Noticias:

agroecología

image/svg+xml image/svg+xml
radio
Radio Zapatista

Uma aliança negra, indígena e popular para mudar o mundo: VIII Jornada de Agroecologia da Teia dos Povos

Texto: Radio Zapatista | Fotos: Teia dos Povos | Vídeos: Teia dos Povos e Radio Zapatista

Enquanto no planeta o ódio, a intolerância e a imposição do mundo único se propagam como vírus, no Brasil milhares de pessoas se reúnem na VIII Jornada de Agroecologia da Bahia, organizada pela Teia dos Povos, uma grande aliança negra, indígena e popular do campo e da cidade, para refletir sobre o estado do nosso mundo, continuar construindo autonomias e celebrar a grande pluralidade de formas de ser, viver, resistir e criar vida fora da lógica do capital e do Estado.

A Teia dos Povos nasceu em 2012 perante a compreensão de que nem os povos indígenas, nem os povos afrodescendentes, nem os povos camponeses, nem os sem-terra, nem as luchas populares urbanas poderão enfrentar sozinhos a espoliação e a violência de um sistema cada vez mais voraz. Foi assim que começou a construção dessa grande articulação de movimentos sociais autonomistas de baixo e à esquerda no campo e na cidade, que hoje inclui um grande número de núcleos em dez estados do país.

A Teia dos Povos se organiza em núcleos de base — territórios onde se constrói e defende a autonomia — vinculados em rede por meio de elos da teia — organizações, coletivos e indivíduos sem um território próprio, que servem de apoio e vinculação entre os diferentes núcleos. Cada dois anos, a Jornada de Agroecologia reúne milhares de membros dos povos indígenas, afros e populares do campo e da cidade para continuar construindo essa grande articulação de autonomias.

Esta VIII Jornada aconteceu pela primeira vez na cidade de Salvador, Bahia: a cidade mais negra do Brasil, com uma população em torno a 80% afrodescendente, com uma rica cultura derivada de séculos de resistência em um contexto de racismo sistêmico e de repressão por parte das forças policiais, que na Bahia são as mais mortais do país, como denunciou Thiago Torres durante a Jornada. Com o tema “Aliança do campo e da cidade para o combate à fome e à pobreza”, a VIII Jornada reuniu vários milhares de pessoas de diversos estados do Brasil, do 29 de janeiro ao 2 de fevereiro de 205.

Ancestralidade viva

Os povos resistem e constroem outras realidades a partir da sua própria visão de mundo, diferente e oposta à imposta pelo capitalismo, e da sua conexão com uma ancestralidade que é o fundamento dessa visão. Assim, entre as reflexões e denúncias das diversas violências sofridas pelos diferentes povos reunidos, a celebração da ancestralidade está sempre presente. É por isso que a inauguração da Jornada no 29 de janeiro começou com um ritual de apertura dos povos indígenas e outro dos povos pretos:

Trata-se de uma espiritualidade nunca desvinculada do político, uma espiritualidade que dá sentido à luta pela vida e pelo cuidado dos territórios, em sua dimensão sagrada tão diferente do pensamento utilitário capitalista. Uma espiritualidade que celebra a vida com alegria, com os orixás, inquices e voduns africanos e os encantados indígenas e outras entidades dançando, celebrando, lutando, resistindo e reexistindo entre os vivos.

Pensar com o coração

Reflexão para a luta, o pensamento crítico coraçonado é fundamental para a construção de alternativas de base no contexto da “tormenta”, da crise civilizatória atual. Entender a conjuntura atual no Brasil e no mundo, que põe em risco a própria vida no planeta, é tarefa imprescindível dos povos em luta. Assim, a Jornada começou com uma análise da conjuntura na plenária, seguido de grupos de discussão denominados malocas de saberes, com os temas: terra e território, saúde, educação e agroecologia populares, entre outros. Ali se discutiram não apenas as problemáticas, mas também as iniciativas para recuperar e defender a terra e construir a autonomia nos diversos territórios, que vão de aldeias indígenas a quilombos afrodescendentes, assentamentos do MST, periferias urbanas e outros.

Além disso, acadêmicos e pesquisadores de todo o Brasil se reuniram em mesas temáticas para compartilhar seus trabalhos, lançando um olhar outro sobre a realidade dos territórios a partir da valorização dos conhecimentos e saberes das próprias comunidades. Os eixos temáticos incluíram: educação do e no campo, educação contextualizada e educação popular; agroecologia, câmbios climáticos e sistemas agroflorestais; ancestralidade, cultura e arte; conflitos territoriais, meio ambiente, Estado e sociedade; soberanias populares.

Mulheres, juventudes, infâncias e outros amores

Para a Teia dos Povos, como para o zapatismo, as mulheres são fundamentais na construção de outras realidades. Em plenária, a terceira noite do encontro, as mulheres realizaram uma grande roda onde, depois do canto coletivo, dialogaram sobre diversos aspectos da sua vida nos territórios, suas organizações e suas iniciativas comunitárias, assim como as estratégias coletivas para enfrentar o patriarcado e o papel da mulher na luta por terra e território.

