{"id":79,"date":"2009-12-21T18:45:06","date_gmt":"2009-12-22T00:45:06","guid":{"rendered":"https:\/\/radiozapatista.org\/wp\/?p=79"},"modified":"2020-01-25T07:49:51","modified_gmt":"2020-01-25T13:49:51","slug":"midia-revolucionaria-a-midia-alternativa-no-movimento-zapatista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=79","title":{"rendered":"M\u00eddia Revolucion\u00e1ria: a m\u00eddia alternativa no movimento zapatista"},"content":{"rendered":"<p><strong>Publicado em: <a href=\"http:\/\/www.ufscar.br\/rua\/site\/?p=2538\" target=\"_blank\">Revista Rua<\/a> &#8211; Universidade Federal de S\u00e3o Carlos<\/strong><\/p>\n<p><em>por Alejandro Reyes<\/em><\/p>\n<p>Em 1994, o surgimento de um movimento guerrilheiro ind\u00edgena no sul do  M\u00e9xico, provocou um verdadeiro reboli\u00e7o na m\u00eddia ao redor do mundo. No  momento em que muito se falava do \u201cmilagre econ\u00f4mico mexicano\u201d, das  bondades das pol\u00edticas neoliberais e do Tratado de Livre Com\u00e9rcio da  Am\u00e9rica do Norte, milhares de ind\u00edgenas tomavam sete cidades do estado  de Chiapas na madrugada do 1 de janeiro e declaravam a guerra ao  governo. As propostas inovadoras do Ex\u00e9rcito Zapatista de Libera\u00e7\u00e3o  Nacional (EZLN)<sup>1<\/sup> e a forma surpreendentemente bem-humorada e  articulada de comunic\u00e1-las suscitaram n\u00e3o apenas o interesse da m\u00eddia  comercial, mas o surgimento de um movimento de m\u00eddia alternativa \u2013  nacional e internacional \u2013 com efeitos duradouros na forma de se pensar  os meios de comunica\u00e7\u00e3o global. Ao mesmo tempo, as comunidades  zapatistas rebeldes na selva e nas montanhas do sudeste mexicano, que  desde ent\u00e3o v\u00eam criando sistemas cada vez mais complexos de autonomia  como principal eixo da sua proposta revolucion\u00e1ria, t\u00eam desenvolvido  audaciosos projetos de comunica\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma que incluem r\u00e1dio, produ\u00e7\u00e3o  \u00e1udio-visual, comunica\u00e7\u00f5es por internet e outros meios. Neste ensaio  falamos desses projetos e das iniciativas de m\u00eddia alternativa, no  M\u00e9xico e no mundo, inspiradas pelo movimento zapatista.<\/p>\n<p><strong>O zapatismo: um movimento \u201cp\u00f3s-moderno\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Era a primeira metade da d\u00e9cada de 1990, a poucos anos do fim da  Guerra Fria, divisor de \u00e1guas na hist\u00f3ria e o in\u00edcio do que muitos  chamavam, com exaltado otimismo, \u201ca nova ordem mundial\u201d \u2013 sob a  lideran\u00e7a ideol\u00f3gica de George H. W. Bush e Mikhail Gorbachev -, que  supostamente acabaria com os conflitos norte-sul gra\u00e7as \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o  harmoniosa num sistema capitalista globalizado. Entretanto, na Am\u00e9rica  Latina (e no M\u00e9xico em particular) as contradi\u00e7\u00f5es desse capitalismo  globalizado estavam levando ao desespero a milh\u00f5es de ind\u00edgenas,  camponeses e pobres urbanos, gra\u00e7as \u00e0 invas\u00e3o de empresas multinacionais  que destru\u00edam as pequenas empresas, \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o de terras comunais e  \u00e0 entrada de produtos agr\u00edcolas transg\u00eanicos e industriais que  arrasavam a agricultura artesanal.<\/p>\n<p>Mas, como resistir a esses embates, quando as velhas ideologias de  esquerda, que impulsionaram as lutas de resist\u00eancia durante todo o  s\u00e9culo XX na Am\u00e9rica Latina, estavam desacreditadas e o campo  socialista, desarticulado? Entre o otimismo festivo da direita e a  perplexidade da esquerda, parecia n\u00e3o haver mais alternativas.<\/p>\n<p>Isso explica a surpresa \u2013 e o entusiasmo \u2013 causada pela apari\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Zapatista no 1<sup>o<\/sup> de janeiro de 1994, justo o dia em que entraria em vigor o Tratado de  Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte, ponto culminante do suposto \u201cmilagre  econ\u00f4mico mexicano\u201d neoliberal. Que desvario teria levado a esse bando  de \u00edndios mascarados a se levantar em armas quando j\u00e1 as guerrilhas  estavam t\u00e3o fora de moda? Quem eram eles? O que queriam? Seriam apenas  remanescentes anacr\u00f4nicos de um tempo extinto ou enunciadores de novas  propostas num momento de vazio ideol\u00f3gico?