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Radio Zapatista

“Sonhando a Terra do Bem Virá” se publica no Estado Espanhol

Junto com a Teia dos Povos, a Rádio Zapatista acaba de publicar no Estado Espanhol a versão ampliada, em espanhol, do livro Sonhando a Terra do Bem Virá, publicado originalmente no Brasil em 2025:

Soñar otro mundo es posible
Zapatismo, autonomía y el Tejido de los Pueblos

No contexto da crise civilizatória global, e como forma de imaginar e estimular a construção de alternativas de vida, o livro percorre as diferentes áreas da autonomia zapatista.

Como funcionam o autogoverno, a justiça própria, a educação e a saúde autônomas, a soberania econômica, a autodefesa e a comunicação? Qual é o papel das mulheres na construção de outros mundos possíveis? E das artes e das ciências? Em que consistem as grandes mudanças em curso nas estruturas de governo autônomo e na proposta do Comum?

A intenção do livro é aproximar o leitor da experiência viva da autonomia no território zapatista hoje.

Ao mesmo tempo, o livro conecta a experiência zapatista à da Teia dos Povos, essa grande articulação de movimentos indígenas, negros e populares do campo e da cidade no Brasil, que compartilha a visão da autonomia radical como alternativa para a crise global.

(Baixe o flyer em alta resolução aqui)

Escreve Bruno Baronnet:

Distante do estilo jornalístico ou acadêmico, este livro é uma poderosa crônica dos combates contemporâneos e, ao mesmo tempo, uma valiosa ferramenta de formação intelectual e militante.

Com uma prosa lúcida e vibrante, o livro nos oferece um percurso pelas diferentes áreas da autonomia zapatista em Chiapas. Pela primeira vez, uma obra examina a construção do Comum a partir dos novos mecanismos de governo autônomo, contemplando tanto a educação quanto a saúde autônomas, a soberania econômica, a autodefesa, o papel das mulheres e a função das ciências e das artes no zapatismo. Ao mesmo tempo, enriquece o olhar ao conectar a construção zapatista com a experiência dessa grande rede de comunidades, povos e organizações autonomistas chamada Teia dos Povos, no Brasil.

O que o livro deixa claro é que, no contexto da crise civilizatória global que vivemos, essas práticas de autonomia integral ressoam muito além da América Latina. Através do prisma de dois movimentos emblemáticos do México e do Brasil, esta obra de referência interpela nossa capacidade de pensar e construir um mundo novo, aqui e agora, por meio de uma articulação popular e radical das lutas pela vida.

O livro, distribuído pela editora Traficantes, está disponível em livrarias de todo o Estado Espanhol e também online em Traficantes.net.

Para mais informações, escreva para: radiozapatista@protonmail.com

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Radio Zapatista

Se o México sabe, que o mundo saiba! Nossas lutas pela memória, a justiça e a dignidade

Nestes dias, que para alguns são de celebração e euforia nacional, aqueles que há décadas resistem, caminham e levantam a voz nos mostraram — como bem nos dizem Camila, Berenice e todxs aquellxs que têm marchado nestes dias — a verdade mais dura: se aqueles que buscam se cansam, este país fica sem memória, sem rumo e sem futuro. O México ainda é isto: dor, individualismo, consumismo e violência, mas também pessoas, coletivos e comunidades que, apesar de tudo, continuamos acreditando que outra vida é possível.

A Copa do Mundo da festa, mas também da dor e da dignidade

Camila Zárraga

O problema muitas vezes não é a falta de solidariedade. Muitas vezes é o medo. É a covardia com que muitas pessoas aprenderam a viver. E, sinceramente, me incomodam as mensagens que dizem que eu tenho um valor que os outros não têm. Não é porque eu não entenda; eu entendo o suficiente. Mas também estou cansada. Porque eu não sou uma super-heroína, não sou diferente do resto. Continuo sendo uma pessoa que marcha, fala, chora, erra e sente medo. A verdadeira coragem é outra coisa. A verdadeira coragem é levantar todos os dias sabendo que dois dos momentos mais importantes da sua vida foram o nascimento do seu filho e o desaparecimento dele. A verdadeira coragem é continuar ensinando porque você ama seu trabalho, mesmo sem receber o suficiente para fazê-lo com dignidade.

