{"id":55492,"date":"2026-07-27T12:52:27","date_gmt":"2026-07-27T18:52:27","guid":{"rendered":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55492"},"modified":"2026-07-27T12:53:48","modified_gmt":"2026-07-27T18:53:48","slug":"dia-5-sessao-2-encontro-guerra-contra-la-humanidad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55492","title":{"rendered":"Dia 5, Sess\u00e3o 2, Encontro \u201cGuerra contra la Humanidad\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Dia 5, sess\u00e3o 2<br><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55029\">Semillero \u201cGuerra contra la Humanidad\u201d<\/a><br><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55029\">(Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>24 de julho de 2026<br>Cideci \/ Universidad de la Tierra, Chiapas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima sess\u00e3o do <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55029\">Semillero \u201cGuerra contra la Humanidad\u201d<\/a> <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55029\">(Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)<\/a> centrou-se nas <strong><em>diferen\u00e7as<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim se encerrou este extraordin\u00e1rio espa\u00e7o de reflex\u00e3o e pensamento cr\u00edtico, com a for\u00e7a, a pot\u00eancia, a contund\u00eancia e a feroz ternura de mulheres e <em>outroas<\/em> que, por meio de seus m\u00faltiplos olhares, nos convidaram a enxergar, com cora\u00e7\u00f5es indignados, a viol\u00eancia de um sistema-mundo que se imp\u00f5e como \u00fanico, mas tamb\u00e9m, com amor e esperan\u00e7a, a multiplicidade das realidades humanas que comp\u00f5em um mundo de in\u00fameras e deslumbrantes cores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que melhor forma de concluir este <em>semillero<\/em>, que nos ofereceu uma oportunidade \u00fanica de compreender n\u00e3o apenas a trag\u00e9dia que hoje acomete a humanidade e o planeta, neste momento de tanta escurid\u00e3o, mas tamb\u00e9m as muitas luzes de esperan\u00e7a que nascem do empenho em criar e proteger a vida a partir de tantos e t\u00e3o diversos lugares e cora\u00e7\u00f5es: outros mundos que j\u00e1 existem e que nos permitem continuar, caminhando esperan\u00e7ando em meio \u00e0 tempestade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Titze Malamb\u00e9 \u2013 \u201cRadiograf\u00eda do corpo em resist\u00eancia\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55418\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t01-TitzeMalambe.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t01-TitzeMalambe.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pele como territ\u00f3rio e trincheira: guerra, dissid\u00eancias e corpos descart\u00e1veis<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os corpos dissidentes no M\u00e9xico n\u00e3o s\u00e3o sujeitos de prote\u00e7\u00e3o do Estado, mas territ\u00f3rios de guerra. \u00c9 o que exp\u00f5e Titze Malamb\u00e9 ao analisar como a viol\u00eancia contra as dissid\u00eancias sexo-g\u00eanero, as trabalhadoras sexuais e as pessoas trans n\u00e3o constitui um fen\u00f4meno isolado da criminalidade comum, mas faz parte de uma estrat\u00e9gia sistem\u00e1tica de militariza\u00e7\u00e3o, controle e exterm\u00ednio que caracteriza a atual fase do capitalismo no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com clareza, Malamb\u00e9 afirma: o Estado n\u00e3o protege esses corpos, ele os persegue. A pol\u00edcia, que deveria garantir seguran\u00e7a, transforma-se em algoz. O sistema de justi\u00e7a, que deveria investigar os transfeminic\u00eddios, os naturaliza e os esquece. O capitalismo, que empurra mulheres pobres, pessoas trans e dissid\u00eancias para a prostitui\u00e7\u00e3o, depois as criminaliza por venderem o pr\u00f3prio corpo como \u00faltimo recurso de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 nova, mas se aprofundou. Durante o chamado governo da <strong>Quarta Transforma\u00e7\u00e3o<\/strong>, enquanto o governo proclama estar &#8220;ao lado dos pobres&#8221;, a militariza\u00e7\u00e3o se intensifica, o crime organizado