Nessa roda de mulheres apresentou-se também uma nova iniciativa: a criação do Coletivo TransTeia, no qual se organizam as pessoas trans em sua luta contra a LGBTfobia e a violência de gênero. Discutiu-se a presença “transcestral” e de outras corpas dissidentes na Teia dos Povos. Denunciou-se a violência que sofrem as dissidências sexuais no Brasil, país que nos últimos 16 anos consecutivos ocupa o primeiro lugar em assassinatos de pessoas trans e travestis. Com poesia, dignidade e alegria apesar de tudo, foi declarado inaugurado o Coletivo TransTeia.

Para a Teia dos Povos, a juventude é também fundamental. Nesta VIII Jornada de Agroecologia, a juventude foi responsável por honrar as companheiras e companheiros ausentes, aquelas e aqueles que se encantaram nos últimos anos. Centenas de jovens realizaram um cortejo com cantos, estandartes e ferramentas de trabalho para celebrar a vida das e dos ausentes, terminando com uma grande roda onde os jovens fizeram demandas coletivas e compartilharam experiências e criações artísticas.

No fim da Jornada, os jovens escreveram esta Carta da Rede de Juventude da Teia dos Povos da Bahia.

As crianças não podem faltar, nunca. Na Jornada criou-se um Terreiro Lúdico onde, além dos muitos jogos e brincadeiras, houve contação de histórias, leitura de livros educativos, uma visita a uma biblioteca móvel, distribuição de livros, uma exposição da Rede de Zoologia Interativa e teatro de fantoches.

Rede de Capoeiristas da Teia dos Povos

A capoeira é uma arte marcial anticolonial criada pelos escravizados no Brasil em sua luta pela liberdade, a partir de tradições ancestrais africanas. À diferença de outras artes marciais concebidas como meios de combate frontal em situações de guerra, a capoeira é uma arte dos subalternos, uma arte de combate furtiva, clandestina: uma guerra de guerrilhas. É por isso que a manha, o engano,  o jogo que esconde o ataque supressivo, o mistério, a magia, o poder do encantamento são a própria essência da capoeira: a mandinga. Jogo, dança, música, acrobacia, luta e ancestralidade se misturam numa arte que vai muito além de uma simples técnica de combate, com um forte vínculo com as práticas espirituais de matriz africana.

Durante a Jornada, inaugurou-se a Rede de Capoeiristas da Teia dos Povos, considerada fundamental na autodefesa dos povos, que por sua vez é uma das dimensões essenciais da construção da autonomia. Para celebrar a criação da Rede de Capoeiristas, realizou-se uma grande roda de capoeira na qual participaram diversos mestres e mestras, mulheres, homens e crianças.

Sem dança não há revolução

Sem dança não há revolução, dizem que dizem. Nada mais verdadeiro nesta VIII Jornada, em que a dança, a música e a celebração da vida foram onipresentes. Perante a espoliação, a dignidade; perante a violência, o respeito e a alegria; perante a competição e o lucro, a solidariedade e o comum; perante a morte, a vida; perante a dor, a dança. Em todo lugar, em todo momento, grandes ou pequenas rodas de música e dança, celebração e vida, surgiam, planejadas ou espontâneas.

Um dos momentos mais alegres foi o samba de roda Quixabeira da Matinha, composto por agricultoras e agricultores da comunidade quilombola Matinha dos Pretos, com 35 de luta e resistência, com músicos autodidatas que receberam o conhecimento dos mais velhos e por sua vez o transmitem aos mais jovens.

Também esteve presente Bule-Bule, músico, repentista, escritor e poeta, referência das tradições musicais nordestinas e companheiro da Teia dos Povos. Com a gente também esteve o compositor, cantor e músico Mateus Aleluia, originário de Cachoeira, guardião de saberes ancestrais do povo negro e um dos mais importantes compositores da música popular brasileira.

Soberania alimentária e a arte de compartilhar

Um dos principais eixos da Teia dos Povos é a soberania alimentar, assim como a cultura da compartição, da coletividade e da solidariedade. As muitas caravanas organizadas de uma grande diversidade de geografias do Brasil montaram refeitórios comunitários autônomos com alimentos cultivados nos territórios, oferecendo café da manhã, almoço e janta para os milhares de pessoas presentes na Jornada. Comer em coletivo, compartilhar histórias, agradecer as muitas mãos e corações que possibilitaram essa abundância generosa e solidária virou, assim, um ato político de construção de outra forma de viver e de nos relacionarmos, em um mundo regido pela lógica do lucro a qualquer custo.

Ao longo de todo o evento, houve também uma Feira Agroecológica dos Povos, com membros de diversas comunidades, assentamentos, quilombos e aldeias da Teia dos Povos vendendo artesanato, alimentos e todo tipo de produtos produzidos pelos povos organizados.

Literatura e poesia

Evidentemente, não poderia faltar uma feira literária, onde se lançaram livros publicados pela Editora da Teia dos Povos e outras editoras companheiras e independentes, como a Glac Edições, além de debates, leituras e um sarau poético no qual, entre muitas e muitos outros poetas, se apresentou o companheiro Nelson Maca (leia/escute a entrevista com Rádio Zapatista em agosto de 2016).