Perdi a conta das vezes em que tive que sair da aula para comprar um marcador para que a aula pudesse continuar, porque simplesmente não havia orçamento. E, ainda assim, pela primeira vez em dezoito anos, eu amei a educação. Eu amei as pessoas com quem estudo e com quem compartilho a vida. Eu prefiro mil vezes uma escola pública a uma privada. Não pela educação em si, porque muitas vezes a educação pública também tem problemas enormes. Eu a prefiro pelas pessoas. Porque se amanhã eu me tornar uma das dezenas de pessoas que desaparecem diariamente neste país, muitos dos meus antigos colegas diriam que eu procurei isso por ser revoltosa. Em contrapartida, a família que construí aqui, o carinho que encontrei em pessoas com quem jamais imaginei cruzar meu caminho, moveria céu e terra para me encontrar.

É triste ver pessoas que se acham ricas quando os verdadeiramente ricos nem sequer as consideram suas iguais. É triste vê-las brigando por uma Copa do Mundo enquanto neste país seguimos contando desaparecidos. É triste admirar pessoas por sua trajetória e depois vê-las celebrar enquanto, do outro lado, pessoas eram espancadas, detidas e humilhadas por exigir justiça. Também é triste ver como o trabalhador que deveria te proteger acaba protegendo os interesses de quem o explora.

No caminho até o estádio vi a polícia avançando. E foi triste vê-los porque também são trabalhadores. Mas são trabalhadores que podem espancar, torturar ou até matar. Me perdoem, mas por algo existe a frase: “polícia com consciência atira em si mesmo”. Às vezes me pergunto como conseguem dormir. Como conseguem abraçar suas mães depois de terem humilhado outras mães que apenas exigiam que fizessem seu trabalho. Um trabalho que eu e você pagamos com nossos impostos. Um trabalho que deveria evitar que existissem as mães buscadoras. Porque não é normal que elas existam. Não é normal admirá-las. Não é normal que haja mulheres atravessando desertos, valas comuns e estradas em busca de seus filhos. São pessoas de quem tiraram alguém que amavam: um filho, uma filha, um irmão, uma mãe, um pai. São a consequência de uma violência que permitimos que se tornasse normal.

E, ainda assim, isso também é o México.

O México é celebrar com nossos mortos e ao mesmo tempo chorá-los. É lembrá-los em um altar enquanto ainda os buscamos. É ver jovens que, apesar de todas as dificuldades, conseguem acessar a educação pública e se organizar para defender a vida, a memória e a dignidade.

Por isso foi tão significativo marchar e fechar a Avenida de Tlalpan junto com eles. É algo pelo qual sempre vou ser grata. A recepção que nos deram foi uma das coisas mais bonitas que já vivi. Ver seus rostos cheios de emoção, esperança e convicção foi inspirador. E essa emoção está começando a voltar à minha universidade. Aos poucos, companheiras e companheiros estão recuperando sonhos e esperanças que durante anos nos foram tirados. Aos poucos voltamos a acreditar que podemos construir algo melhor. E vamos continuar lutando para que um dia a Universidade Autônoma do Estado de Morelos esteja à altura das grandes universidades públicas do país, não pelo prestígio, mas pela organização, participação e comunidade. Se você precisa de ajuda para organizar uma marcha, uma denúncia ou uma greve, procure seus irmãos e irmãs do Politécnico. Certamente encontrará uma mão estendida. Se você precisa de apoio de quem está apenas começando a se organizar e defender sua universidade, procure a UAEM. Com prazer caminharemos com você. Porque esse caminho está cheio de repressão, violência, desigualdade, humilhações e promessas vazias. Mas também está cheio de algo mais importante: pessoas que, apesar de tudo, ainda acreditam que outro país é possível.

Registro visual: Mães buscadoras, 10/06/2026, imediações do Estádio Azteca.

Onde a justiça não entra, nós entramos

A. Berenice González Marín

Meu nome é Berenice. Às vezes penso que minha vida foi se construindo entre buscas: as que acompanho de fora e as que me atravessaram por dentro. Antes de me integrar à coletividade de acompanhamento a mães buscadoras e a famílias de vítimas de feminicídio, Existimos porque Resistimos, eu já havia percorrido esse território com minha própria mãe, entre 2017 e 2018, quando buscávamos minha irmã e meus sobrinhos. Desde então entendi que o desaparecimento não é um fato isolado: é uma forma de vida, uma maneira de se sustentar quando o mundo se rompe.