continua operando sem limites e os corpos dissidentes seguem tombando. Travestis assassinadas em Ecatepec, trabalhadoras sexuais desaparecidas em Iztapalapa e pessoas trans espancadas pela pol\u00edcia n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. S\u00e3o parte de uma pol\u00edtica de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Malamb\u00e9 conectou os pontos que as autoridades insistem em manter separados: a repress\u00e3o policial contra as trabalhadoras sexuais, o proxenetismo que atua impunemente, o paramilitarismo que faz desaparecer corpos considerados inc\u00f4modos e os transfeminic\u00eddios executados sob o manto da impunidade. Tudo isso funciona como um \u00fanico mecanismo de aniquila\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pele, afirmou, \u00e9 territ\u00f3rio. E esse territ\u00f3rio est\u00e1 sob ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dessa realidade, a resposta n\u00e3o pode ser pedir mais prote\u00e7\u00e3o a um Estado que mata. N\u00e3o se pode confiar nas institui\u00e7\u00f5es que perpetuam a viol\u00eancia. A sa\u00edda, sustenta Titze Malamb\u00e9, \u00e9 aquela que j\u00e1 vem sendo constru\u00edda pelas pr\u00f3prias trabalhadoras sexuais, pelas ativistas trans e pelas dissid\u00eancias: a organiza\u00e7\u00e3o a partir da base, a autonomia, a autodefesa e a constru\u00e7\u00e3o de redes de cuidado coletivo que o Estado jamais oferecer\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O chamado final foi direto: dirigido a jornalistas, ativistas, pesquisadores, artistas e a todos aqueles que se dizem comprometidos com o pensamento cr\u00edtico. Acompanhar essas lutas n\u00e3o \u00e9 um ato de caridade. \u00c9 reconhecer que a defesa dos corpos dissidentes \u00e9, antes de tudo, a defesa da pr\u00f3pria vida contra uma m\u00e1quina de morte que continua em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Vica Rule \u2013 \u201cPot\u00eancia travesti contra o realismo capitalista: propaganda por uma milit\u00e2ncia em defesa da vida\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55429\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t02-VicaRule.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t02-VicaRule.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A guerra contra a humanidade tamb\u00e9m persegue as pessoas trans<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia contra as pessoas trans no M\u00e9xico n\u00e3o \u00e9 um fato isolado nem uma discuss\u00e3o recente. Ela faz parte de uma guerra permanente contra a vida, sustentada pela impunidade, pelo \u00f3dio e pela expropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria como sobrevivente de tortura, sequestro e agress\u00f5es motivadas por sua identidade, Vica Rule afirmou que o sistema capitalista tem buscado despolitizar as lutas da diversidade sexual, enquanto os crimes de \u00f3dio continuam a crescer. Lembrou que os transfeminic\u00eddios e travestic\u00eddios ocorrem h\u00e1 d\u00e9cadas no M\u00e9xico e denunciou que muitas dessas viol\u00eancias permanecem invisibilizadas ou s\u00e3o encobertas pelas autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mem\u00f3ria \u00e9 uma forma de resist\u00eancia, insistiu a ativista. Ela recordou a hist\u00f3ria das primeiras marchas do orgulho como espa\u00e7os de protesto \u2014 e n\u00e3o de celebra\u00e7\u00e3o comercial \u2014 e convocou \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o dos discursos da extrema direita, que transformaram as pessoas trans em alvo de uma nova ofensiva pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua mensagem foi conclu\u00edda com um chamado para romper com a resigna\u00e7\u00e3o, exigir justi\u00e7a para as v\u00edtimas da transfobia e manter viva a rebeldia ao lado das demais lutas do povo. &#8220;N\u00e3o podemos renunciar \u00e0 resist\u00eancia&#8221;, afirmou, porque a defesa da diversidade tamb\u00e9m faz parte da defesa da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Brenda Nava Galindo \u2013 \u201cHabitar a fuga, criar outros mundos: o quilombismo como mem\u00f3ria, territ\u00f3rio e resist\u00eancia antirracista diante do colonialismo\u201d.