Zapatismo, Autonomia e a Teia dos Povos

Um dos eventos nesta VIII Jornada de Agroecologia da Bahia foi o lançamento do livro Sonhando a Terra do Bem Virá: Zapatismo, Autonomia e a Teia dos Povos, uma colaboração entre Rádio Zapatista, a Teia dos Povos e a editora independente Glac Edições.

A proposta política da Teia dos Povos é, em muitos sentidos, semelhante à construção zapatista e, sobretudo, à proposta da Sexta Declaração da Selva Lacandona: a criação, fortalecimento e multiplicação de autonomias locais, cada uma de acordo às suas formas, e sua vinculação em rede, com o fim de criar um sujeito político global capaz de enfrentar o sistema de morte que vivemos. As ressonâncias, portanto, entre a construção da Teia dos Povos e o zapatismo são mais que evidentes. Em 2021, a editora da Teia dos Povos publicou o magnífico livro Por Terra e Território, de Joelson Ferreira e Erahsto Felício, que examina as diferentes áreas da autonomia concebidas pela Teia dos Povos e os desafios por construí-las nos seus territórios.

Agora, no livro Sonhando a Terra do Bem Virá, com prefácio de Joelson Ferreira, um dos idealizadores e impulsores da Teia dos Povos, Alejandro Reyes discute as diferentes áreas da autonomia zapatista, suas origens, seu processo de construção, seu funcionamento e os muitos desafios que ainda enfrentam, além de um breve percorrido histórico desde a fundação do EZLN em 1983 até as mais recentes mudanças nas estruturas do governo autônomo e a iniciativa do comum.

 

Leia aqui a Carta da VIII Jornada de Agroecologia da Bahia.

radio
Radio Zapatista

Una alianza negra, indígena y popular para cambiar el mundo: VIII Jornada de Agroecología de la Teia dos Povos

Em português aqui.

Texto: Radio Zapatista | Fotos: Teia dos Povos | Videos: Teia dos Povos y Radio Zapatista

Mientras alrededor del mundo el odio, la intolerancia y la imposición del mundo único se propagan como un virus, en Brasil miles de personas se reúnen en la VIII Jornada de Agroecología de Bahía, organizada por la Teia dos Povos (Tejido o Red de los Pueblos), una gran alianza negra, indígena y de abajo del campo y la ciudad, para reflexionar sobre el estado de nuestro mundo, continuar construyendo autonomías y celebrar la gran pluralidad de formas de ser, vivir, resistir y crear vida al margen del capital y del Estado.

La Teia dos Povos nació en 2012 ante la comprensión de que ni los pueblos indígenas, ni los pueblos afrodescendientes, ni los pueblos campesinos, ni los sin tierra, ni las luchas urbanas de abajo podrán enfrentar por sí solos el despojo y la violencia de un sistema cada vez más voraz. Fue así que se empezó a construir esa gran articulación de movimientos sociales autonomistas de abajo y a la izquierda en el campo y la ciudad, que hoy incluye un gran número de núcleos en diez estados del país.

La Teia dos Povos se organiza en núcleos de base —territorios donde se construye y defiende la autonomía— vinculados en red por medio de eslabones de la red —organizaciones, colectivos e individuos sin un territorio propio, que sirven de apoyo y vinculación entre los diferentes núcleos—. Cada dos años, la Jornada de Agroecología reúne miles de miembros de pueblos indígenas, afros y de abajo del campo y la ciudad para seguir construyendo esa gran articulación de autonomías.

Esta VIII Jornada se realizó por primera vez en la ciudad de Salvador, Bahía: la ciudad más negra de Brasil, con una población de alrededor de 80% afrodescendiente, con una rica cultura derivada de siglos de resistencia en un contexto de racismo sistémico y de represión por parte de las fuerzas policiales, que en Bahía son las más mortales del país, como denunció Thiago Torres durante la Jornada. Con el tema “Alianza del campo y la ciudad por el combate al hambre y a la pobreza”, la VIII Jornada reunió a varios miles de personas de diversos estados de Brasil del 29 de enero al 2 de febrero de 2025.

Ancestralidad viva

Los pueblos resisten y construyen otras realidades a partir de su propia visión de mundo, diferente y opuesta a la impuesta por el capitalismo, y de su conexión con una ancestralidad que es el fundamento de dicha visión. Así, entre las reflexiones y denuncias de las diversas violencias sufridas por los diferentes pueblos reunidos, la celebración de la ancestralidad está siempre presente. Es por eso que la inauguración de la Jornada el 29 de enero inició con un ritual de apertura de los pueblos indígenas y otro de los pueblos negros:

Se trata de una espiritualidad nunca desvinculada de lo político, una espiritualidad que da sentido a la lucha por la vida y por el cuidado de los territorios, en su dimensión sagrada tan diferente del pensamiento utilitario capitalista. Una espiritualidad que celebra la vida con alegría, con los orixás, inquices y voduns africanos y los encantados indígenas y otras entidades danzando, celebrando, luchando, resistiendo y reexistiendo entre los vivos.