Meus estudos em humanidades nasceram do desejo de compreender as desigualdades e violências com as quais cresci, mas também da necessidade urgente de aprender a resisti-las conscientemente. A academia chegou depois, como ferramenta; mas a formação verdadeira, aquela que fica no corpo, veio das ruas. Nos últimos dez anos aprendi mais em acampamentos e protestos do que em seminários; mais nas promotorias do que nas bibliotecas; mais ouvindo uma mãe narrar a vida de sua filha enquanto esperamos que alguma instituição nos receba do que em qualquer aula sobre teoria do Estado.

Acompanhar significa estar quando se ocupam as ruas, quando se fecham avenidas, quando se erguem faixas diante de prédios que parecem surdos. Significa caminhar juntas até uma promotoria que promete nos receber “em um momento” e nos deixa esperando horas. Significa sustentar o olhar quando uma mãe abre o processo de investigação e encontra mais carimbos do que respostas. Significa ouvir, repetidas vezes, histórias que deveriam estremecer o país inteiro, mas que muitas vezes só comovem quem já está quebrado.

Nesse 11 de junho de 2026, enquanto o país olhava para o Estádio Azteca como se ali começasse algo novo, algumas de nós chegamos de outro lugar: de anos de buscas, de promotorias, de ruas ocupadas, de histórias que não cabem em nenhuma celebração. Onde a justiça não entra, nós entramos — e esse dia não foi exceção. A inauguração da Copa do Mundo prometia espetáculo, e ele existiu para alguns; para outras e outros mostrou, embora quase não tenha aparecido na mídia, a forma como o Estado encapsula a memória. Entre grades, bloqueios e filtros impossíveis para as mães buscadoras, uma mãe de vítima e eu conseguimos avançar pelas frestas do dispositivo de segurança, nos infiltrando com a teimosia de quem sabe que a ausência também merece um lugar no centro da festa, ainda que naquele momento não tivéssemos plena consciência disso. Porque, apesar da experiência nas ruas, ainda somos estranhas à lógica do Estado sobre quem pode entrar, como e de onde, especialmente em um evento como a Copa do Mundo.

Não é difícil chegar ao Estádio Azteca. Desde cedo, os arredores se enchem de vendedores que organizam camisas e apitos de plástico. O clima já cheira a festa antes mesmo de começar. Mas naquele dia eu não ia para a celebração: tinha marcado encontro na Paloma de la Paz com a mãe de uma vítima de feminicídio. Combinamos de nos encontrar às 6h30 da manhã para pegar um desses carros particulares que, por sessenta pesos, levam até a Cidade do México. Para mim parecia tarde para um dia que prometia caos, mas entendi seus tempos, suas responsabilidades e seu orçamento.

Ao entrar no carro, ela começou a conversar com outro passageiro e com os donos do veículo. Não era conversa casual: estava testando o terreno, tentando entender o panorama. Ao chegar à praça de pedágio, soubemos que havia bloqueios para identificar quem iria protestar. Senti inquietação, uma mistura de alerta e incerteza. O pior que poderia acontecer era ser detida por carregar uma faixa de desaparecidxs e ela seguir sozinha. Legalmente não podiam nos impedir de passar, mas podiam nos reter por horas “por segurança”, como costumam justificar.

Isso não aconteceu. Estavam apenas parando ônibus. Felizmente eu estava em um carro particular.

Os jovens com quem viajávamos no veículo, gentis, deram várias rotas possíveis para chegar ao estádio sem cair em manifestações ou bloqueios. Eu, mais dispersa, tentava entrar em contato com outras mães buscadoras, mas não conseguia falar com ninguém. Então decidimos seguir as recomendações.

Ainda assim, fizemos uma parada na Cidade Universitária, onde havia sido anunciado um ponto de encontro de mães buscadoras. Chegamos e não havia sinal delas. A segurança insistia que haveria uma concentração, mas não vimos ninguém. Sem pensar muito, pegamos transporte público rumo ao Estádio Azteca.

