{"id":55992,"date":"2026-08-23T18:56:03","date_gmt":"2026-08-24T00:56:03","guid":{"rendered":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55992"},"modified":"2026-08-23T18:56:07","modified_gmt":"2026-08-24T00:56:07","slug":"corpos-que-dancam-sob-assedio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55992","title":{"rendered":"Corpos que dan\u00e7am sob ass\u00e9dio"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_003.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_003.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55790\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_003.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_003-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_003-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_003-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atr\u00e1s da mesa, v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es zapatistas escutam. Os <em>pasamonta\u00f1as<\/em> negros e os <em>paliacates<\/em> vermelhos se recortam sobre enormes faixas que falam de resist\u00eancias, rebeldias, espolia\u00e7\u00e3o e guerra. Do outro lado, as cadeiras do audit\u00f3rio do CIDECI-Unitierra est\u00e3o praticamente ocupadas. H\u00e1 pessoas vindas de diferentes geografias, gera\u00e7\u00f5es e lutas. Em meio a tudo isso, uma pergunta aparentemente simples come\u00e7a a se complicar: o que significa dan\u00e7ar quando os corpos, as artes e a pr\u00f3pria vida est\u00e3o sob ass\u00e9dio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na tarde de 18 de agosto, o <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55782\">Semillero<\/a> <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55782\"><em>As artes sob ass\u00e9dio<\/em><\/a> deu in\u00edcio com a primeira sess\u00e3o dedicada \u00e0 dan\u00e7a, com as participa\u00e7\u00f5es de Hugo Molina, de Foramen Danza; Susana Ponce, de Sentires Colectivos en Movimiento; Argelia Guerrero, de Otra Danza es Posible; e da Comisi\u00f3n Sexta-Ala Comando Palomitas. A dan\u00e7a seria apenas o primeiro movimento de v\u00e1rios dias dedicados tamb\u00e9m ao cinema e ao teatro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, antes de falar de corpos que dan\u00e7am, surgiu outra quest\u00e3o: o olhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Capit\u00e3o Marcos chamou a aten\u00e7\u00e3o para uma fotografia assediada simultaneamente pela intelig\u00eancia artificial, pelas transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e por uma cultura visual produzida pelas redes sociais, na qual olhar parece significar consumir cada vez mais imagens em cada vez menos tempo. Diante dessa velocidade, reivindicou um olhar atento, ainda capaz de se deter naquilo que acontece diante de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para explicar isso, voltou vinte anos no tempo, \u00e0 Outra Campanha. Um fot\u00f3grafo tinha registrado o momento em que um cavalo derrubou o ent\u00e3o Subcomandante Marcos. Decidiu guardar a fotografia porque considerou que ela poderia ser utilizada para difamar o movimento. No entanto, havia outra sequ\u00eancia: Marcos se levantava, sacudia a poeira e voltava a montar para continuar o percurso. O problema, lembrou agora o Capit\u00e3o, era que, para aqueles que decidem quais imagens circulam, \u201co que importava l\u00e1 em cima era a queda, n\u00e3o a persist\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Capit\u00e3o Marcos <\/em>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-01-CapitanMarcos.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-01-CapitanMarcos.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frase ficou pairando durante uma jornada que, de diferentes formas, falaria justamente sobre isso: sobre corpos que caem, s\u00e3o disciplinados, precarizados, racializados, violentados ou exclu\u00eddos, mas que, apesar de tudo, encontram maneiras de persistir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A terna f\u00faria tamb\u00e9m se dan\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hugo Molina come\u00e7ou a partir de uma mem\u00f3ria que um dia foi dan\u00e7a: uma carta dedicada \u00e0 companheira Conchita, \u201ca Girafa do Amor\u201d. Do &#8220;bairro bravo&#8221; de Tepito, na Cidade do M\u00e9xico, surgem o trabalho, a migra\u00e7\u00e3o, as moradias coletivas, a maternidade, os of\u00edcios, as resist\u00eancias e a dan\u00e7a. Uma biografia popular na qual a dan\u00e7a se mistura \u00e0s lutas, at\u00e9 tornar dif\u00edcil distinguir onde termina uma e come\u00e7a a outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed surgiram perguntas que atravessaram o sal\u00e3o: como traduzir a terna f\u00faria em movimento? Como dan\u00e7ar a dor? Como saltar a raiva? Para Molina, perguntar-se sobre a dan\u00e7a a partir destas montanhas implica tamb\u00e9m desconfiar de uma defini\u00e7\u00e3o ocidental que reduz dan\u00e7ar a uma sucess\u00e3o ritmada de movimentos. Como a dan\u00e7a \u00e9 nomeada e vivida nas diferentes l\u00ednguas e pelos diferentes povos?, perguntou, deslocando o olhar das academias para as geografias onde os corpos constroem outras rela\u00e7\u00f5es com o movimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas cidades, lembrou, existem as dan\u00e7as de rua e oper\u00e1rias: cumbia, rumba, salsa, danz\u00f3n, rock e outras m\u00fasicas atravessadas por presen\u00e7as afro-caribenhas e por culturas populares que transformam a rua e o sal\u00e3o em espa\u00e7os de conviv\u00eancia, identidade e comunidade. Ali tamb\u00e9m aparecem a vigil\u00e2ncia e a criminaliza\u00e7\u00e3o. A esse mapa somam-se as institui\u00e7\u00f5es profissionais, as companhias, as escolas e os mecanismos de financiamento que v\u00e3o construindo suas pr\u00f3prias hierarquias sobre quem pode dan\u00e7ar, qual corpo merece ocupar o palco e quais formas de dan\u00e7a recebem reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ass\u00e9dio tem, ent\u00e3o, uma materialidade corporal. Molina falou do ideal persistente de corpos longos, magros e brancos, da competi\u00e7\u00e3o, do classismo, al\u00e9m da viol\u00eancia psicol\u00f3gica e do ass\u00e9dio sexual que atravessam especialmente a forma\u00e7\u00e3o profissional. O corpo de quem dan\u00e7a pode se tornar simultaneamente objeto de admira\u00e7\u00e3o, mercadoria e territ\u00f3rio sobre o qual outros exercem poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Hugo Molina &#8211; Foramen Danza<\/em> (<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-02-HugoMolina.