que (naquele momento) usavam essas tecnologias, mas a sociedade civil nacional e internacional, que, inspirada por eles, começavam a criar uma rede de mídia alternativa descentralizada. Dalí surgiram experiências duradouras, como a rede de Indymidia, um conceito de mídia popular com importante repercussão em grande parte do mundo.

A comunicação zapatista

Com o levantamento armado em 1994, fazendeiros e latifundiários, que até então exploraram os índios em condições de semi-escravidão, fugiram de Chiapas, abandonando suas terras, que os rebeldes zapatistas “recuperaram” (sendo indígenas maias, as terras lhes pertenciam historicamente, tendo sido usurpadas pelos fazendeiros mestiços). Nesse vasto território eles vêm construindo, nos últimos 16 anos, um complexo sistema de autonomia que inclui um governo próprio (através de assembléias comunitárias, conselhos municipais e “Juntas de Buen Gobierno” regionais), sistemas de educação e de saúde autônomos, mecanismos de produção coletiva e comércio solidário. E, sem dúvida, diversos mecanismos de comunicação autônoma.

“A comunicação [autônoma] é uma demanda e um direito dos povos zapatistas, porque nos demos conta de que todos os meios de comunicação controlados pelo mau governo e pelas grandes empresas, como a televisão, a rádio, os jornais, as revistas e demais, não estão ao serviço dos povos”,2 disse um representante da Junta de Buen Gobierno de Oventik durante o Primeiro Encontro entre os Povos Zapatistas e os Povos do Mundo, em janeiro de 2007, realizado em território zapatista. A comunicação autônoma não é apenas uma estratégia, mas uma reivindicação como direito fundamental.

Em fevereiro de 2002 nasceu Radio Insurgente, la voz de los sin voz, projeto radiofônico do EZLN.3 “Voz oficial do Exército Zapatista de Liberação Nacional”, Radio Insurgente transmite em três regiões zapatistas (Los Altos – as montanhas ao norte de San Cristóbal de las Casas -, na selva tzeltal e na selva da fronteira com a Guatemala), todas em FM, e mais uma em onda curta. Os locutores e locutoras são todos insurgentes, e a programação inclui temas de saúde, educação, direitos, gênero, campanhas contra o alcoolismo, contos para crianças, música, política, comunicados do EZLN, áudio-teatro com temas de resistência e autonomia, etc. Dependendo da região, a rádio transmite em diversas línguas indígenas maias (tzeltal, tzotzil, tojolobal, chol, mam) além de espanhol. A rádio é ouvida com avidez não só pelos próprios zapatistas, mas também por outros grupos indígenas e até por soldados do exército mexicano (parte da programação é frequentes mensagens aos solados e aos paramilitares, com a intenção de sensibilizá-los a não lutar contra os seus irmãos indígenas). Além de Radio Insurgente, um bom número de rádios comunitárias tem surgido em território zapatista nos últimos anos, com propostas similares, mas por iniciativa do zapatismo civil (independente do EZLN).

Em 1998, através de uma cooperação entre os zapatistas e uma parceria de organizações não governamentais do México e dos Estados Unidos (Chiapas Media Project e Promedios de Comunicación Comunitaria), iniciou-se um projeto de treinamento de “promotores de comunicação” em gravação e edição de vídeo. Esse processo levou, nestes 11 anos, ao desenvolvimento de uma vasta produção de documentários autônomos. Nesses vídeos, o domínio cada vez maior da tecnologia e da estética audiovisual combina-se com a visão particular dos povos indígenas zapatistas na representação da sua própria realidade: a luta pela terra, o papel da mulher, a construção da autonomia. Trata-se de materiais tanto internos (muitos deles em línguas maias) quanto os destinados a um público externo, com distribuição internacional através do Chapas Media Project.

Outro mecanismo de comunicação, mais imediato, é a pintura mural que cobre as paredes das construções comunitárias em todo povoado zapatista. Estas obras, de um surpreendente colorido, contam a história da luta zapatista e representam o ideal ao qual aspiram o EZLN e as comunidades. Esta arte mural tem raízes profundas: ela inspira-se na tradição da pintura mural modernista posterior à Revolução Mexicana de 1910, que preencheu edifícios públicos em todo o país como meio de articular os valores (e as críticas) revolucionários da época. Esse movimento teve tal impacto que os artistas chicanos nos Estados Unidos retomaram a tradição e criaram uma arte própria de resistência ao racismo e à exclusão. Mas a arte mural mexicana tem raízes ainda mais profundas. Por um lado, os muralistas (Diego Rivera, Alfaro Siqueiros, José Clemente Orozco e outros) eram parte do movimento modernista e beberam das fontes da arte européia. Ao mesmo tempo, os questionamentos identitários provocados pela revolução os levaram a estudar a arte mural dos maias e dos astecas, resultando numa criação híbrida e única. A arte mural zapatista contemporânea inspira-se em todas essas tradições para expressar a sua própria realidade. Alguns anos atrás, com o apoio de grupos solidários espanhóis, produziu-se um belíssimo livro quatrilíngüe com imagens dos principais murais zapatistas, que se utiliza como ferramenta pedagógica nas escolas autônomas.