No trajeto vimos várias opções para chegar. Uma van oferecia o trajeto de CU ao estádio por 150 pesos, quando normalmente a passagem custa sete. Esse espaço estava cheio de estrangeiros. A mãe observou a cena, escolheu a pessoa em quem mais confiou e se aproximou. Explicou que precisava chegar ao estádio porque era mãe de uma vítima. Não foi a única vez que fez isso. Poucos se negaram a ajudar; a maioria deu orientações precisas: onde estavam encapsulando as mães, por quais acessos poderíamos avançar sem sermos barradas, qual transporte pegar, onde descer, como nos misturarmos na multidão para não chamar atenção.

Alguns até nos deram conselhos caso a autoridade se tornasse violenta e explicaram o que era ou não legalmente permitido impedir. Era uma mistura estranha: de um lado, o país do espetáculo; do outro, o país que sobrevive compartilhando rotas, alertas e estratégias para contornar a violência institucional.

Enquanto isso, ao nosso redor, famílias inteiras avançavam com passos leves, como se a emoção marcasse o ritmo. Havia risos, selfies, crianças com o rosto pintado. Tudo parecia feito para que a festa começasse antes mesmo dos portões. Nós, ao contrário, avançávamos com outra urgência: chegar sem ser detidas, sem ser encapsuladas, sem que a memória fosse expulsa do perímetro do estádio.

E chegamos. Só percebemos quando já estávamos a poucos metros da entrada. Passamos por cada filtro sem sermos barradas, recebemos a recepção sem entender, e de repente nos perguntamos: é aqui? Este é o último bloqueio? Onde estão as mães, onde estão os povos em luta? Por um momento pensamos que talvez só restasse voltar.

Abrimos a faixa dos desaparecidos e a foto da filha da minha companheira. Éramos duas diante de milhares que vinham celebrar a Copa e diante de um dispositivo de segurança que não esperava nos ver ali. Caminhamos alguns metros com a intenção de seguir em direção a Taxqueña para voltar. Íamos no sentido contrário ao desfile de inauguração. A cena era irreal: um México sem feminicídios nem desaparecimentos, sem dor, sem corpos nos Semefo nem em valas clandestinas. Um país que mostrava seu rosto mais bonito enquanto ignorava a violência.

Vimos vários meios de comunicação. Em um momento, a mãe me disse para erguer a faixa e ficar atrás dos repórteres. Hesitei no início. Até que deixou de ser sugestão e virou decisão. Abrimos a faixa e nos colocamos atrás de cada repórter que encontramos. Alguns pararam para nos entrevistar; outros se afastaram para não mostrar esse lado do país.

O que mais me surpreendeu foi o apoio dos torcedores. Eles nos acolhiam quando a segurança nos cercava ou nos seguia. Diziam: “companheiras, estamos com vocês”. Esse apoio inesperado nos acompanhou até sairmos do perímetro do Estádio Azteca, um espaço ao qual milhares de mães não puderam chegar naquele dia.

No caminho encontramos um grupo de resistência, jovens entre quinze e vinte anos, que nos convidaram a nos unir à marcha deles. Senti novamente esse apoio que nasce de baixo, de quem entende que o desaparecimento não é um tema distante. Embora fôssemos apenas nós duas em representação das mães buscadoras, as palavras de ordem se centravam na luta contra o desaparecimento.

Os meios de comunicação voltaram a nos abordar. Em certo momento, aproximou-se o secretário de Cultura. Disse que não poderíamos avançar além da primeira barreira, mas que, se quiséssemos fazê-lo como mães buscadoras, eles nos apoiariam. A proposta parecia irreal. Tínhamos acabado de sair do estádio sem dificuldade, com nossa faixa e a foto de uma vítima, e agora surgiam obstáculos e “apoio”. Não era que não fosse possível entrar: já tínhamos entrado. Era que não queriam que avançássemos visíveis como buscadoras.

Ainda assim, depois de tudo, o que fica não é o barulho do estádio nem a sombra das grades. O que fica é a força dessas mãos que seguram fotografias como se segurassem o mundo inteiro. O que fica é o tremor de uma mãe que não desiste. O que fica é esse passo firme, quase silencioso, que insiste em avançar mesmo quando tudo foi feito para deter.

Porque em um país que tenta se acostumar com a dor, elas continuam lembrando que a vida que falta não se esquece. Que cada nome é um batimento. Que cada ausência é um chamado. Que cada busca é uma forma de amor que não conhece fronteiras.

