{"id":55364,"date":"2026-07-24T14:26:03","date_gmt":"2026-07-24T20:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55364"},"modified":"2026-07-24T14:48:41","modified_gmt":"2026-07-24T20:48:41","slug":"dia-4-do-encontro-guerra-contra-a-humanidade-as-populacoes-e-a-natureza-sob-cerco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55364","title":{"rendered":"Dia 4 &#8211; Encontro &#8220;Guerra contra a Humanidade&#8221; (As popula\u00e7\u00f5es e a natureza sob cerco)"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Dia 4 do <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55029\">Semillero \u201cGuerra contra la Humanidad\u201d<\/a><br>(Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>23 de julho de 2026<br>Cideci \/ Universidad de la Tierra, Chiapas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste quarto dia do Semillero \u201cGuerra contra a Humanidade\u201d (As popula\u00e7\u00f5es e a natureza sob cerco), o Capit\u00e3o Marcos informou que, at\u00e9 o dia anterior, havia 686 participantes de 28 geografias, al\u00e9m de mais de 200 zapatistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da jornada, foram compartilhadas reflex\u00f5es profundas e contundentes sobre migra\u00e7\u00e3o, as diversas formas da guerra, a busca por pessoas desaparecidas e as corpora\u00e7\u00f5es criminosas, tudo isso inserido na luta pela vida e na constru\u00e7\u00e3o de alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A seguir, apresentamos um resumo das exposi\u00e7\u00f5es, bem como os \u00e1udios e os links para os textos completos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bruno Miranda \u2013 \u201cOlhares cr\u00edticos sobre as migra\u00e7\u00f5es e as fronteiras\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55330\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BrunoMiranda.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BrunoMiranda.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>As fronteiras n\u00e3o impedem a migra\u00e7\u00e3o; elas produzem a ilegalidade.<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste quarto dia do Semillero \u201cGuerra contra a Humanidade\u201d, o pesquisador Bruno Miranda prop\u00f4s compreender o fen\u00f4meno migrat\u00f3rio por outro \u00e2ngulo: n\u00e3o foram as migra\u00e7\u00f5es que deram origem \u00e0s fronteiras, mas sim as fronteiras e os Estados que produziram a figura do migrante. Nessa perspectiva, migrar deixa de ser um fato natural e passa a ser uma condi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica constru\u00edda pelo Estado e pelo capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante sua apresenta\u00e7\u00e3o <strong>\u201cOlhares cr\u00edticos sobre as migra\u00e7\u00f5es e as fronteiras\u201d<\/strong>, Miranda prop\u00f4s desnaturalizar tanto a migra\u00e7\u00e3o quanto as fronteiras. Explicou que a mobilidade humana sempre existiu, mas a categoria de \u201cmigrante\u201d surge com os Estados nacionais, capazes de definir quem pertence a um territ\u00f3rio e quem dele \u00e9 exclu\u00eddo. Assim, as fronteiras n\u00e3o apenas delimitam pa\u00edses: elas classificam pessoas, autorizam determinadas mobilidades e criminalizam outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador, as migra\u00e7\u00f5es foram fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o do capitalismo moderno. Cidades, ferrovias, agricultura e industrializa\u00e7\u00e3o nas Am\u00e9ricas foram erguidas pelo trabalho de milh\u00f5es de migrantes. Entretanto, essa mesma for\u00e7a de trabalho indispens\u00e1vel \u00e0 economia \u00e9 posteriormente ilegalizada por pol\u00edticas que transformam em \u201cilegais\u201d pessoas antes aceitas quando o mercado precisava delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, explicou que a chamada crise migrat\u00f3ria funciona muitas vezes como um discurso pol\u00edtico que justifica o endurecimento das pol\u00edticas de controle. Sob essa l\u00f3gica, fortalece-se a securitiza\u00e7\u00e3o das fronteiras: muros, vigil\u00e2ncia militar, drones, sistemas biom\u00e9tricos e uma crescente coopera\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es policiais e migrat\u00f3rias que tratam a mobilidade humana como amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miranda afirmou que essas pol\u00edticas n\u00e3o buscam impedir totalmente a migra\u00e7\u00e3o, mas administr\u00e1-la por meio de estrat\u00e9gias de dissuas\u00e3o, obrigando as pessoas a percorrer rotas cada vez mais perigosas ou permanecer meses \u2014 e at\u00e9 anos \u2014 aguardando uma decis\u00e3o migrat\u00f3ria. Esse modelo tamb\u00e9m alimenta uma crescente ind\u00fastria migrat\u00f3ria, na qual centros privados de deten\u00e7\u00e3o obt\u00eam lucros milion\u00e1rios com o encarceramento de migrantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem consegue atravessar a fronteira, a viol\u00eancia n\u00e3o termina. Segundo Miranda, opera-se uma inclus\u00e3o diferencial: os migrantes s\u00e3o incorporados ao mercado de trabalho porque sua m\u00e3o de obra \u00e9 necess\u00e1ria, mas continuam exclu\u00eddos do pleno acesso a direitos e \u00e0 cidadania. A fronteira deixa, assim, de ser apenas uma linha geogr\u00e1fica para tornar-se um mecanismo cotidiano de vigil\u00e2ncia, medo e incerteza \u2014 o que ele definiu como internaliza\u00e7\u00e3o das fronteiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A isso somam-se pr\u00e1ticas como o perfilamento racial, que considera suspeitas determinadas pessoas por sua apar\u00eancia, e as deporta\u00e7\u00f5es externalizadas, por meio das quais governos transferem migrantes para