Finalmente, para além da rádio, do vídeo, da internet e da arte mural, um elemento fundamental da comunicação zapatista são os encontros com a sociedade civil nacional e internacional, que ocorrem periodicamente em território rebelde, e que se tornam espaços de intercâmbio de experiências e de luta. Neles, a cosmovisão indígena encontra-se com as realidades de outras raças e culturas, numa retroalimentação em muitos sentidos responsável pela continuada vigência das propostas zapatistas.4

A “outra comunicação” –  redes alternativas

Com o levantamento zapatista, surgiram inúmeras iniciativas de mídia alternativa no México e no mundo, utilizando sobretudo a internet, que justamente nasceu no início dos 90. A mais notável dessas iniciativas é a rede de mídia independente Indymídia, que democratiza o acesso à informação e a produção jornalística independente e que hoje tem projetos em todos os continentes do mundo.5

Além da internet, multiplicam-se outras mídias, em particular as rádios comunitárias. No México, elas têm um papel muito importante, sobretudo nas comunidades indígenas e camponesas, mas também nos centros urbanos. Todas estas iniciativas surgem independentemente do EZLN, mas articulam-se entre si conforme a proposta zapatista de vinculação em rede, de forma não hierárquica, de autonomias locais.

Estes meios de comunicação denunciam abusos, violações e repressão por parte dos governos, das forças policiais e das grandes empresas, que não recebem cobertura na mídia comercial. Mas também funcionam como articuladores da resistência e da luta contra os atropelos do capitalismo, compartilhando informações sobre atividades em diversas partes do país e do mundo, análises políticas e novas formas de organização.

Um claro exemplo disso foi a rebelião popular no estado de Oaxaca em 2006. A violenta repressão, por parte do governo estadual, de uma manifestação de professores no centro da capital, em maio desse ano, levou a um levantamento popular de mais de 300 organizações sociais e milhares de indivíduos, que ocuparam a cidade durante mais de seis meses. Durante a ocupação, a luta mais cruenta foi pelo controle dos mecanismos de articulação das reivindicações do movimento.6 Rádios independentes, por um lado, funcionaram como meio de conscientização e articulação da resistência, enquanto a mídia comercial lançava uma campanha de desprestigio do movimento. Grupos paramilitares atacaram as instalações de Radio Plantón, uma das principais rádios do movimento, enquanto ativistas ocupavam as rádios comerciais e inclusive uma estação de TV.

Em novembro desse ano, milhares de tropas da polícia federal invadiram a cidade e intentaram tomar Radio Universidad, que estava em mãos do movimento. Rádios independentes na Cidade do México retransmitiam via internet as transmissões da rádio universitária, que por sua vez eram retomadas por outras rádios em todo o mundo, ajudando a mobilizar protestos em consulados e embaixadas em diversos países. Ao mesmo tempo, Radio Universidad comandava a resistência na própria cidade de Oaxaca, instruindo as pessoas a se movimentar nas diferentes barricadas e informando da posição das tropas policiais. Enquanto, na Califórnia, um grupo de ativistas organizávamos uma manifestação na frente do consulado mexicano em San Francisco, recebemos uma ligação de Roma, onde ativistas zapatistas tinham colocado um caminhão com caixas de som na frente da embaixada mexicana, transmitindo Radio Universidad ao vivo, que nesse momento realizava uma entrevista telefônica com ativistas alemães na frente do consulado em Berlim. Essa impressionante mobilização da mídia alternativa conseguiu, depois de uma longa luta, frear o ataque policial.

A comunicação independente não  é, evidentemente, âmbito exclusivo do movimento zapatista. Ela surge da necessidade de informações e pensamento crítico, no contexto do controle cada vez maior da mídia comercial pelos interesses do capital. Romper o cerco informativo da grande mídia, democratizar a informação, criar espaços para a expressão de vozes silenciadas: esses são alguns dos objetivos da crescente rede de mídia alternativa.