E talvez por isso doa tanto e, ao mesmo tempo, sustente: porque enquanto elas continuarem caminhando, este país ainda tem a chance de se olhar de frente. Enquanto continuarem nomeando, a verdade não poderá ser enterrada. Enquanto continuarem buscando, a esperança não será um luxo, mas uma tarefa.

Naquele dia, 11 de junho de 2026, entendi que a memória não é passado: é um pulso presente que obriga a não desistir. Em um país onde a violência vira paisagem e a impunidade se normaliza, a memória é a única coisa que não podemos soltar. É a respiração que persiste quando tudo parece feito para que esqueçamos.

No fim, o que fica é reconhecer algo que este país evita dizer: a vida pública funciona porque aquelas que mais sofreram continuam se movendo. Não é heroísmo; é necessidade. Não é épico; é sobrevivência. E enquanto o Estado administra a violência como rotina, são as famílias que carregam o trabalho que as instituições não fazem.

Esse dia deixou claro para mim que a memória não é gesto simbólico nem moral: é uma obrigação imposta pela realidade. Se ela não se sustenta, tudo desmorona mais rápido. E no México, a busca não continua porque haja justiça, mas porque não há outra opção. Porque se as mães param, ninguém mais fará.

Não somos poucas diante do desaparecimento e do feminicídio. Somos aquelas que veem o que outros preferem ignorar. Somos aquelas que não podem se dar ao luxo de esquecer. Somos aquelas que sustentam o que resta do país enquanto, no alto, se distribuem versões oficiais que não explicam nada. E essa é a verdade mais dura: se quem busca se cansa, este país fica sem memória, sem rumo e sem futuro.

Manifestação de mães buscadoras e coletivos solidários nas proximidades do Estádio Azteca, 11/06/2026

Pronunciamento mães buscadoras 10/06/2026

A luta do magistério

No mundo atual, tudo o que se move e tudo o que está parado transmite alguma mensagem comercial. Todo jogador de futebol deve ser um outdoor publicitário ambulante, incentivando o público a consumir produtos, mas a FIFA proíbe que os jogadores portem mensagens que incentivem a solidariedade social, o que é expressamente vetado… (E. Galeano, 2017)

A Memória, a Justiça e a Dignidade não compareceram à inauguração oficial da Copa do Mundo no Estádio Azteca. Sua entrada foi negada por serem consideradas “terroristas” e por questões de “segurança nacional”. Dentro do estádio, ninguém perguntou por elas, não as mencionaram; possivelmente poucas pessoas as conheciam. Mas elas estiveram presentes nas mobilizações das mães buscadoras e também nos diferentes percursos dos professores da CNTE, que há 15 dias chegaram à Cidade do México para se somar à protesto nacional e fazer ecoar sua voz e a de milhares de outros professores.

Professores da CNTE a caminho do Estádio Azteca. 11/06/2026

Discurso professoras CNTE 11/06/2026

CDMX 15 de Junho 2026

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CNI

[25 abr – CDMX] Tokín por el CNI: 30 años de Resistencia y Rebeldía

Tokín por el CNI
* 30 años de Resistencia y Rebeldía *

25 DE ABRIL, DE 11:00 A 23:00 HRS. CAFÉ ZAPATA VIVE.

ANTROPOLOGOS 56 (ANTES 21B), COL. APATLACO. IZTAPALAPA. METRO APATLACO.

https://www.facebook.com/share/v/1Azm9qzaYF/?mibextid=wwXIfr

#CNI30añosdeRebeldiayResistencia #Somoscaminoycaminantes

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Plataforma Común por Palestina

[CDMX – 12 abril] Actividades artísticas en solidaridad con Palestina

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Frayba

[28 feb – SCLC] Conversatorio “Sí a la vida, no al despojo del territorio”: La Supercarretera SCLC-Palenque

𝐂𝐨𝐧𝐯𝐞𝐫𝐬𝐚𝐭𝐨𝐫𝐢𝐨 “¡𝐒𝐢́ 𝐚 𝐥𝐚 𝐯𝐢𝐝𝐚, 𝐍𝐨 𝐚𝐥 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐨𝐣𝐨 𝐝𝐞𝐥 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫𝐢𝐨!”
El caso de la supercarretera SCLC – Palenque, Chiapas

El Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de Las Casas invita al

𝐂𝐨𝐧𝐯𝐞𝐫𝐬𝐚𝐭𝐨𝐫𝐢𝐨 “¡𝐒𝐢́ 𝐚 𝐥𝐚 𝐯𝐢𝐝𝐚, 𝐍𝐨 𝐚𝐥 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐨𝐣𝐨 𝐝𝐞𝐥 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫𝐢𝐨!”
El caso de la supercarretera SCLC – Palenque, Chiapas.
𝟐𝟖 𝐝𝐞 𝐟𝐞𝐛𝐫𝐞𝐫𝐨 de 2026, 𝟏𝟐:𝟎𝟎 𝐡𝐫𝐬.
𝐓𝐞𝐦𝐩𝐥𝐨 𝐞𝐱𝐩𝐢𝐚𝐭𝐨𝐫𝐢𝐨 𝐒𝐚𝐧 𝐍𝐢𝐜𝐨𝐥𝐚́𝐬
(Gral. M. Utrilla, Centro, 29200, San Cristóbal de Las Casas)

Participan:

  • Modevite Chiapas
  • Centro de Derechos Indígenas A.C.
  • CEMCA-Centro de Estudios Mexicanos y Centroamericanos
  • Frayba Derechos Humanos
  • DESMI A.C.

🔴 𝐒𝐢𝐠𝐮𝐞 𝐥𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐦𝐢𝐬𝐢𝐨́𝐧 𝐞𝐧 𝐯𝐢𝐯𝐨 𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐯𝐞́𝐬 𝐝𝐞 𝐧𝐮𝐞𝐬𝐭𝐫𝐚𝐬 𝐫𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥𝐞𝐬

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Justicia para Samir Flores

[21-22 feb – SCLC] Voces y ecos de la resistencia

Hay voces que no se apagan, son memoria y guia.
Las intentan silenciar. Las persiguen. Las criminalizan.
Pero regresan. Como el viento que no encuentra freno.

🔥 VOCES Y ECOS DE LA RESISTENCIA
📅 21 y 22 de febrero
📍 San Cristóbal de Las Casas

Nos reunimos para nombrar a Samir.
Para exigir justicia.
Para defender la autodeterminación de los pueblos.
Porque la memoria no es un ritual vacío:
es semilla.
es raíz.
es organización.

🗓 SÁBADO 21 – Barrio de Guadalupe
6:00 pm Canción de protesta
6:30 pm Proyección del documental “Samir”
7:00 pm Sembrando Vida en Chiapas (CECAM)
7:30 pm Conversatorio: Defensa de los Derechos Humanos, Tierra y Territorio

🗓 DOMINGO 22 – Barrio de La Merced
5:00 pm Taller sobre defensa y cuidado de la Madre Tierra
6:00 pm Proyección de “Samir” y lectura de los nombres de defensorxs asesinadxs y desaparecidxs

No es solo una jornada.
Es un encuentro por la vida.
Es memoria que lucha.
✊🏽 Justicia para Samir.

🌱 Autodeterminación para los pueblos.
Comparte. Asiste. Figuende.
Que la resistencia se vive, se nombra y se organiza.

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Libertad para Miguel Peralta

Conferencia virtual por la libertad de Miguel Peralta

Martes 17 de febrero
12 hrs.

Después de varias semanas de retraso en el plazo que tenía el Tribunal para discutir el amparo 631/2022 de nuestro compañero Miguel Peralta, por fin se ha listado el caso para discutirse este VIERNES 20 DE FEBRERO. Los magistrados a cargo de emitir esta sentencia tienen la posibilidad de evitar el racismo institucional que ha ejercido el poder judicial en este caso durante más de una década; esa forma de actuar desde los escritorios sin mirar las realidades de los pueblos.

Les invitamos a conectarse a esta conferencia para compartirles mas detalles del caso de nuestro compañero y las próximas acciones a través del enlace:

https://meet.jit.si/ConferenciaMiguelPeralta

O seguir la transmisión en vivo a través de las redes:
FB: Libres Ya
IG: Libres.Ya

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Las Abejas de Acteal

[13 feb] Conferencia de prensa, Las Abejas de Acteal

La Organización Sociedad Civil Las Abejas de Acteal, dará a conocer y aclarar públicamente su posición respecto al “amparo relacionado con personas desplazadas del 94 al 97 en Acteal, Chenalhó. resuelto por la Suprema Corte de Justicia de la Nación.”