<\/p>\n<p>A m\u00eddia nacional e internacional correu a Chiapas e em breve os  zapatistas estavam em TVs e jornais pelo mundo afora. Os comunicados  escritos pelo Subcomandante Insurgente Marcos (o carism\u00e1tico chefe  militar e porta-voz do movimento, com seu olhar penetrante sob a m\u00e1scara  preta e o eterno cachimbo) faziam uma cr\u00edtica aguda \u00e0s utopias  neoliberais com uma linguagem ir\u00f4nica e bem-humorada, irreverente, cheia  de sonoridades do mundo ind\u00edgena, totalmente distinta dos tradicionais  discursos marxistas dos movimentos revolucion\u00e1rios conhecidos at\u00e9 ent\u00e3o.  Neles se articulava uma proposta igualmente in\u00e9dita: a cria\u00e7\u00e3o de um  movimento de baixo para cima, sem vanguardas, que n\u00e3o aspirava a tomar o  poder, mas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um contra-poder popular, de uma realidade  alternativa fundamentada na pr\u00e1tica cotidiana da democracia  participativa baseada nas autonomias locais e a vincula\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria com  movimentos sociais aut\u00f4nomos ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, surgiu outro fen\u00f4meno inesperado. Movimentos sociais e  indiv\u00edduos de todo o mundo, entusiasmados com as possibilidades da  proposta zapatista, come\u00e7aram a usar a internet (ent\u00e3o ainda incipiente)  como forma de comunica\u00e7\u00e3o e de articula\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia global.  Alguns intelectuais qualificaram ent\u00e3o os zapatistas do \u201cprimeiro  movimento guerrilheiro p\u00f3s-moderno\u201d pelo uso das novas m\u00eddias como forma  de luta, sem se dar conta que n\u00e3o eram os pr\u00f3prios zapatistas que  (naquele momento) usavam essas tecnologias, mas a sociedade civil  nacional e internacional, que, inspirada por eles, come\u00e7avam a criar uma  rede de m\u00eddia alternativa descentralizada. Dal\u00ed surgiram experi\u00eancias  duradouras, como a rede de Indymidia, um conceito de m\u00eddia popular com  importante repercuss\u00e3o em grande parte do mundo.<\/p>\n<p><strong>A comunica\u00e7\u00e3o zapatista<\/strong><\/p>\n<p>Com o levantamento armado em 1994, fazendeiros e latifundi\u00e1rios, que  at\u00e9\u00a0ent\u00e3o exploraram os \u00edndios em condi\u00e7\u00f5es de semi-escravid\u00e3o, fugiram  de Chiapas, abandonando suas terras, que os rebeldes zapatistas  \u201crecuperaram\u201d (sendo ind\u00edgenas maias, as terras lhes pertenciam  historicamente, tendo sido usurpadas pelos fazendeiros mesti\u00e7os). Nesse  vasto territ\u00f3rio eles v\u00eam construindo, nos \u00faltimos 16 anos, um complexo  sistema de autonomia que inclui um governo pr\u00f3prio (atrav\u00e9s de  assembl\u00e9ias comunit\u00e1rias, conselhos municipais e \u201cJuntas de Buen  Gobierno\u201d regionais), sistemas de educa\u00e7\u00e3o e de sa\u00fade aut\u00f4nomos,  mecanismos de produ\u00e7\u00e3o coletiva e com\u00e9rcio solid\u00e1rio. E, sem d\u00favida,  diversos mecanismos de comunica\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n<p>\u201cA comunica\u00e7\u00e3o [aut\u00f4noma] \u00e9 uma demanda e um direito dos povos  zapatistas, porque nos demos conta de que todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o  controlados pelo mau governo e pelas grandes empresas, como a televis\u00e3o,  a r\u00e1dio, os jornais, as revistas e demais, n\u00e3o est\u00e3o ao servi\u00e7o dos  povos\u201d,<sup>2<\/sup> disse um representante da Junta de Buen Gobierno de  Oventik durante o Primeiro Encontro entre os Povos Zapatistas e os Povos  do Mundo, em janeiro de 2007, realizado em territ\u00f3rio zapatista. A  comunica\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma n\u00e3o \u00e9 apenas uma estrat\u00e9gia, mas uma reivindica\u00e7\u00e3o  como direito fundamental.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2002 nasceu <em>Radio Insurgente, la voz de los sin voz<\/em>, projeto radiof\u00f4nico do EZLN.