Alguns sites de mídia independente

Alejandro Reyes-Arias é jornalista e tradutor.

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DOCUMENTAL ESPECIAL: La justicia autónoma

Por Alejandro Reyes – Radio Zapatista

Intelectuales, académicos, abogados, representantes indígenas y campesinos y luchadores sociales debaten sobre el estado de la justicia en América Latina y la construcción de una justicia autónoma. (La mayoría de las voces de este documental provienen de entrevistas realizadas en el Encuentro Continental contra la Impunidad y por la Justicia Autónoma (20-21 de junio de 2009) en el Caracol de Morelia, Chiapas.) (Descarga aquí)   Con la participación de:

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El costo humano de un vestido en Los Ángeles

por Alejandro Reyes

Publicado en: Desinformémonos

Localmente se les conoce como “los callejones”: un área colorida y caótica de 90 cuadras en el centro de esta ciudad atiborrada de tiendas de ropa y un sabor inconfundiblemente latino… cumbias, rancheras, reguetón, tortas, piñatas, paletas, jícamas con chile y la infinidad de acentos que tiñen al español de una pluralidad de orígenes. Es el centro de la moda de Los Ángeles y el corazón de la industria de la costura en la costa oeste de los Estados Unidos. Detrás de los aparadores de las tiendas, con sus ofertas de prendas de última moda, existe una realidad sombría: la de la explotación de la mano de obra de inmigrantes que trabajan en condiciones que, en su expresión extrema, llegan a la esclavitud.

En las calles South Los Ángeles y Pico se encuentra el Centro de Trabajadoras y Trabajadores de la Costura (Garment Workers Center – GWC), donde desde el año 2001 trabajadores de esa industria se organizan para resistir la explotación. Delia Herrera, activista voluntaria del centro, explica que la mayoría de los más de 80 mil trabajadores de la costura en Los Ángeles trabajan de 60 a 80 horas semanales con salarios frecuentemente menores que el salario mínimo, sin prestaciones ni pago de horas extras, sin descansos reglamentares, en condiciones dañinas a la salud (problemas respiratorios, infecciones por agujas clavadas en las uñas, enfermedades por falta de higiene), bajo acoso sexual y otras formas de hostigamiento y con la amenaza de despidos arbitrarios y denuncias a las autoridades migratorias.

La mayoría de los trabajadores se une al GWC por necesidades inmediatas, generalmente la recuperación de sueldos robados. Para los trabajadores migrantes, enfrentar a los patrones significa vencer muchos obstáculos: el desconocimiento de las leyes y del idioma, el miedo a ser despedidos, el miedo a ser deportados, la desconfianza en las instituciones. Pero las historias de compañeros que han logrado vencer en sus reivindicaciones inspiran a otros a organizarse. Una vez en el centro, las propias formas de llevar a cabo una demanda construyen un sentimiento de poder colectivo que la mayoría nunca había conocido. “Los trabajadores se asesoran entre sí para saber cuál es la información necesaria. Después se hace una carta de demanda al empleador y varios compañeros van a entregarla. Mientras unos la entregan, los demás nos dispersamos para repartir volantes a los demás trabajadores, para que sepan que con o sin papeles tenemos derechos y que hay que organizarse. Esto les da bastante temor a los empleadores. En la carta les damos cinco días para responder y venir a nuestro comité de negociación aquí en el centro. Los empleadores llegan y estamos de 5 a 30 camaradas reunidos. La mayoría se asusta. Les damos una silla dura y fría, igual a las que los trabajadores tienen que usar. Investigamos también qué otras condiciones de abuso hay en la fábrica, de manera que en la negociación tenemos más herramientas para presionar al empleador.”

Pero más allá de las necesidades inmediatas, los trabajadores y activistas del GWC entienden que lo más importante es crear condiciones diferentes de vida, y que para eso es necesario entender cómo funciona la industria. El centro ofrece un número de talleres para obtener una visión más amplia del funcionamiento y el origen de la explotación: derechos salariales; derechos de salud y seguridad en el trabajo; derechos de organización en el lugar de trabajo; formación de sindicatos independientes; capitalismo e ideologías que lo mantienen (sobre todo cuestiones de género y el “sueño americano”); formas de organización horizontal y participativa.