(Continuar leyendo…)
radio
Avispa Midia

Intoxicación masiva por insecticida provocó la muerte de millares de abejas en Campeche

Fuente: Avispa Midia

Por Sare Frabes

En portada: Millares de abejas murieron a causa de la contamiación por químicos utilizados en monocultivos de Campeche.

El 22 de marzo de 2023, decenas de apicultores del municipio de Hopelchén, Campeche, en la Península de Yucatán, en particular de las comunidades mayas de Oxa y Suc Tuc, denunciaron ampliamente que millones de abejas estaban moribundas o muertas en sus apiarios.

A dos meses de la contaminación, un estudio realizado en conjunto por el Colegio de la Frontera Sur (ECOSUR), Consejo Nacional de Humanidades Ciencia y Tecnología (CONAHCYT) y por el Centro de Investigación y Asistencia en Tecnología y Diseño del Estado de Jalisco (CIATEJ), publicado el 20 de mayo, revela que las abejas fueron contaminadas por fipronil. “Un insecticida altamente peligroso”, alerta el estudio, aplicado probablemente en monocultivos de la región.

La región “ha sufrido graves daños en materia de apicultura por la agroindustria, la deforestación, la contaminación del agua, cambio de uso de suelo y cultivos transgénicos”, señala en sus redes la Alianza Maya por las Abejas Kabnáalo’on.

La Península de Yucatán es la región productora de miel de abeja más importante de México y hace parte de la história de los pueblos mayas. En la época prehispánica, una de las actividades de mayor relevancia después del cultivo de la milpa maya, fue la cría de abejas nativas.

El grupo de científicos hizo un censo del cual resultan 110 apiarios afectados, en un área de 11,304 hectáreas, pertenecientes a 80 apicultoras y apicultores, con un total de 3,365 colmenas afectadas, lo que representa alrededor de 80% de las colmenas. “Este censo se sigue actualizando, pero desde ahora se puede señalar como uno de los casos más graves de intoxicación de abejas en México”, sostienen.

En términos socio-económicos, la intoxicación de abejas tiene una implicación de, al menos, 13,200 días de empleo rural perdido, y 12,990,418 pesos mexicanos de pérdidas económicas, considerando la producción de miel, la necesidad de enjambres, y el servicio de polinización, se estima en el estudio.

Te puede interesar – México: Exigen mayas detener uso de glifosato en sus tierras

El informe también alerta que existe un daño ambiental, pues además de las abejas de los apicultores, “sin ninguna duda”, fueron afectadas las abejas nativas, de las cuales la Península de Yucatán alberga al menos 233 especies. Entre estas especies figura Melipona beecheii, parte del patrimonio biocultural del pueblo Maya, bajo el nombre de Xunan Kab’.

El estudio apunta que los daños más grandes, más que económicos, son inmateriales e imposibles de cuantificar. Se trata de afectación al patrimonio biocultural que representan las abejas para la cultura maya.

“Es momento de aplicar las leyes y normas que castiguen a los responsables de estas prácticas ecocidas, así como de respetar los tratados internacionales que protegen la biodiversidad y la integridad de los habitantes de los pueblos”, señala la Alianza Maya por las Abejas Kabnáalo’on.

radio
Radio Zapatista

Teia dos Povos: Construyendo otros mundos posibles en Brasil

Armados de palas y azadones, mujeres y hombres se dirigen a la tierra donde se plantará el nuevo cafetal con técnicas agroecológicas. Otro grupo se reúne en el vivero, donde se preparan los almácigos y se siembran las semillas en colectivo. Un tercer grupo camina por la vereda hacia el ojo de agua que alimenta las tierras con el líquido vital, para aprender sobre el manejo responsable del agua en este territorio del semiárido bahiano. En todos estos espacios, las pláticas combinan explicaciones técnicas con análisis sistémicos que van revelando el sentido profundo de crear alternativas reales ante la destrucción provocada por el sistema-mundo actual.

Estamos en la Hacienda Flor de Café, que a partir de este momento se transforma en Territorio de los Pueblos: un nuevo núcleo de la Teia dos Povos (Tejido de los Pueblos), una gran articulación de pueblos indígenas, negros y urbanos en constante crecimiento y que hasta el momento actúa en diez estados de Brasil. Y este evento, originalmente concebido como un tequio, se convierte en el primer curso vivencial de la incipiente Escuela de las Aguas Nacientes.

La Teia dos Povos nació en 2012. En la época, el enfoque era la transición agroecológica que se llevaba a cabo en el asentamiento Terra Vista: más de 900 hectáreas de una antigua hacienda ocupada en 1992 por 360 familias del Movimiento de los Trabajadores y Trabajadoras Rurales Sin Tierra (MST). Desde entonces, Terra Vista se ha convertido en un importante experimento agroforestal en constante expansión y ejemplo de que es posible producir y vivir de la tierra con consciencia ecológica y política.