<sup>3<\/sup> \u201cVoz oficial do Ex\u00e9rcito Zapatista de Libera\u00e7\u00e3o Nacional\u201d, Radio  Insurgente transmite em tr\u00eas regi\u00f5es zapatistas (Los Altos \u2013 as  montanhas ao norte de San Crist\u00f3bal de las Casas -, na selva tzeltal e  na selva da fronteira com a Guatemala), todas em FM, e mais uma em onda  curta. Os locutores e locutoras s\u00e3o todos insurgentes, e a programa\u00e7\u00e3o  inclui temas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, direitos, g\u00eanero, campanhas contra o  alcoolismo, contos para crian\u00e7as, m\u00fasica, pol\u00edtica, comunicados do EZLN,  \u00e1udio-teatro com temas de resist\u00eancia e autonomia, etc. Dependendo da  regi\u00e3o, a r\u00e1dio transmite em diversas l\u00ednguas ind\u00edgenas maias (tzeltal,  tzotzil, tojolobal, chol, mam) al\u00e9m de espanhol. A r\u00e1dio \u00e9 ouvida com  avidez n\u00e3o s\u00f3 pelos pr\u00f3prios zapatistas, mas tamb\u00e9m por outros grupos  ind\u00edgenas e at\u00e9 por soldados do ex\u00e9rcito mexicano (parte da programa\u00e7\u00e3o \u00e9  frequentes mensagens aos solados e aos paramilitares, com a inten\u00e7\u00e3o de  sensibiliz\u00e1-los a n\u00e3o lutar contra os seus irm\u00e3os ind\u00edgenas). Al\u00e9m de  Radio Insurgente, um bom n\u00famero de r\u00e1dios comunit\u00e1rias tem surgido em  territ\u00f3rio zapatista nos \u00faltimos anos, com propostas similares, mas por  iniciativa do zapatismo civil (independente do EZLN).<\/p>\n<p>Em 1998, atrav\u00e9s de uma coopera\u00e7\u00e3o entre os zapatistas e uma parceria  de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais do M\u00e9xico e dos Estados Unidos  (Chiapas Media Project e Promedios de Comunicaci\u00f3n Comunitaria),  iniciou-se um projeto de treinamento de \u201cpromotores de comunica\u00e7\u00e3o\u201d em  grava\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo. Esse processo levou, nestes 11 anos, ao  desenvolvimento de uma vasta produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios aut\u00f4nomos. Nesses  v\u00eddeos, o dom\u00ednio cada vez maior da tecnologia e da est\u00e9tica  audiovisual combina-se com a vis\u00e3o particular dos povos ind\u00edgenas  zapatistas na representa\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria realidade: a luta pela terra,  o papel da mulher, a constru\u00e7\u00e3o da autonomia. Trata-se de materiais  tanto internos (muitos deles em l\u00ednguas maias) quanto os destinados a um  p\u00fablico externo, com distribui\u00e7\u00e3o internacional atrav\u00e9s do Chapas Media  Project.<\/p>\n<p>Outro mecanismo de comunica\u00e7\u00e3o, mais imediato, \u00e9\u00a0a pintura mural que  cobre as paredes das constru\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias em todo povoado zapatista.  Estas obras, de um surpreendente colorido, contam a hist\u00f3ria da luta  zapatista e representam o ideal ao qual aspiram o EZLN e as comunidades.  Esta arte mural tem ra\u00edzes profundas: ela inspira-se na tradi\u00e7\u00e3o da  pintura mural modernista posterior \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana de 1910, que  preencheu edif\u00edcios p\u00fablicos em todo o pa\u00eds como meio de articular os  valores (e as cr\u00edticas) revolucion\u00e1rios da \u00e9poca. Esse movimento teve  tal impacto que os artistas chicanos nos Estados Unidos retomaram a  tradi\u00e7\u00e3o e criaram uma arte pr\u00f3pria de resist\u00eancia ao racismo e \u00e0  exclus\u00e3o. Mas a arte mural mexicana tem ra\u00edzes ainda mais profundas. Por  um lado, os muralistas (Diego Rivera, Alfaro Siqueiros, Jos\u00e9 Clemente  Orozco e outros) eram parte do movimento modernista e beberam das fontes  da arte europ\u00e9ia. Ao mesmo tempo, os questionamentos identit\u00e1rios  provocados pela revolu\u00e7\u00e3o os levaram a estudar a arte mural dos maias e  dos astecas, resultando numa cria\u00e7\u00e3o h\u00edbrida e \u00fanica. A arte mural  zapatista contempor\u00e2nea inspira-se em todas essas tradi\u00e7\u00f5es para  expressar a sua pr\u00f3pria realidade. Alguns anos atr\u00e1s, com o apoio de  grupos solid\u00e1rios espanh\u00f3is, produziu-se um bel\u00edssimo livro quatril\u00edng\u00fce  com imagens dos principais murais zapatistas, que se utiliza como  ferramenta pedag\u00f3gica nas escolas aut\u00f4nomas.