Al mismo tiempo, intenta vincularse con trabajadores de la costura en otras partes del mundo. “Nosotros pensamos que lo que tenemos que hacer es cambiar la industria de la costura a nivel internacional. Nos conectamos con compas en Tailandia, en las Filipinas, en China. Fuimos a Hong Kong en 2005 contra la OMC. En Los Ángeles hay una diversidad de personas de todo el mundo. Al estar en esta área, podemos ser embajadores para nuestros diferentes países.”

Andrew Ross advierte en No Sweat, una antología de ensayos sobre la explotación en la industria de la costura, que los trabajadores de dicha industria están entre los más afectados por la globalización del sistema capitalista. Las grandes empresas de modas no cuentan ya con fábricas en las que se producen las prendas de principio a fin, sino que transfieren las diferentes etapas de la producción a subcontratistas que pueden estar en cualquier parte del mundo. Esto les permite despreocuparse de las legislaciones laborales y la reprobación de la opinión pública mientras se benefician de mano de obra cada vez más barata. Como es sabido, la industria de la maquila se traslada de país en país en busca de menores precios de mano de obra. El resultado es el enriquecimiento de una minoría a expensas de millones de trabajadores en el mundo. Según Ross, en 1996 el director de Disney ganó 325 mil veces más que los trabajadores haitianos que produjeron las camisetas y demás accesorios para la empresa. Y en 1992 el jugador de basquetbol Michael Jordan ganó más por prestar su nombre a la promoción de los tenis Nike que los 30 mil trabajadores indonesios que los fabrican. Pero las violaciones a los derechos laborales no se limitan a los países del tercer mundo. En los Estados Unidos la creciente criminalización de la inmigración convierte a los migrantes en presas fáciles para la explotación.

Esclavitud en El Monte: un caso entre muchos

Fundado en 2001, el GWC tiene su origen en 1995. Ese año la policía estatal descubrió un taller de trabajo esclavo en el suburbio de El Monte, a 20 kilómetros del centro de Los Ángeles. En lo que por afuera parecía un típico complejo residencial suburbano, 72 mujeres y hombres tailandeses vivían presos, algunos desde hacía siete años, trabajando más de 18 horas diarias, siete días a la semana, en cocheras mal iluminadas bajo la vigilancia de guardias armados y rodeados de alambre de púas y rejas de hierro. Hasta diez de ellos dormían hacinados en cuartos diseñados para dos personas, en peligrosas condiciones de higiene. Bajo constantes maltratos por parte de los capataces y amenazas a sus familias en Tailandia, los trabajadores cosían ropa para varias de las compañías más prestigiosas del país —Tomato, Clio, B.U.M., High Sierra, Axle, Cheetah, Anchor Blue, Airtime, Mervyn’s, Miller’s Outpost, Montgomery Ward— muchas de ellas vendidas también en tiendas de departamento tan conocidas como May, Nordstrom, Sears, Target y otras.

La detención de los ocho capataces presentes y la “liberación” de los 72 trabajadores esclavos recibieron amplia cobertura mediática. Mucho menos visible, sin embargo, fue el destino de los trabajadores, en su mayoría mujeres, todos migrantes indocumentados. Después de años de esclavitud, los trabajadores supuestamente liberados fueron detenidos inmediatamente por las autoridades migratorias y encarcelados en una celda común, de donde sólo salían encadenados con grilletes para cuestiones administrativas y entrevistas. Fue sólo gracias al trabajo de activistas de Sweatshop Watch, una coalición que agrupaba organizaciones obreras, comunitarias, de inmigrantes, de mujeres y abogados, que se logró la liberación de las y los tailandeses, que de otra forma hubieran sido deportados después de una larga detención.

Este caso sacó a la luz no sólo los extremos a los que llega la explotación en la industria de la costura en los Estados Unidos, sino la estrecha relación entre esa explotación y la criminalización de la inmigración. Julie Su, una de las fundadoras de Sweatshop Watch, observa en un artículo sobre el caso que, ante la amenaza de encarcelamiento y deportación, los trabajadores indocumentados no tienen ningún incentivo para denunciar ni los peores abusos. El caso también demostró la necesidad de responsabilizar no sólo a los propios talleres, sino a las grandes empresas de moda y a las tiendas departamentales que de hecho controlan el proceso, y que se escudan tras un supuesto desconocimiento de las condiciones laborales de los subcontratistas. Uno de los principales ejes de lucha de organizaciones de la industria de la costura, incluyendo al GWC, es lograr cambios en las legislaciones que responsabilicen a dichas empresas.