Pero en 2012, quienes participaban del proceso entendieron que para lograr un cambio substancial, sistémico —o sea, para enfrentar el sistema de muerte que vivimos—, sería necesario crear una gran articulación entre los pueblos indígenas, negros y de abajo tanto del campo como de la ciudad, con una perspectiva de autonomía y recuperación de los territorios.

Durante el evento en la Escuela de las Aguas Nacientes, hablamos con Joelson Ferreira, uno de los idealizadores de la Teia dos Povos. Mestre Joelson, como se le conoce cariñosamente, participó en la fundación del Partido de los Trabajadores (PT) y de la Central Única de Trabajadores (CUT) y fue dirigente estatal y nacional del MST.

Joelson cuenta que en 2012 organizaron la 1ª Jornada de Agroecología de Bahía, junto con pueblos indígenas Tupinambá y Pataxó Hã Hã Hãe, grupos quilombolas (cimarrones) y movimientos campesinos. Fue en esa Jornada que decidieron crear la Teia dos Povos.

“Entendimos que quien debería organizar esa gran articulación era el MST, un movimiento nacional e internacional de gran alcance y muy respetado. Pero hasta ahora me parece que el MST no entendió la importancia de esa gran alianza.” Ante esa ausencia, la Teia dos Povos decidió asumir la tarea.

“Entendemos que vivimos un momento histórico muy difícil, que el mundo pasa por una enorme transición a una gran velocidad, y que tenemos la responsabilidad de asumir esa alianza. Porque tenemos muy claro que ni los pueblos originarios, ni los pueblos sin tierra, ni los pequeños propietarios, ni los pueblos quilombolas, ya sea en el campo o en la ciudad, pueden enfrentar esa lucha solos.”

La Teia dos Povos concibe la lucha como “jornada”, “caminatas” y “pasos”. La jornada es la visión de largo alcance: la lucha contra el racismo, el capitalismo y el patriarcado. Las caminatas son las diversas etapas, más tangibles, en esa gran jornada: soberanía hídrica, alimentar, educativa, energética, económica, de autodefensa, por ejemplo. Y los pasos son las tareas específicas necesarias en cada caminata.

Al mismo tiempo, la construcción de esa gran jornada se concibe de una forma que encuentra fuertes resonancias con las propuestas de la Sexta Declaración de la Selva Lacandona. Por un lado, la construcción, manutención y crecimiento de núcleos de base: territorios organizados donde se practica la autonomía, como el asentamiento Terra Vista y tantos otros a lo largo y ancho del país. Por otro lado, los eslabones del tejido (Elos da Teia): organizaciones, colectivos e individuos sin un territorio propio, pero que sirven de apoyo y vinculación entre los diferentes núcleos de base, siempre respetando la autonomía y los modos de cada núcleo. En muchos sentidos, podríamos decir que la Teia dos Povos es zapatismo práctico en tierras brasileñas.

“Sabemos que la lucha es larga y hay que tener paciencia histórica. Debemos avanzar poco a poco a partir de la lucha por la tierra y el territorio, por la soberanía alimentaria, por la transición agroecológica. Y debemos preparar militantes, sobre todo jóvenes y mujeres. Al mismo tiempo, no debemos querer asumir la lucha total, sino preparar y sumar alianzas, para unir a los pueblos no en las cosas pequeñas, sino en las grandes: la lucha contra la minería, las eólicas, en defensa del agua, por la democratización de los créditos, que ahora se entregan a la agroindustria. Y creo que sólo la movilización popular podrá vencer en esa guerra tan profunda. Pero para eso los pueblos deben asumir esa responsabilidad.”

En todo esto, la lucha urbana es fundamental. “Creo que los cambios dependerán de nuestra capacidad de convencer a los pueblos urbanos a reaccionar. Si no lo logramos, seguiremos resistiendo en el campo, pero sabemos que la resistencia en el campo no es suficiente.”

Hasta el momento, la Teia dos Povos tiene núcleos de base, alianzas y articulaciones en los estados de Bahía, Maranhão, Río Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Río de Janeiro, Pernambuco, Sergipe, Ceará y Rondônia.

Soberanía pedagógica

Uno de los principales obstáculos para la construcción de otros mundos posibles es el desencanto de la juventud con los territorios y la ambición de inclusión individualista en el mundo del capital. De ahí que una educación autónoma otra sea fundamental para la Teia dos Povos. La propuesta de soberanía pedagógica pasa por la construcción de escuelas donde el sentido de la formación es la construcción y fortalecimiento de los territorios autónomos, el pensamiento crítico, una visión política amplia y compleja, la preservación de los saberes y prácticas del pueblo, sin dejar de lado el conocimiento científico.

La Escuela de las Aguas Nacientes es parte de esa visión. Brígida Salgado, dueña de la Hacienda Flor de Café, ahora Territorio de los Pueblos, y residente en el territorio de Malhada de Areia desde hace 25 años, cuenta que el sueño de una escuela en ese territorio nació hace más de 20 años, cuando conoció a João Pedro Stédile y a Joelson Ferreira, entonces coordinador del MST en Bahía. Durante la última Jornada de Agroecología en febrero de este año, la asamblea decidió crear la Escuela, a la que se le bautizó como “de las Aguas Nacientes” en honor a la diosa africana de las aguas Iemanjá, cuyo día es el 2 de febrero.