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55432\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t03-BrendaNavaGalindo.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t03-BrendaNavaGalindo.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O racismo n\u00e3o \u00e9 apenas discrimina\u00e7\u00e3o ou preconceito; \u00e9 uma estrutura hist\u00f3rica de domina\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse foi o ponto de partida da an\u00e1lise de Brenda Nava Galindo. O racismo \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica europeia que possibilitou tanto a expans\u00e3o do colonialismo quanto a acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capitalismo, por meio de uma classifica\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO racismo \u00e9 uma tecnologia de poder que organiza e hierarquiza quem merece viver com dignidade, quem pode ter acesso a direitos e quem \u00e9 reduzido a uma condi\u00e7\u00e3o de inferioridade.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ra\u00e7a, que biologicamente n\u00e3o existe, foi criada como categoria pelos colonizadores europeus para justificar a apropria\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios e riquezas, bem como a escraviza\u00e7\u00e3o e o exterm\u00ednio dos povos origin\u00e1rios, africanos e afrodescendentes. Essa classifica\u00e7\u00e3o colocou o europeu \u2014 concebido como &#8220;branco&#8221; \u2014 no topo da humanidade, identificada com a &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;, enquanto ind\u00edgenas e africanos foram reduzidos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de selvagens, primitivos, irracionais e, evidentemente, inferiores. Na pr\u00e1tica, a hierarquia imposta pelo racismo define quem \u00e9 considerado plenamente humano e quem \u00e9 privado desse reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa concep\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica da humanidade chegou \u00e0s Am\u00e9ricas com a conquista e a coloniza\u00e7\u00e3o europeias, mas n\u00e3o desapareceu com as independ\u00eancias. Ela permaneceu enraizada no imagin\u00e1rio coletivo e continua sendo imposta pela distribui\u00e7\u00e3o desigual n\u00e3o apenas do poder, da riqueza e do trabalho, mas tamb\u00e9m do conhecimento \u2014 isto \u00e9, pela defini\u00e7\u00e3o de quais saberes e formas de compreender o mundo s\u00e3o considerados leg\u00edtimos e quais s\u00e3o desqualificados; de quem \u00e9 reconhecido como produtor de conhecimento e quem \u00e9 reduzido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mero &#8220;objeto de estudo&#8221;. Brenda Nava comparou esse <strong>extrativismo epist\u00eamico<\/strong> \u2014 a apropria\u00e7\u00e3o dos conhecimentos dos povos considerados &#8220;inferiores&#8221; pelas elites culturais hegem\u00f4nicas \u2014 ao extrativismo de min\u00e9rios e hidrocarbonetos. Diante disso, a proposta n\u00e3o \u00e9 rejeitar a ci\u00eancia nem os conhecimentos de matriz europeia, mas <strong>desarticular o monop\u00f3lio da verdade<\/strong>: promover &#8220;um profundo processo de questionamento radical das hierarquias do saber, do poder e do ser herdadas da modernidade colonial e, a partir da\u00ed, construir horizontes alter-nativos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ativista tamb\u00e9m apresentou uma cr\u00edtica contundente ao que denominou <strong>&#8220;feminismo branco hegem\u00f4nico&#8221;<\/strong>. Esclareceu que n\u00e3o se refere a todo feminismo surgido na Europa nem a toda feminista branca, mas \u00e0quele feminismo que toma a experi\u00eancia da mulher branca como padr\u00e3o universal e ignora as profundas diferen\u00e7as que marcam a vida das mulheres racializadas. Ao faz\u00ea-lo, esse feminismo invisibiliza as viol\u00eancias de g\u00eanero atravessadas pelo despojo territorial, pela militariza\u00e7\u00e3o, pelo extrativismo, pelo empobrecimento e pelo racismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, Brenda Nava apresentou o trabalho anticolonial e antirracista do coletivo <strong>AFROntera Cimarrona<\/strong>, do qual