Los activistas que trabajaron en el caso de El Monte concluyeron con el tiempo que era importante que existiera un espacio donde los propios trabajadores pudieran organizarse. En 1999 Sweatshop Watch organizó una serie de reuniones con trabajadores de la costura, incluyendo los trabajadores tailandeses de El Monte y trabajadores latinos de talleres relacionados a la misma red de explotación. De esas reuniones surgió, dos años después, el Centro de Trabajadoras y Trabajadores de la Costura.

Son muchas las dificultades que los trabajadores de esta industria enfrentan para formar un frente unido ante la explotación. Delia Herrera explica que, además de la fragilidad creada por la criminalización de la migración, el propio sistema crea y promueve divisiones en la clase obrera. Una de ellas es la de la raza, particularmente entre latinos y asiáticos, que compiten por empleos y recursos. Hay también divisiones, fomentadas por los empleadores, entre trabajadores documentados e indocumentados. Y finalmente divisiones de género, en una industria en la que prevalece el acoso sexual. El GWC intenta romper estas divisiones a través de pláticas, talleres y, sobre todo, la convivencia comprometida. Las y los trabajadores se asesoran unos a los otros y participan en actividades conjuntas, y eso crea un espíritu de solidaridad. “En una ocasión hicimos un simulacro de que llegaba la migra y la policía juntos. Fue una experiencia muy fuerte porque muchas compas han sido violadas sexualmente al pasar la frontera, han sido detenidas, robadas, o las ha agarrado la migra en la calle. Así empezamos a trabajar con nuestros propios traumas y a compartirlos con los demás.”

Desde su fundación, el centro ha recuperado millones de dólares en salarios robados y ha tenido victorias importantes contra empresas como Forever 21, contra la cual realizó un exitoso boicot nacional de tres años. Pero quizás lo más importante ha sido el haber logrado generar una conciencia colectiva nutrida por la experiencia de ocho años de lucha y una larga historia de resistencia en la industria de la costura.

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Spot promocional de la película Corazón del Tiempo

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Spot promocional de la película Corazón del Tiempo


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La otra campaña y la lucha de clases de las trabajadoras sexuales en México

Audios de la presentación del libro “La otra campaña y la lucha de clases de las trabajadoras sexuales en México”, presentado el viernes 17 de julio en el Rincón Zapatista por la Brigada Callejera de Apoyo a la Mujer “Elisa Martínez”.

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Entrevista a un compañero del periódico alternativo español Diagonal.

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Protesta frente al consulado de Honduras en San Francisco, California

Este audio recoge las voces de la protesta del 29 de junio frente al consulado de Honduras en San Francisco, California, en protesta contra del golpe de estado militar que sucedió el día anterior.

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Los Otros Estados Unidos: represión, marginación y resistencias de base en EEUU

por Alejandro Reyes

Publicado en: Ciepac

En Estados Unidos se vive un momento histórico muy particular. Por un lado, la guerra en Irak se ha transformado en un caos genocida al cual no se le ve fin. Escándalos de corrupción resquebrajaron la confianza en el gobierno y el sistema. El mercado inmobiliario sufrió una caída estrepitosa que forzó a mucha gente a perder sus casas y llevó a muchos más a la bancarrota, anunciando el inicio de la peor crisis financiera desde la década de 1920 y un resquebrajamiento del sistema capitalista global. Al mismo tiempo, casi siete años de una política de “seguridad nacional” llevaron a una alarmante pérdida de las garantías individuales y a la institucionalización de la tortura. La crisis y el miedo llevaron a una postura antiinmigrante cada vez más virulenta y a una militarización de la frontera sin precedentes. En este contexto, la elección de Barak Obama como el nuevo presidente demócrata de los Estados Unidos fue recibida con escepticismo por mucha gente cuya realidad permanece prácticamente invisible, a pesar de que sin duda han sido los más afectados: los pobres y la “gente de color”, minorías raciales que, en muchos casos, no son minoría.

Los AngelesLa vida en los barrios más pobres de Estados Unidos es sumamente difícil y tiende a empeorar. Es el caso del barrio Sur Central de Los Ángeles, con una población hoy mayoritariamente latina. Fue ahí que, en 1992, surgió una de las rebeliones más importantes de los Estados Unidos, cuando los policías que golpearon al taxista negro Rodney King fueron absueltos por un jurado blanco en su casi totalidad. La rebelión fue la respuesta de la población desesperada ante la violencia policial, pero también ante una situación que en el momento parecía insostenible y que hoy sólo ha empeorado: altos niveles de desempleo, un patrón de salarios cada vez más bajos, sobrepoblación, escasez de vivienda y rentas muy caras, segregación racial, pandillerismo, drogadicción, un sistema educativo desastroso, pésimos servicios de salud, altos índices de obesidad y desnutrición debido a la falta de alimentos saludables.