La escuela es parte de un proyecto más amplio de educación autónoma de la Teia dos Povos. Uno de sus fundamentos es que los maestros son gente del pueblo con conocimientos ancestrales, en conjunto con otras personas que aportan conocimientos científicos y académicos. Pero la formación no es sólo técnica, sino también política. Así, el proceso involucra un despertar en el sentido de una comprensión sistémica de nuestro mundo y de la urgencia de crear nuevos sistemas basados en la harmonía con la naturaleza y relaciones sociales otras. Finalmente, la autonomía pedagógica se fundamenta en la práctica, no sólo ni sobre todo en la reflexión teórica.

Combatir el individualismo destructivo de la lógica capitalista con la construcción de otra vida posible: esa es la meta de esa otra educación, fincada en la práctica. “Debemos volver a ser colibrís” para construir el paraíso en la tierra que queremos, dijo el maestro Rosalvo, un anciano de 86 años, en la inauguración del evento. No por nada los colibrís, para los pueblos mayas, son lo que nos conecta con los ancestros.

Una alianza internacional

Para el maestro Joelson, es urgentísimo construir una alianza internacional basada en los principios de la solidaridad y la pluralidad, respetando los modos y formas de cada territorio. Una alianza que vincule pueblos originarios, pueblos africanos y afrodescendientes, pueblos trabajadores del campo y la ciudad. Una alianza de los pueblos, no de los Estados; una alianza desde abajo y no desde arriba.

Para que dicha alianza no sea vacía, debe trabajar también por una autonomía económica por medio de redes de producción y consumo solidarios. Se trata, por lo tanto, de un intercambio de saberes, experiencias, construcciones y resistencias, pero también de un intercambio de bienes materiales que permitan avanzar hacia una autonomía cada vez más plena.

Al mismo tiempo, Joelson advierte sobre la importancia de proteger los secretos de los pueblos de la ambición del capital. “No me refiero sólo a los minerales, sino a la biodiversidad, a los alimentos, a una serie de riquezas y saberes que debemos proteger guardando el secreto. Esa alianza de los pueblos depende de un secreto muy fuerte,” concluye Joelson.

Ese día, Radio Zapatista y el colectivo Urucum Artes Colaborativas ofrecen una plática sobre la construcción de la educación autónoma zapatista y las muchas iniciativas rumbo al despertar de la conciencia crítica, tanto al interior como hacia afuera de las comunidades zapatistas. Animadas y animados por las coincidencias de las miradas, por el compartir de experiencias y los largos caminos aún por andar, las y los participantes se dirigen esa tarde al territorio indígena Tapuya, para continuar construyendo el despertar colectivo en esta naciente Escuela de las Aguas Nacientes.

radio

Nuevos libros publicados por la iniciativa “Al Faro Zapatista”

  Saludamos y felicitamos al Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN) en este su 29 aniversario del levantamiento del 1 de enero de 1994.

Desde el Comité Editorial y Organizador de la Iniciativa-Homenaje y Colección “Al Faro Zapatista” acuerpamos la lucha antisistémica, anticapitalista y contra el machismo y el patriarcado de las mujeres, jóvenas, otroas, jóvenes, niños(as), mayores(as) y hombres del EZLN. Lo hacemos desde lo que somos: activistas y trabajadores(as) de las Ciencias Sociales, de las Humanidades y de las Artes.  Como ofrenda a su caminar digno y rebelde les compartimos los nuevos libros de bolsillo que acabamos autónomamente de terminar justo ahora que ustedes estaban en sus celebraciones del 29 aniversario en los diferentes Caracoles. ¡Larga vida para el EZLN!

Nuevos libros de bolsillo

¡Que bailen los corazones!
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/que-bailen-los-corazones/

¡Despertad! La subversión zapatista en tierras insumisas
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/despertad-la-subversion-zapatista-en-tierras-insumisas/

“De por sí lo que hemos aprendido es a aprender”: trazos de una epistemología zapatista
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/de-por-si-lo-que-hemos-aprendido-es-a-aprender-trazos-de-una-epistemologia-zapatista/

Conocer el mundo en clave zapatista
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/conocer-el-mundo-en-clave-zapatista/

Arte y política en el zapatismo contemporáneo: una relación indisoluble
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/arte-y-politica-en-el-zapatismo-contemporaneo-una-relacion-indisoluble/

Caminar preguntando en Alemania
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/caminar-preguntando-en-alemania/

Autonomía en el sureste europeo, sus referencias y relaciones con el zapatismo del sureste mexicano
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/autonomia-en-el-sureste-europeo-sus-referencias-y-relaciones-con-el-zapatismo-del-sureste-mexicano/

 

Publicados anteriormente

Guerras, zapatismo, redes
http://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/guerras-zapatismo-redes/

Un somero acercamiento al zapatismo
http://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/un-somero-acercamiento-al-zapatismo-copia/