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-02-HugoMolina.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_005.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_005.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55791\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_005.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_005-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_005-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_005-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disso, a pista de dan\u00e7a tamb\u00e9m pode se transformar em outra coisa. Para Hugo, dan\u00e7ar uma boa cumbia depois de uma marcha, uma assembleia ou um <em>semillero<\/em> constitui uma declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: a organiza\u00e7\u00e3o e a rebeldia tamb\u00e9m precisam de alegria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Onde meu corpo pode estar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Susana Ponce colocou o corpo ainda mais diretamente no centro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Filha de migrantes de Veracruz e Oaxaca, cresceu na col\u00f4nia Buenos Aires, na Cidade do M\u00e9xico, e encontrou desde crian\u00e7a a dan\u00e7a nas festas populares do bairro. Depois vieram as institui\u00e7\u00f5es. Durante anos, prestou exames para ingressar em espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a cl\u00e1ssica e contempor\u00e2nea e encontrou repetidamente a mesma mensagem: havia algo em seu corpo que \u201cn\u00e3o encaixava\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa experi\u00eancia surgiram perguntas que mais tarde se transformariam em uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: onde meu corpo pode estar? O que ele pode fazer? Que lugar ele tem permiss\u00e3o para ocupar?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_010.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55792\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_010.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_010-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_010-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_010-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Susana Ponce \u2013 Sentires colectivos en movimiento<\/em> (<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-03-SusanaPonce.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-03-SusanaPonce.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Susana prop\u00f4s pensar o corpo como primeiro territ\u00f3rio e olhar criticamente para as pedagogias da dan\u00e7a que buscam uniformiz\u00e1-lo. O problema, esclareceu, n\u00e3o est\u00e1 necessariamente em aprender t\u00e9cnicas, mas nas rela\u00e7\u00f5es de poder por meio das quais determinadas corporalidades se estabelecem como medida para todas as demais. Corpos altos, magros, atl\u00e9ticos, flex\u00edveis e de pele clara acabam funcionando como ideal diante do qual outros corpos s\u00e3o classificados como insuficientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coreografia pode reproduzir a mesma l\u00f3gica quando uma pessoa decide de cima quem participa, onde se movimenta, qual sequ\u00eancia executa e durante quanto tempo. O bailarino passa ent\u00e3o a ser reduzido a um executante: um corpo que obedece e serve como mat\u00e9ria-prima de um produto final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o movimento tamb\u00e9m pode romper essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do <em>Sentires Colectivos en Movimiento<\/em>, Ponce prop\u00f4s compreender a dan\u00e7a como processo de luta. O centro deixa de estar exclusivamente na obra finalizada e se desloca para o processo: corpos que decidem, exploram, refletem e produzem coletivamente o movimento. Surge ent\u00e3o outra pergunta: o que podem fazer os corpos-territ\u00f3rios diante daquilo que pretende determinar o que eles devem ser?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um corpo se estende sobre o ch\u00e3o verde do CIDECI. Tecidos negros saem de suas m\u00e3os e terminam presos a pedras. O movimento se transforma em tens\u00e3o material: corpo, peso, territ\u00f3rio, limite. Ao lado, um celular registra a cena. A imagem digital volta a entrar dentro da imagem, como se as perguntas formuladas no in\u00edcio da noite sobre como olhamos retornassem agora de outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dan\u00e7ar em um pa\u00eds de corpos desaparecidos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o a conversa adquiriu outro peso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante seus processos de cria\u00e7\u00e3o, Susana Ponce encontrou uma pergunta que a obrigou a repensar sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica: o que significa uma arte do corpo em um pa\u00eds de corpos desaparecidos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta n\u00e3o permite procurar ref\u00fagio na autonomia da arte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_011.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_011.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55793\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_011.