Pero fue justamente en este barrio que, durante más de 14 años, floreció la granja urbana más importante de Estados Unidos: casi seis hectáreas cultivadas por más de 300 familias pobres, en su mayoría de origen latino. La Granja Sur Central constituía no sólo una alternativa de independencia económica, sino una fuente de alimentación de alta calidad a bajos precios. Además, los campesinos preservaban antiguas tradiciones de cultivo, conocimientos de medicina natural y semillas ancestrales. La granja era un lugar de convivencia lejos de la violencia, las drogas, las pandillas y el racismo, un refugio donde los niños podían jugar sin miedo, donde se realizaban fiestas y ceremonias tradicionales. Muchos de los campesinos eran adherentes a la Otra Campaña.

Pero una compleja trama de intereses políticos y económicos resultó en la destrucción de la granja, en junio de 2006, por el gobierno del alcalde latino y demócrata Antonio Villaraigosa, a pesar de la formación de un amplio movimiento social para defenderla. Las soluciones orgánicas a los problemas de salud, alimentación, educación, drogadicción y criminalidad poco interesaron a los políticos y empresarios deseosos de lucrar con ese terreno cuando un nuevo corredor ferroviario aumentó los precios inmobiliarios. Hoy un pequeño grupo de campesinos sigue organizándose y preservando el sueño de la granja en tierras fuera de la ciudad.

Destrucción de La GranjaLa granja fue destruida con la intención de construir una bodega para la empresa textil Forever 21. Esta es una de las empresas combatidas por el Centro de Trabajadores y Trabajadoras de la Costura, quienes la acusan de violar los derechos laborales de sus empleados, en su mayoría inmigrantes. Este Centro, una organización independiente, horizontal y con base en la comunidad, opera en el centro de Los Ángeles, en el corazón de la pujante industria textil. Aunque es bien conocida la industria maquiladora mundial, que se desplaza de país en país en busca de menores precios de mano de obra, poco se discute la industria maquiladora interna, que se aprovecha de la precariedad de la mano de obra inmigrante (miedo, desconocimiento de las leyes, dificultad con el idioma, persecución por no tener papeles, amenazas y abusos constantes) para reducir costos sin tener que desplazar la producción a otros países. El Centro de Trabajadores y Trabajadoras de la Costura se organiza para combatir estas prácticas, en el contexto de una creciente criminalización y hostilidad hacia la inmigración.

En los últimos años ha habido un recrudecimiento severo de legislaciones antiinmigrantes. Esto ha resultado en la expulsión de más de un millón de inmigrantes en los últimos tres años -con un promedio de deportaciones tres veces mayor que hace una década. Al mismo tiempo, ha provocado una precarización de las condiciones de vida de los migrantes, facilitando la explotación. Pero los números no logran dar cuenta de la realidad cotidiana de millones de personas que ahora viven bajo constante terror. Abundan las historias de los niños dejados atrás cuando la migra (autoridades migratorias) se lleva a sus padres. Las historias de las familias aterrorizadas cuando agentes entran a sus casas pateando puertas, amenazando con armas y llevándose esposadas a personas cuyo único crimen es trabajar. Las historias del terror de perder todos los bienes y encontrarse deportada en alguna ciudad de la frontera sin un centavo. Las historias de los meses o años de detención, las inyecciones forzadas de fármacos antipsicóticos peligrosos, en violación a legislaciones de derechos humanos internacionales, los procesos legales manipulados, los maltratos y humillaciones por las autoridades migratorias. Y abundan, también, las historias de los cientos de personas que mueren cada año tratando de cruzar una frontera cada vez más militarizada.

En este contexto, organizaciones como la muy zapatista Tierra y Libertad, en Tucson, Arizona, se organizan desde abajo para resistir. Se trata de combatir circunstancias específicas, como las redadas de la migra que mantienen a las comunidades en un estado de terror, pero sobre todo de crear una conciencia colectiva a través de la educación y la participación organizativa. Por eso, a la campaña de información sobre derechos se le añaden proyectos de autosustentabilidad comunitaria, de arte rebelde (RebelArte) y de educación colectiva. Se trata de alternativas autónomas, desde abajo, por parte de comunidades que ya no creen en soluciones provenientes del gobierno o los partidos políticos y que deciden tomar las riendas de sus vidas en sus propias manos.