El zapatismo: una brújula civilizatoria para Slumil K’ajxemk’op
http://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/el-zapatismo-una-brujula-civilizatoria/

Hacia una nueva era
http://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/hacia-una-nueva-era/

Haciendo otros mundos posibles: por qué los zapatistas nos importan
http://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/haciendo-otros-mundos-posibles-por-que-los-zapatistas-nos-importan/

La autonomía zapatista, un faro en la lucha por la vida
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/la-autonomia-zapatista-un-faro-en-la-lucha-por-la-vida/

Una cuota de energía al tejido de la vida
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/una-cuota-de-energia-al-tejido-de-la-vida/Libro

Nada resiste a la alegría de vivir. Libre discurso sobre la libertad soberana
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/liberad-soberana/

Agroecología(s) emancipatoria(s) para un mundo donde florezcan muchas autonomías
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/agroecologias-emancipatorias-para-un-mundo-donde-florezcan-muchas-autonomias/

Caminar con el zapatismo, construir comunidad y esperanza
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/caminar-con-el-zapatismo-construir-comunidad-y-esperanza/

Delirios zapatistas
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/delirios-zapatistas/

Tejiendo redes y entrelazando luchas para abrazar la gira zapatista: la experiencia de la organización del pueblo sami
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/tejiendo-redes-y-entrelazando-luchas-para-abrazar-la-gira-zapatista-la-experiencia-de-la-organizacion-del-pueblo-sami/

El nosotros zapatista y el tiempo como flor y rebeldía
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/el-nosotros-zapatista-y-el-tiempo-como-flor-y-rebeldia/

Preguntando con los zapatistas. Reflexiones desde Grecia sobre nuestro impasse civilizatorio
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/preguntando-con-los-zapatistas-reflexiones-desde-grecia-sobre-nuestro-impasse-civilizado/

Cartas náuticas para un mar tormentoso
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/cartas-nauticas-para-un-mar-tormentoso/

Autonomía ¡Ábrete sésamo!
https://alfarozapatista.jkopkutik.org/product/autonomia-abrete-sesamo/

 

Para ver más materiales de análisis, videos y fotos así como comunicados, noticias y enlaces ir a nuestro sitio web: https://alfarozapatista.jkopkutik.org/

Los libros de bolsillo también están para descarga libre en el sitio web de la Cátedra Jorge Alonso y en la Librería Latinomericana y Caribeña de Ciencias Sociales de CLACSO.

 

radio
Avispa Mídia

AgTech, la nueva avanzada transgénica

Corporaciones cada vez más grandes y poderosas. Nuevos (y cuestionados) transgénicos y más agrotóxicos. Organismos internacionales y la fundación del multimillonario Bill Gates. Es el resumen de la nueva etapa del agronegocio en Argentina, que incluye el desarrollo de carne sintética (de laboratorio) y políticas científicas al servicio de un modelo con amplias consecuencias ambientales, sociales y sanitarias. A contramano de la soberanía alimentaria, el gobierno nacional ya dio el visto bueno a la profundización del modelo transgénico. Por Darío Aranda.

Por Dario Aranda

La historia se repite.

Corría el 23 de marzo de 1996 cuando Felipe Solá, entonces secretario de Agricultura, hoy canciller,  aprobó la soja transgénica de Monsanto. Firmó la resolución en tiempo récord: el trámite administrativo para autorizar la soja de Monsanto y provocar una cambio drástico del modelo agropecuario argentino duró solo 81 días

Las consecuencias son bien conocidas: desmontes, desalojos masivos del campo (violencia incluida), fumigaciones con agrotóxicos y enfermedades, empobrecimiento de suelos, contaminación de cursos de agua, dependencia, concentración de tierras en pocas manos.

Veinticuatro años después, lejos de promover un cambio de modelo, corporaciones y funcionarios van por la profundización del modelo, ahora bajo un nombre técnico-cibernético-futurista: “AgTech”.

(Continuar leyendo…)

radio
Despojos, Territorios, Resistencias

[Video] Frente a la pandemia: cuidemos nuestros alimentos con abono orgánico

Este video fue creado colectivamente por un grupo de jóvenas y jóvenes del Gobierno Comunitario de Chilón en su Diplomado Agroecovisual para la Autonomía que cuenta con el apoyo de PVIFS, CEDIAC, Canan Lum y Misión de Bachajón.

El Covid-19, la pandemia que hoy recorre el mundo, se conoció en estos territorios de las montañas del Norte de Chiapas, cuando los y las jóvenas estaban ya abrazando la Madre Tierra a través de poner en acción prácticas agrícolas ancestrales y agroecológicas.

Que la juventud del Gobierno Comunitario de Chilón, sus autoridades y comunidades estén trabajando autónomamente la tierra y practicando formas propias de gobierno, a la par que exigen jurídicamente su derecho a la autonomía y la libre determinación, es un acto digno de conocerse, difundirse y apoyarse.