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_011-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_011-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_011-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No M\u00e9xico, os cartazes de busca ocupam paredes, postes, redes sociais e espa\u00e7os p\u00fablicos, at\u00e9 correrem o risco de se tornar parte naturalizada da paisagem. Por tr\u00e1s de cada um deles existe uma pessoa e uma rede de familiares que precisou aprender a buscar, rastrear, escavar, reconhecer territ\u00f3rios e enfrentar institui\u00e7\u00f5es que muitas vezes abandonam essa tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dan\u00e7a come\u00e7ou ent\u00e3o a acompanhar essas aus\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Sem rostos, sem nome nem voz<\/em> recupera a mem\u00f3ria de corpos desaparecidos encontrados em rios e canais; <em>Ind\u00edcios de aus\u00eancia<\/em> dialoga com as m\u00e3es bordadeiras e com Huellas de la Memoria; <em>Nossos corpos desaparecidos<\/em> tenta devolver espa\u00e7o e volume aos cartazes de busca; e <em>Voc\u00ea os viu?<\/em> elimina at\u00e9 mesmo a separa\u00e7\u00e3o convencional entre int\u00e9rpretes e espectadores, para impedir que aqueles que est\u00e3o presentes permane\u00e7am alheios ao que acontece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A busca art\u00edstica encontra aqui um limite \u00e9tico: olhar para o outro lado se torna imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De repente, aquela discuss\u00e3o inicial sobre o olhar adquire outro sentido. O problema j\u00e1 n\u00e3o consiste apenas em quantas imagens consumimos ou naquilo que uma intelig\u00eancia artificial pode fabricar. Est\u00e1 tamb\u00e9m nas imagens reais que aprendemos a deixar de olhar: os rostos que se acumulam nos cartazes, os nomes, os corpos que est\u00e3o ausentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A dan\u00e7a como of\u00edcio de teimosas e teimosos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Argelia Guerrero levou a discuss\u00e3o para as condi\u00e7\u00f5es materiais que permitem ou impedem que esses corpos continuem dan\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partiu de <em>A sagra\u00e7\u00e3o da primavera<\/em>, de Alejo Carpentier, e de uma bailarina que, ao longo do romance, deixa de compreender sua pr\u00e1tica unicamente como execu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica para se deparar com a hist\u00f3ria. Para Guerrero, essa transforma\u00e7\u00e3o cont\u00e9m uma pergunta inevit\u00e1vel sobre o lugar do artista no mundo: olhar para o movimento implica tamb\u00e9m pensar a hist\u00f3ria e imaginar o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas qualquer romantiza\u00e7\u00e3o sobre \u201cviver da arte\u201d se desfaz quando olhamos para as condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 poucas companhias capazes de oferecer alguma estabilidade, a idade limita violentamente as trajet\u00f3rias, os fen\u00f3tipos e a cor da pele continuam funcionando como crit\u00e9rios de exclus\u00e3o, e boa parte daqueles que trabalham de forma independente n\u00e3o tem seguridade social. Uma les\u00e3o pode se transformar imediatamente em uma cat\u00e1strofe econ\u00f4mica. Manter o corpo \u2014 a ferramenta e, ao mesmo tempo, o territ\u00f3rio de trabalho \u2014exige treinamento constante, tempo e recursos que muitas vezes saem do pr\u00f3prio bolso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m aqueles que criam dependem frequentemente de bolsas, editais e subs\u00eddios que condicionam tempos, linguagens e temas. No entanto, a precariedade n\u00e3o conseguiu deter a cria\u00e7\u00e3o. \u201cE, no entanto, nos movemos\u201d, foi uma das ideias que articulou sua interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00ed aparece outra forma de persist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Argelia Guerrero \u2013 Otra Danza es posible<\/em> (<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-04-ArgeliaGuerrero.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-04-ArgeliaGuerrero.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_014.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_014.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55794\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_014.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_014-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_014-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_014-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guerrero insistiu que democratizar a dan\u00e7a significa muito mais do que multiplicar atividades institucionais ou encher pra\u00e7as com aulas coletivas. Significa reconhecer diferentes corporalidades, hist\u00f3rias e territ\u00f3rios e, sobretudo, escutar as comunidades antes de decidir por elas de que arte precisam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quando as crian\u00e7as tomam a palavra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mesa tinha ainda outras presen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ver\u00f3nica, do Caracol Dolores Hidalgo, disse que estava aprendendo aos poucos; ainda \u201cmais ou menos\u201d, mas se preparando para se apresentar no Caracol Jacinto Canek. Cladys, do Caracol Jacinto Canek, respondeu com a mesma simplicidade: haveria dan\u00e7a e era preciso se empenhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas pequenas interven\u00e7\u00f5es diante de longas discuss\u00f5es sobre institui\u00e7\u00f5es, precariedade, colonialismo, t\u00e9cnica e capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, no entanto, talvez ali tamb\u00e9m fosse poss\u00edvel observar uma resposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aprender.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ensaiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apresentar-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuar dan\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Comando Palomitas (Ver\u00f3nica e Cladys)<\/em> (<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-05-ComandoPalomitas.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-05-ComandoPalomitas.