el Kilombo IntergalácticoOtra organización interesante en ese sentido es el Kilombo Intergaláctico, en Durham, Carolina del Norte. El Kilombo es un centro social en el que “comunidades de color”, migrantes, trabajadores y estudiantes buscan soluciones para los problemas de su vida cotidiana y al mismo tiempo se vinculan a movimientos anticapitalistas del mundo. El Kilombo está inspirado en la lucha zapatista pero también en los piqueteros argentinos, en los Panteras Negras y los Young Lords estadounidenses y en los palenques o quilombos de la América colonial (comunidades en resistencia de esclavos cimarrones, indígenas y mestizos). Al estilo zapatista, sus ejes de organización y de lucha son la asamblea, el encuentro, la autonomía, el territorio, el conocimiento y la palabra. El Centro tiene programas educativos (clases de inglés, español, alfabetización, computación, talleres de lectura) y deportivos, biblioteca, talleres sobre derechos, un proyecto de radio, huerta comunitaria, clínica de salud, un proyecto de vivienda de bajo costo y una editorial independiente.

Uno de los problemas más graves que afectan a las comunidades pobres y “de color” es lo que en inglés se llama gentrification: la elitización de los barrios en aras del “progreso”, la especulación inmobiliaria y los intereses comerciales. Se trata de un proceso en el que participan inversionistas particulares, empresas multinacionales y políticos locales, estatales y federales, y que resulta en el desplazamiento sistemático de poblaciones pobres, alejándolas de sus fuentes de ingresos y destruyendo el tejido comunitario. Es el caso, entre muchos, del Segundo Barrio en El Paso, Texas, que el Plan Paso del Norte pretende destruir para construir un gran centro comercial. Como explican los organizadores de la resistencia (miembros de la Otra Campaña), el Segundo Barrio es no sólo el barrio más antiguo de El Paso, sino una comunidad viva, mayoritariamente de origen mexicano -un verdadero sistema de sobrevivencia que le permite a esa población excluida resistir con su cultura, su lenguaje y su condición económica.

NYC encuentro for dignity and against gentrificationEn Nueva York, El Barrio, en el Este de Harlem, sufre el mismo problema. Uno de los principales agresores actuales es la empresa Dawnay, Day Group, basada en Londres, que en 2007 compró 47 edificios y que intenta desalojar a sus inquilinos para desarrollos de lujo. Pero el problema empezó mucho antes, y en diciembre de 2004 residentes de cinco edificios amenazados se organizaron y formaron el Movimiento Por Justicia en El Barrio, que por medio de campañas mediáticas, demandas legales, manifestaciones y acciones directas luchan contra el desplazamiento. Con la publicación de la Sexta Declaración de la Selva Lacandona, el Movimiento por Justicia en El Barrio decidió unirse a la Otra Campaña y adoptar formas de lucha zapatistas. En 2006 realizó La Consulta del Barrio, un largo proceso en el que los miembros de la comunidad decidieron sus prioridades y estrategias de lucha. En octubre de 2007, realizaron el primer Encuentro de Nueva York por la Humanidad y contra el Desalojo Neoliberal, en el que participaron organizaciones de toda la ciudad que luchan contra gentrification. En marzo de 2008, el Movimiento lanzó una Campaña Internacional en Defensa de El Barrio, con la intención no sólo de fortalecer la resistencia sino de motivar la vinculación de esfuerzos en otras partes del mundo.

Otra constante en las comunidades de color es el abuso y la violencia policiales. Este pasado 1 de enero, el joven negro Oscar Grant fue detenido por un grupo de policías (blancos) en Oakland, California, en una estación del metro (Bart). Mientras sus amigos y un número de personas protestaban desesperadas, los policías lo tumbaron al suelo boca abajo. Uno de ellos lo inmovilizó con la rodilla en el cuello mientras otro sacaba la pistola y le disparaba por la espalda, asesinándolo. El incidente se volvió público al ser presenciado por muchos testigos y grabado en dos teléfonos celulares, resultando en violentas manifestaciones. Pero la brutalidad y el racismo de las fuerzas policiales contra las comunidades de color en todo el país son la norma. Como respuesta, organizaciones llamadas CopWatch (vigilantes de la policía) han surgido en muchas ciudades. Sus miembros patrullan las calles con cámaras de video, alertan a los residentes de retenes y redadas y organizan formas de defensa comunitaria. En Los Ángeles, CopWatch L.A., con inspiración zapatista y de otros movimientos autonomistas, es parte de un proyecto más amplio de autonomía comunitaria llamado Comunidades Autónomas Revolucionarias, que incluye granjas comunitarias, guarderías y otros proyectos.