<\/p>\n<p>Finalmente, para al\u00e9m da r\u00e1dio, do v\u00eddeo, da internet e da arte  mural, um elemento fundamental da comunica\u00e7\u00e3o zapatista s\u00e3o os encontros  com a sociedade civil nacional e internacional, que ocorrem  periodicamente em territ\u00f3rio rebelde, e que se tornam espa\u00e7os de  interc\u00e2mbio de experi\u00eancias e de luta. Neles, a cosmovis\u00e3o ind\u00edgena  encontra-se com as realidades de outras ra\u00e7as e culturas, numa  retroalimenta\u00e7\u00e3o em muitos sentidos respons\u00e1vel pela continuada vig\u00eancia  das propostas zapatistas.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p><strong>A \u201coutra comunica\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0&#8211;\u00a0 redes alternativas<\/strong><\/p>\n<p>Com o levantamento zapatista, surgiram in\u00fameras iniciativas de m\u00eddia  alternativa no M\u00e9xico e no mundo, utilizando sobretudo a internet, que  justamente nasceu no in\u00edcio dos 90. A mais not\u00e1vel dessas iniciativas \u00e9 a  rede de m\u00eddia independente Indym\u00eddia, que democratiza o acesso \u00e0  informa\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica independente e que hoje tem  projetos em todos os continentes do mundo.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Al\u00e9m da internet, multiplicam-se outras m\u00eddias, em particular as  r\u00e1dios comunit\u00e1rias. No M\u00e9xico, elas t\u00eam um papel muito importante,  sobretudo nas comunidades ind\u00edgenas e camponesas, mas tamb\u00e9m nos centros  urbanos. Todas estas iniciativas surgem independentemente do EZLN, mas  articulam-se entre si conforme a proposta zapatista de vincula\u00e7\u00e3o em  rede, de forma n\u00e3o hier\u00e1rquica, de autonomias locais.<\/p>\n<p>Estes meios de comunica\u00e7\u00e3o denunciam abusos, viola\u00e7\u00f5es e repress\u00e3o  por parte dos governos, das for\u00e7as policiais e das grandes empresas, que  n\u00e3o recebem cobertura na m\u00eddia comercial. Mas tamb\u00e9m funcionam como  articuladores da resist\u00eancia e da luta contra os atropelos do  capitalismo, compartilhando informa\u00e7\u00f5es sobre atividades em diversas  partes do pa\u00eds e do mundo, an\u00e1lises pol\u00edticas e novas formas de  organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um claro exemplo disso foi a rebeli\u00e3o popular no estado de Oaxaca em  2006. A violenta repress\u00e3o, por parte do governo estadual, de uma  manifesta\u00e7\u00e3o de professores no centro da capital, em maio desse ano,  levou a um levantamento popular de mais de 300 organiza\u00e7\u00f5es sociais e  milhares de indiv\u00edduos, que ocuparam a cidade durante mais de seis  meses. Durante a ocupa\u00e7\u00e3o, a luta mais cruenta foi pelo controle dos  mecanismos de articula\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es do movimento.<sup>6<\/sup> R\u00e1dios independentes, por um lado, funcionaram como meio de  conscientiza\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia, enquanto a m\u00eddia comercial  lan\u00e7ava uma campanha de desprestigio do movimento. Grupos paramilitares  atacaram as instala\u00e7\u00f5es de Radio Plant\u00f3n, uma das principais r\u00e1dios do  movimento, enquanto ativistas ocupavam as r\u00e1dios comerciais e inclusive  uma esta\u00e7\u00e3o de TV.<\/p>\n<p>Em novembro desse ano, milhares de tropas da pol\u00edcia federal  invadiram a cidade e intentaram tomar Radio Universidad, que estava em  m\u00e3os do movimento. R\u00e1dios independentes na Cidade do M\u00e9xico  retransmitiam via internet as transmiss\u00f5es da r\u00e1dio universit\u00e1ria, que  por sua vez eram retomadas por outras r\u00e1dios em todo o mundo, ajudando a  mobilizar protestos em consulados e embaixadas em diversos pa\u00edses. Ao  mesmo tempo, Radio Universidad comandava a resist\u00eancia na pr\u00f3pria cidade  de Oaxaca, instruindo as pessoas a se movimentar nas diferentes  barricadas e informando da posi\u00e7\u00e3o das tropas policiais. Enquanto, na  Calif\u00f3rnia, um grupo de ativistas organiz\u00e1vamos uma manifesta\u00e7\u00e3o na  frente do consulado mexicano em San Francisco, recebemos uma liga\u00e7\u00e3o de  Roma, onde ativistas zapatistas tinham colocado um caminh\u00e3o com caixas  de som na frente da embaixada mexicana, transmitindo Radio Universidad  ao vivo, que nesse momento realizava uma entrevista telef\u00f4nica com  ativistas alem\u00e3es na frente do consulado em Berlim. Essa impressionante  mobiliza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia alternativa conseguiu, depois de uma longa luta,  frear o ataque policial.