faz parte. Explicou que o nome do coletivo inspira-se no <strong>quilombismo<\/strong> (<em>cimarronaje<\/em>): a fuga de pessoas escravizadas e a funda\u00e7\u00e3o de comunidades aut\u00f4nomas nas quais, em contraposi\u00e7\u00e3o ao apagamento promovido pela colonialidade, florescia a mem\u00f3ria de suas origens, de suas l\u00ednguas, de suas pr\u00e1ticas religiosas e de suas pr\u00f3prias formas de organiza\u00e7\u00e3o social. O quilombismo constituiu, assim, um exemplo vivo da possibilidade de construir outras sociedades, fundamentadas nos saberes e nas formas de compreender o mundo dos povos historicamente inferiorizados pela colonialidade. Em muitos aspectos, concluiu, essa experi\u00eancia guarda importantes afinidades com o zapatismo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Argelia Guerrero \u2013 \u201c\u2018Dan\u00e7a para mulheres\u2019\u2026 que lutam\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55435\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t04-ArgeliaGuerrero.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t04-ArgeliaGuerrero.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No 8 de mar\u00e7o de 2018, em meio \u00e0 escurid\u00e3o, mais de duas mil velas foram acesas nas m\u00e3os de mulheres zapatistas, que simbolicamente as entregaram \u00e0s milhares de mulheres de todo o mundo reunidas no primeiro Encontro Internacional de Mulheres que Lutam. &#8220;Essa luz \u00e9 para voc\u00ea&#8221;, disseram. &#8220;Quando sentir que a luta \u2014 ou seja, a vida \u2014 est\u00e1 muito dura, acenda-a novamente em seu cora\u00e7\u00e3o.&#8221; &#8220;E n\u00e3o fique com ela&#8221;, acrescentaram: leve-a \u00e0s assassinadas, \u00e0s desaparecidas, \u00e0s presas, \u00e0s estupradas, \u00e0s violentadas de tantas formas, para que essa pequena luz ilumine o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste \u00faltimo dia do Semillero, a dan\u00e7arina, pesquisadora e ativista Argelia Guerrero nos trouxe essa pequena luz na forma de um ramalhete de mulheres que lutam, ao ritmo dos sete movimentos e do <em>aleluia<\/em> que comp\u00f5em o <em>Stabat Mater<\/em>, de Pergolesi, a m\u00fasica da pe\u00e7a que ela definiu como &#8220;uma das mais belas dan\u00e7as criadas pela bailarina e core\u00f3grafa mexicana Gloria Contreras&#8221;: <strong>Dan\u00e7a para mulheres<\/strong> \u2014 \u00e0 qual acrescentou: <strong>que lutam<\/strong>. Uma obra, explicou, dedicada \u00e0s m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s <strong>m\u00e3es buscadoras<\/strong>, em sua luta incans\u00e1vel por encontrar seus filhos e filhas desaparecidos, carregando a dor indiz\u00edvel da aus\u00eancia e da incerteza, enquanto enfrentam n\u00e3o apenas a ina\u00e7\u00e3o e a incompet\u00eancia do Estado, mas tamb\u00e9m a criminaliza\u00e7\u00e3o, a persegui\u00e7\u00e3o e a desqualifica\u00e7\u00e3o dirigidas contra elas pr\u00f3prias \u2014 express\u00e3o evidente da cumplicidade do Estado mexicano com o crime organizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s <strong>mulheres trabalhadoras<\/strong>, cuja luta nasce da explora\u00e7\u00e3o laboral e de classe, enfrentando as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias impostas pelo capitalismo e defendendo os direitos do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s <strong>m\u00e3es de v\u00edtimas de feminic\u00eddio<\/strong> e \u00e0s <strong>mulheres sobreviventes da viol\u00eancia machista<\/strong>, que enfrentam a impunidade, a revitimiza\u00e7\u00e3o e o esquecimento \u2014 sendo, muitas vezes, elas pr\u00f3prias tamb\u00e9m assassinadas \u2014, preservando a mem\u00f3ria de suas filhas e exigindo justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s <strong>mulheres ind\u00edgenas<\/strong>, que defendem seus povos, culturas, l\u00ednguas e territ\u00f3rios, e cuja resist\u00eancia inspira espa\u00e7os como a <strong>Rotat\u00f3ria das Mulheres que Lutam<\/strong>, onde mulheres mazatecas, otom\u00eds, triquis, mazahuas e de outros povos t\u00eam se reunido para compartilhar suas hist\u00f3rias e transformar a dor coletiva em verdadeiros &#8220;jardins