Migra en NebraskaLa violencia policial está acompañada de formas jurídicas de criminalización de la juventud. Por ejemplo, las leyes antipandillas prohíben que los miembros de ciertas pandillas se reúnan en determinadas áreas geográficas. Pero la determinación de quién es parte de una pandilla se hace de manera muy arbitraria, de manera que jóvenes, pertenecientes o no, se vuelven criminales por el simple hecho de platicar con amigos en público, andar en bicicleta, usar ropa de ciertos colores o hablar por teléfono celular. Las historias de arbitrariedades contra jóvenes de color abundan. En Nueva York, un joven de 16 años lleva ya varias estancias en la cárcel: por pasar de un carro a otro en el metro, por no registrarse al entrar a un complejo habitacional.

Estos son los jóvenes que supuestamente tienen derechos. Pero los migrantes indocumentados ni si quiera aspiran a tanto. La inmigración “ilegal” se ha criminalizado en los últimos años, de manera que hoy el “delito” resulta no sólo en la deportación, sino en la detención por períodos que pueden durar años. En septiembre de 2008 se realizó la mayor redada de la historia estadounidense en Postville, Iowa. Trescientas personas fueron arrestadas, acusadas no sólo de inmigración ilegal, sino de robo de identidad, un cargo con penas muy severas. La acusación no hubiera resistido el escrutinio en un tribunal, pero las presiones y amenazas, el miedo, el desconocimiento de las leyes y la ausencia de abogados hicieron que la mayoría de los detenidos se declararan culpables a cambio de sentencias supuestamente más cortas de hasta dos años de prisión.

¿Pero, por qué esa criminalización? Parte de la respuesta se encuentra en las políticas de “seguridad nacional” instauradas después del 11 de septiembre de 2001. El antiguo Servicio de Inmigración y Naturalización (INS), que pertenecía al Departamento de Justicia, fue desmantelado en marzo de 2003, con la mayoría de sus funciones transferidas al Departamento de Inmigración y Aduanas (Immigration and Customs Enforcement-ICE), ahora bajo el Departamento de Seguridad Nacional (Homeland Security). Con un presupuesto anual de casi 6 mil millones de dólares, las funciones del ICE se ampliaron para incluir la “lucha contra el terrorismo” y “amenazas a la seguridad nacional”, funciones muy promovidas en la retórica oficial. Sin embargo, el minúsculo número de terroristas y “amenazas a la seguridad nacional” detenidos (114 de 814,073 de 2004 a 2007) es obviamente insuficiente para justificar el presupuesto o la retórica de mano dura. La respuesta, por lo tanto, es presentar a trabajadores inmigrantes como criminales capaces de amenazar la seguridad nacional.

Pero un factor quizás más importante es la privatización de las prisiones, en lo que se ha venido a llamar el “complejo industrial carcelario”, una industria billonaria que obviamente necesita “clientes”. Los Estados Unidos tiene el mayor porcentaje per cápita de presos del mundo. La privatización de las prisiones no sólo resulta en lucros directos por medio de fondos del Estado. Mucho más lucrativo resulta el trabajo esclavo de los prisioneros, permitido en la 13ª Enmienda Constitucional. Los presos, que para el capitalismo estadounidense son “excedentes sociales”, representan una formidable fuente de mano de obra. Hoy, numerosas empresas utilizan el trabajo de prisioneros que reciben aproximadamente 25 centavos de dólar por hora.

movimiento-justicia-el-barrioLo que se percibe en todo esto es un complejo mecanismo de aprovechamiento de millones de personas que ya no caben en el sistema. En este contexto, las luchas autonomistas juegan un papel fundamental. Para muchos, el sistema es tan complejo y perverso que no hay manera de cambiarlo desde arriba. Las reformas de la administración de Barak Obama ni tienen la intención ni serían capaces, si la tuvieran, de reestructurar el sistema en sus bases. Para las comunidades de mero abajo, la única alternativa viable es la organización comunitaria autónoma y la vinculación con otras luchas en el país y en el mundo.

(*)NOTA: El autor es escritor y periodista alternativo, miembro del colectivo Radio Zapatista y doctorando en literatura latinoamericana.

Manifestación de “Movimiento por la Justicia en El Barrio”; New York (Fotos de Cecile Lumer)

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Documental especial sobre el 25 y 15 aniversario del EZLN

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