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o independente n\u00e3o\u00a0 \u00e9, evidentemente, \u00e2mbito exclusivo do  movimento zapatista. Ela surge da necessidade de informa\u00e7\u00f5es e  pensamento cr\u00edtico, no contexto do controle cada vez maior da m\u00eddia  comercial pelos interesses do capital. Romper o cerco informativo da  grande m\u00eddia, democratizar a informa\u00e7\u00e3o, criar espa\u00e7os para a express\u00e3o  de vozes silenciadas: esses s\u00e3o alguns dos objetivos da crescente rede  de m\u00eddia alternativa.<\/p>\n<p><strong>Alguns sites de m\u00eddia independente <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Radio \tInsurgente (<a href=\"http:\/\/www.radioinsurgente.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.radioinsurgente.org<\/a>)<\/li>\n<li>Enlace \tZapatista (<a href=\"http:\/\/enlacezapatista.ezln.org.mx\/\" target=\"_blank\">http:\/\/enlacezapatista.ezln.org.mx<\/a>)<\/li>\n<li>Indymedia \tChiapas (<a href=\"http:\/\/chiapas.indymedia.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/chiapas.indymedia.org<\/a>)<\/li>\n<li>Indymedia \tBrasil (<a href=\"http:\/\/www.midiaindependente.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.midiaindependente.org<\/a>)<\/li>\n<li>Indymedia \tRede Global (<a href=\"http:\/\/www.indymedia.org\/es\" target=\"_blank\">http:\/\/www.indymedia.org\/es<\/a>)<\/li>\n<li>Radio \t\u00d1omndaa \u2013 La palabra del agua (<a href=\"http:\/\/lapalabradelagua.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/lapalabradelagua.org<\/a>)<\/li>\n<li>Regeneraci\u00f3n \tRadio (<a href=\"http:\/\/www.regeneracionradio.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.regeneracionradio.org<\/a>)<\/li>\n<li>Polic\u00eda \tComunitaria (<a href=\"http:\/\/www.policiacomunitaria.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.policiacomunitaria.org<\/a>)<\/li>\n<li>Radio \tZapatista (<a href=\"http:\/\/www.radiozapatista.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.radiozapatista.org<\/a>)<\/li>\n<li>Centro \tde Documentaci\u00f3n Zapatista (<a href=\"http:\/\/www.cedoz.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cedoz.org<\/a>)<\/li>\n<li>Desinform\u00e9monos \t(<a href=\"http:\/\/www.desinformemonos.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.desinformemonos.org<\/a>)<\/li>\n<li>Europa \tZapatista (<a href=\"http:\/\/www.europazapatista.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.europazapatista.org<\/a>)<\/li>\n<li>Promedios \tde Comunicaci\u00f3n Comunitaria (<a href=\"http:\/\/www.promediosmexico.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.promediosmexico.org<\/a>)<\/li>\n<li>Lista \tde m\u00eddia alternativa em Radio Zapatista \t(<a href=\"http:\/\/www.radiozapatista.org\/medios.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.radiozapatista.org\/medios.html<\/a>)<\/li>\n<\/ul>\n<p><em>Alejandro Reyes-Arias \u00e9 jornalista e tradutor.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ensaio falamos dos projetos de comunica\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma zapatista e das iniciativas de m\u00eddia alternativa, no M\u00e9xico e no mundo, inspiradas pelo movimento zapatista.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1284,190],"tags":[42,18],"class_list":["post-79","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-latinoamerica","category-radiozapatista","tag-brasil","tag-medios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=79"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33871,"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79\/revisions\/33871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=79"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=79"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radiozapatista.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=79"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}