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_015.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55795\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_015.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_015-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_015-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_015-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas imagens, meninas zapatistas compartilham a mesa com artistas de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, enquanto ao fundo permanecem forma\u00e7\u00f5es de milicianos e milicianas. No mesmo enquadramento convivem inf\u00e2ncia, arte, organiza\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria de uma hist\u00f3ria armada. Nenhuma dessas dimens\u00f5es anula as outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que se v\u00ea quando algu\u00e9m cai<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final, a imagem do cavalo volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma queda pode ser narrada como derrota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel construir uma sequ\u00eancia mais longa: queda, poeira, o corpo que se levanta, volta a montar e continua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante v\u00e1rias horas, as interven\u00e7\u00f5es do <em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55782\">Semillero<\/a><\/em> pareceram prolongar involuntariamente aquela fotografia ausente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hugo falou de corpos populares que continuam dan\u00e7ando, embora a dan\u00e7a profissional pretenda estabelecer quem merece ocupar o palco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Susana falou de corporalidades \u00e0s quais foi dito que n\u00e3o pertenciam e que transformaram essa rejei\u00e7\u00e3o em uma pergunta coletiva; de corpos desaparecidos cuja aus\u00eancia se recusa a desaparecer tamb\u00e9m da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Argelia falou daqueles que trabalham sem estabilidade nem seguridade social, atravessam les\u00f5es, precariedade e pol\u00edticas culturais institucionais e, ainda assim, continuam criando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As meninas zapatistas disseram que est\u00e3o aprendendo e que v\u00e3o dan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_002.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55796\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_002.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_002-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_002-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_002-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o ass\u00e9dio contra as artes tamb\u00e9m funcione dessa maneira: pretende decidir quais corpos s\u00e3o v\u00e1lidos, quais movimentos podem realizar, quais imagens merecem circular, quais mem\u00f3rias podem ser preservadas e quais formas de cria\u00e7\u00e3o recebem recursos, palco e reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disso, persistir assume muitas formas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes significa construir coletivamente uma coreografia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes, acompanhar aqueles que procuram seus desaparecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes, defender o pr\u00f3prio corpo como territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes, criar sem a seguran\u00e7a de conseguir chegar ao fim do m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes, olhar atentamente para aquilo que a velocidade nos exige esquecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, \u00e0s vezes, depois de uma assembleia na qual se falou de guerras, desaparecidos, explora\u00e7\u00e3o e corpos sitiados, significa simplesmente colocar uma cumbia e voltar a dan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque talvez seja a\u00ed tamb\u00e9m que comece uma pol\u00edtica da persist\u00eancia: quando os corpos que deveriam permanecer im\u00f3veis decidem continuar se movendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Capit\u00e1n Insurgente Marcos &#8211; Conto &#8220;O amor e o desamor segundo Sombra, O Guerreiro (segunda parte)&#8221;<\/em> (<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-06-CapitanMarcos.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artesbajoacoso-dia1-06-CapitanMarcos.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_004.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" data-id=\"55814\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_004.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55814\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_004.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_004-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_004-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_004-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_006.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" data-id=\"55813\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_006.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55813\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_006.jpg 1000w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_006-350x233.jpg 350w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_006-768x512.jpg 768w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_006-700x466.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/signal-2026-08-19-16-00-07-848_012.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" data-id=\"55809\" 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Os pasamonta\u00f1as negros e os paliacates vermelhos se recortam sobre enormes faixas que falam de resist\u00eancias, rebeldias, espolia\u00e7\u00e3o e guerra. Do outro lado, as cadeiras do audit\u00f3rio do CIDECI-Unitierra est\u00e3o praticamente ocupadas. H\u00e1 pessoas vindas de diferentes geografias, gera\u00e7\u00f5es e lutas. 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