En tiempos de pandemia, la autonomía alimentaria, comer sano y cultivar nuestros propios alimentos sin agrotóxicos, es algo que estos pueblos y muchos otros en resistencia están realizando como alternativa real y concreta a lo que la industria capitalista del alimento nos “ofrece”. Ello va de la mano de hacer carne la autonomía política de facto.

Tseltal:

Ha in video ini ha’ pasbil yu’un jwohc’ ach’ix queremetic yu’un agroecología visual ta banti ya xcholbey sc’oblal bin ut’il xu’ ya jc’uxultaytic te jlum jqu’inaltic sok bats’il poxetic ta banti ho’otic nix ya jnoptic spasel. Haxan hich bin ut’il ya quiltic te yo’tic c’ax bayelix ta tuquinel te chopol poxetic te ya yuts’in te jlum jqu’inaltic soc hamaletic, ha’ yu’un la snop te jwohc ach’ix queremetic bin ut’il xu ya scanantayic te lum qu’inal soc swe’el yuch’elic ta jujun scomonalic.

Hich-a’ te jahch tsob sbahic soc ta syomel sc’opic bin ut’il ya sc’an canantayel te lum k’inal. Hich jahch yateltayic spasel te yawil jay chap ts’unubil itajetic soc bats’il poxetic yu’un te swe’el lum qu’inal. Soc smilojibal te jaiy chap xchanul ts’unub awaliletic. Yu’un ma’ba ya jtuquintiquix a’ te chopol poxetic te ya xchonic te jaiy chap niwac jc’ulejetic yu’un hich ya jtuqueltay jbatic ta ho’otic nix. Ha yu’un laj yich’ pasel ini video banti ya jtatic ta hilel bin ut’il ya sc’an a’teltayel te jqu’inaltic.

radio
Oakland Institute

El mejor postor se lo lleva todo: El nuevo esquema del Banco Mundial para privatizar tierras en el Sur Global

Por Frédéric Mousseau, Oakland Institute
Mayo 2019

SUMARIO

El Banco Mundial está lanzando un ataque sin precedentes contra los bienes comunes al presionar por la privatización de las tierras consuetudinarias y públicas y su venta por subasta al mejor postor. El indicador de tierras de las clasificaciones del Banco en Facilitando los Negocios en la Agricultura prescribe reformas de políticas para facilitar el acceso a la tierra para la agroindustria, a expensas de los agricultores familiares, los pastores y los Pueblos Indígenas.

-*-

Los efectos de la rápida expansión de agricultura industrial a gran escala para aceite de palma y otros productos han sido devastadores en todo el Sur Global en los últimos años. Se está desplazando a mucha gente de sus tierras y se están destruyendo los medios de vida de millones, contribuyendo al mismo tiempo al cambio climático a través de la deforestación y la destrucción ambiental. La tendencia se ha intensificado desde la crisis alimentaria y financiera de 2008, cuando los altos precios de los productos básicos provocaron un aumento del interés en la agricultura a gran escala para los cultivos de alimentos y biocombustibles. Hoy continúa con millones de hectáreas de bosques, áreas de pastoreo y tierras de cultivo convertidas en plantaciones cada año.

El papel central del Banco Mundial en la expansión de plantaciones agrícolas a gran escala

El Banco Mundial ha desempeñado un papel fundamental en la promoción de estos acuerdos de tierras a gran escala. Durante años, a través de diferentes mecanismos que incluyen asistencia técnica y servicios de asesoría a gobiernos, condicionalidad de la ayuda y clasificaciones de negocios, el Banco ha alentado reformas regulatorias dirigidas a atraer inversión privada extranjera para el crecimiento económico y el desarrollo. Para 2014, la Corporación Financiera Internacional (CFI), la rama del sector privado del Banco Mundial, estaba administrando 156 proyectos en 34 países por un valor de $ 260 millones para servicios de asesoría para promover el desarrollo del sector privado.

(Continuar leyendo…)

radio
Colectivo Zapayasos

13 de mayo: Intensivo “Alegría y Rebeldía” – San Cristóbal de Las Casas

Este sábado 13 de mayo, a partir de las 17 horas en Wapani (Calle Paniagua, 10), se llevará a cabo el Intensivo “Alegria y Rebeldia”, evento en el cual habrá talleres de teatro para niños y adultos, presentaremos el proyecto “guardianes de semillas y territorio” y, a las 20h, presentaremos la función “Ya ni pal maíz hay maíz”, una obra sobre la defensa del maíz nativo frente a la invasión de los transgénicos. Habrá también la proyección de un documental sobre el maíz, rifa, comida, bebidas y música a partir de las 21:30.

Parte de lo recaudado en este evento sirve para sostener el proceso de capacitación “Diplomado Guardianes y Guardianas de semillas y territorio”, en el cual participan más de 20 jóvenes de comunidades indígenas tzeltales, durante 6 meses.

Les esperamos!!!

¡Que viva la alegre rebeldía!
Colectivo Zapayasos

intenisvo

radio
Koman Ilel

Una nueva humanidad para una nueva Tierra – Reflexiones con Leonardo Boff

Entrevista a Leonardo Boff en el marco de su visita a Chiapas, mayo de 2016.