🗓️ Fecha: hoy 13 de febrero
⏰ 3:00 pm
📍Tierra Sagrada de los Mártires de Acteal

🔴 sigue la transmisión en vivo a través de Facebook.

Invitamos a todas y todos los organizaciones y representantes de los medios de comunicación a estar pendientes para garantizar una información veraz y directa desde nuestra voz colectiva.

Atentamente,

La Mesa Directiva de la Organización Sociedad Civil Las Abejas de Acteal

Representantes de las y los Sobrevivientes.

Desde la Tierra Sagrada de los Mártires de Acteal, Chenalhó, Chiapas, México.

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CNI

[:es][NY – 9 dic] Actividad en el marco de las Jornadas por la Vida de Azqueltán[:en][NY – 9 Dec] Activity in the context of the Mobilizations for the Life of Azqueltán[:]

#MarcosVive

Protect Mother Earth + Autonomy
Proteger a la Madre Tierra + Autonomía

Denounce Impunity
Denunciar la impunidad

27 E 39TH ST, NEW YORK,
5:00 PM

La tierra se protege y defiende

9 Dec 2025, NEW YORK, NY O

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Amigos de Mumia MX

[:es][CDMX – 9 dic] Acto político-cultural por la libertad de Mumia Abu Jamal y por la organización del homenaje de Carolina Saldaña[:en][CDMX – 9 Dec] Political–cultural event for the freedom of Mumia Abu-Jamal and to organize the tribute to Carolina Saldaña[:]

[:es]

9 de diciembre 2025
12 pm Embajada de los Estados Unidos. Av Reforma
Vamos por la vida y la libertad!

Acto político-cultural por la libertad de Mumia Abu Jamal y por la organización del homenaje de Carolina Saldaña, periodista, compañera y luchadora incansable.

El 9 de diciembre de 1981 en Estados Unidos fue detenido y encarcelado Mumia Abu Jamal, periodista afroamericano, acusado falsamente de asesinar a un policía. Esta situación indigno al mundo y las voces contra el racismo se levantaron. Tras 44 años de encierro, la mayoría en el corredor de la muerte, la lucha por su libertad sigue vigente. Por lo que queremos proponerles continuar con el legado de nuestra compañera Caro y realizar el acto político-cultural frente a la Embajada de Estados Unidos en la Ciudad de México; esta actividad nos une a quienes toman las calles en diferentes geografías del mundo para exigir la libertad de Mumia Abu-Jamal.

También les invitamos a recordar y honrar la vida de Carolina Saldaña, con presencia de en esa fecha que fue tan importante para ella y en ese mismo lugar en el que se ha llevado a cabo desde hace más de 25 años, que de manera simbólica estará presente a través de sus cenizas.

Convocamos a quienes quieran ser parte de esta actividad a escribir sus propuestas al Fb Amigxs de Mumia Abu Jamal antes del 5 de diciembre.

Dentro de esta misma actividad tomaremos un espacio para quienes quieran participar en la organización de un homenaje para nuestra querida Carolina.

Con Amor, Sin miedo.

[:en]

December 9, 2025
12 p.m. – U.S. Embassy, Reforma Avenue
We march for life and freedom!

Political–cultural event for the freedom of Mumia Abu-Jamal and for the organizing of a tribute to Carolina Saldaña, journalist, compañera, and tireless fighter.

On December 9, 1981, in the United States, Mumia Abu-Jamal, an African-American journalist, was arrested and imprisoned, falsely accused of killing a police officer. This injustice outraged the world, and voices against racism rose up. After 44 years of imprisonment—most of them on death row—the struggle for his freedom continues. For this reason, we want to propose continuing the legacy of our compañera Caro by holding the political–cultural event in front of the U.S. Embassy in Mexico City. This action joins us with others who take to the streets in different parts of the world to demand freedom for Mumia Abu-Jamal.

We also invite you to remember and honor the life of Carolina Saldaña, by being present on this date that meant so much to her, and in the very place where this event has taken place for more than 25 years—where she will be symbolically present through her ashes.

We call on all who want to take part in this activity to send their proposals to the Facebook page Amigxs de Mumia Abu-Jamal before December 5.

Within this same event, we will hold space for anyone who wishes to participate in organizing a tribute to our beloved Carolina.

With love, without fear.

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