da mem\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s <strong>defensoras dos territ\u00f3rios<\/strong>, compreendendo o territ\u00f3rio n\u00e3o apenas como terra, mas tamb\u00e9m como corpo, mem\u00f3ria, identidade, comunidade e espa\u00e7o de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s <strong>mulheres jovens<\/strong>, que transformam sua rebeldia em organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social diante do capitalismo, do patriarcado e de outras formas de opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s <strong>mulheres artistas<\/strong>, que utilizam a m\u00fasica, a dan\u00e7a, o cinema, a fotografia, o bordado e tantas outras formas de express\u00e3o para dar visibilidade \u00e0s lutas, construir mem\u00f3ria e fortalecer a resist\u00eancia coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <em>aleluia<\/em> que encerra a obra, afirmou Argelia Guerrero, simboliza justamente aquela pequena luz que as zapatistas nos entregaram h\u00e1 oito anos. Uma luz guardada coletivamente, que tremula junto \u00e0s desaparecidas, \u00e0s assassinadas, \u00e0s presas, \u00e0s estupradas, \u00e0s espancadas e \u00e0s mulheres assediadas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A luta nunca mais foi a mesma desde aquela noite em que as companheiras nos iluminaram com sua luz. Ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer, mas, naquela noite, nos sentimos menos sozinhas.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Como mulheres que somos&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mulheres e <em>outroas<\/em> zapatistas encerraram o Semillero &#8220;Guerra contra a Humanidade&#8221; e convocaram a semear o comum diante de um sistema que busca fazer desaparecer a vida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o foi um discurso de despedida. Foi uma conversa de mulher para mulher, de <em>outroa<\/em> para <em>outroa<\/em>, de povo para povo, da dor para a esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mulheres e <em>outroas<\/em> \u2014 bases de apoio, uma miliciana, uma coordenadora de artes e duas integrantes da Comiss\u00e3o Permanente do Governo Aut\u00f4nomo \u2014 transformaram a palavra em um abra\u00e7o coletivo e em um chamado urgente \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o para defender a vida. Representando a voz de milhares de mulheres zapatistas e <em>outroas<\/em>, Marijose, Mia, Yuli, Remedios, Fernanda, Mareli e Erica compartilharam sua palavra. <em>(Textos completos e \u00e1udios abaixo.)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55439\">Marijose<\/a><\/strong>, recordou a hist\u00f3ria de explora\u00e7\u00e3o suportada por suas av\u00f3s, bisav\u00f3s e tatarav\u00f3s. Essa hist\u00f3ria de explora\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, afirmou, continua atingindo sobretudo as mulheres ind\u00edgenas, pobres e trabalhadoras. &#8220;O sistema capitalista busca nos dividir por g\u00eanero, ra\u00e7a, religi\u00e3o ou identidade, quando a resposta s\u00f3 pode ser constru\u00edda em comum.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de sua experi\u00eancia como mulher trans zapatista, <strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55442\">M\u00eda<\/a><\/strong> compartilhou que foi no comum que encontrou autonomia, respeito, liberdade e uma fam\u00edlia. &#8220;A dor de voc\u00eas \u00e9 a nossa dor; a raiva de voc\u00eas \u00e9 a nossa raiva&#8221;, afirmou, dirigindo-se a todas as dissid\u00eancias que sofreram e seguem sofrendo as diversas viol\u00eancias do sistema. O inimigo n\u00e3o s\u00e3o as diferen\u00e7as entre os povos, mas um sistema que alimenta a discrimina\u00e7\u00e3o e a expropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As vozes de <strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55444\">Yuli<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55450\">Remedios<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55453\">Fernanda<\/a><\/strong>, <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55455\"><strong>Mareli<\/strong><\/a> y <strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55457\">Erica<\/a><\/strong> foram tecendo uma mesma mensagem. Manifestaram sua solidariedade \u00e0s m\u00e3es buscadoras: &#8220;Sentimos sua dor e sua raiva, e reconhecemos a luta de m\u00e3es, pais, irm\u00e3os e irm\u00e3s, homens e mulheres.&#8221; Falaram sobre a juventude recrutada pelo crime organizado, sobre a viol\u00eancia contra mulheres e meninas, sobre o saqueio dos territ\u00f3rios e da M\u00e3e Terra. Mas, acima de tudo, falaram da organiza\u00e7\u00e3o como o \u00fanico caminho poss\u00edvel:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O capitalismo \u00e9 cruel, desumano e criminoso. Nasceu para o mal e pelo mal morrer\u00e1.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esclareceram que n\u00e3o convocam \u00e0 guerra, mas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, da liberdade e da democracia desde baixo, sem esperar que a mudan\u00e7a venha daqueles que governam em benef\u00edcio de seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mensagem foi clara e expressa com a convic\u00e7\u00e3o de quem a semeou na terra que defende: &#8220;H\u00e1 apenas um caminho, e esse caminho \u00e9 o comum.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com essa certeza, as mulheres zapatistas encerraram o Semillero voltando seu olhar para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>N\u00f3s, mulheres zapatistas, por sermos mulheres, acreditamos nessa transforma\u00e7\u00e3o. Em Chiapas, em algum lugar do mundo, o comum j\u00e1 nasceu.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marijose, <em>outroa<\/em> zapatista<\/strong> <strong>| <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55439\">Texto completo<\/a> | <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t05-Marijose.mp3\">Baixe o \u00e1udio<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t05-Marijose.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mia,<\/strong> <strong><strong><em>outroa<\/em><\/strong> zapatista <strong>| <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55442\">Texto completo<\/a> | <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t06-Mia.mp3\">Baixe o \u00e1udio<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t06-Mia.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Yuli, Comisi\u00f3n Permanente del Gobierno Com\u00fan <strong>| <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55444\">Texto completo<\/a> | <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t07-Yuli.mp3\">Baixe o \u00e1udio<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t07-Yuli.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Remedios, <strong>Comisi\u00f3n Permanente del Gobierno Com\u00fan <strong>| <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55450\">Texto completo<\/a> | <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t08-Remedios.mp3\">Baixe o \u00e1udio<\/a><\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t08-Remedios.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fernanda,<strong> jovem coordenadora de arte <strong>| <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55453\">Texto completo<\/a> | <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t09-Fernanda.mp3\">Baixe o \u00e1udio<\/a><\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t09-Fernanda.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mareli, miliciana<strong><strong> <strong>| <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55455\">Texto completo<\/a> | <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t10-Mareli.mp3\">Baixe o \u00e1udio<\/a><\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t10-Mareli.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Erica, base de apoio | <strong><strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55457\">Texto completo<\/a> | <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t11-Erica.mp3\">Baixe o \u00e1udio<\/a><\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dia5_t11-Erica.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pozol13-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"233\" 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