terceiros pa\u00edses, ampliando o controle migrat\u00f3rio muito al\u00e9m de suas pr\u00f3prias fronteiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Longe de apresentar os migrantes apenas como v\u00edtimas, Bruno Miranda destacou que eles tamb\u00e9m constroem formas coletivas de resist\u00eancia. As caravanas migrantes, afirmou, representam estrat\u00e9gias de cuidado m\u00fatuo, organiza\u00e7\u00e3o e defesa diante de uma ordem fronteiri\u00e7a que busca administrar indiv\u00edduos, mas encontra na a\u00e7\u00e3o coletiva uma disputa permanente pelo direito de buscar uma vida digna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miranda nos convida, assim, a compreender a migra\u00e7\u00e3o a partir de uma perspectiva cr\u00edtica: reconhecer que, por tr\u00e1s de cada fronteira, existem decis\u00f5es pol\u00edticas, interesses econ\u00f4micos e rela\u00e7\u00f5es de poder que continuam determinando quem pode circular livremente e quem precisa arriscar a pr\u00f3pria vida para faz\u00ea-lo. Mas tamb\u00e9m entender que a migra\u00e7\u00e3o revela a resist\u00eancia daqueles que insistem em buscar um lugar digno em um mundo marcado pelo despojo e pela exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">David Barrios \u2013 \u201cO fim das guerras e as lutas pelo futuro\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55332\"><strong>Texto completo aqui.<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DavidBarrios.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DavidBarrios.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>As guerras de hoje buscam controlar a vida e os territ\u00f3rios.<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">David Barrios afirmou que a militariza\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o responde apenas a conflitos entre Estados, mas constitui uma estrat\u00e9gia para reorganizar territ\u00f3rios, apropriar-se dos bens naturais e disciplinar as popula\u00e7\u00f5es. Diante desse cen\u00e1rio, defendeu o fortalecimento da organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e da defesa da M\u00e3e Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua apresenta\u00e7\u00e3o <strong>\u201cO fim das guerras e as lutas pelo futuro\u201d<\/strong>, explicou que as guerras contempor\u00e2neas deixaram de ser apenas confrontos militares para tornar-se uma ofensiva permanente destinada a controlar territ\u00f3rios, garantir o acesso aos bens naturais e reorganizar a vida dos povos em benef\u00edcio do capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Barrios destacou que a militariza\u00e7\u00e3o atual ultrapassa o \u00e2mbito estritamente militar, manifestando-se por meio da expans\u00e3o de bases, opera\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, pol\u00edticas de controle territorial, criminaliza\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es e fortalecimento dos mecanismos de vigil\u00e2ncia, que acompanham os processos de despojo em diferentes regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, as disputas geopol\u00edticas entre grandes pot\u00eancias tamb\u00e9m refletem uma crescente competi\u00e7\u00e3o por minerais estrat\u00e9gicos, \u00e1gua, energia e outros recursos essenciais tanto para o desenvolvimento tecnol\u00f3gico quanto para a ind\u00fastria militar. Nesse contexto, os territ\u00f3rios habitados pelos povos tornam-se espa\u00e7os permanentes de disputa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador advertiu ainda que a chamada \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d serviu, em diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, como justificativa para aprofundar processos de militariza\u00e7\u00e3o e controle social. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, essas estrat\u00e9gias n\u00e3o reduziram a viol\u00eancia, mas favoreceram a fragmenta\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e a expans\u00e3o de grupos armados que disputam recursos, rotas comerciais e atividades econ\u00f4micas muito al\u00e9m do tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o para o crescimento cont\u00ednuo dos gastos militares em escala global, o desenvolvimento de novas tecnologias de guerra \u2014 como intelig\u00eancia artificial e drones \u2014 e a amplia\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a militar dos Estados Unidos em diversas regi\u00f5es do continente, fatores que apontam para conflitos cada vez mais prolongados e complexos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar desse panorama, Barrios rejeitou a ideia de que o futuro esteja condenado \u00e0 guerra. Destacou que as resist\u00eancias constru\u00eddas por povos, comunidades e movimentos sociais continuam demonstrando que existem alternativas ao despojo e \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA luta pela M\u00e3e Terra \u00e9 tamb\u00e9m a luta pelo futuro\u201d, afirmou, defendendo o fortalecimento da organiza\u00e7\u00e3o coletiva, da autonomia e da defesa da vida como resposta a uma \u00e9poca marcada pela viol\u00eancia e pela disputa pelos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Andrea Horcasitas Mart\u00ednez \u2013 \u201cDiante do horror: a busca e a promessa do reencontro\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55318\">Texto completo aqui<\/a>.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/AndreaHorcasitasMartinez.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/AndreaHorcasitasMartinez.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora e ativista Andrea Horcasitas Mart\u00ednez refletiu sobre o desaparecimento de pessoas no M\u00e9xico como uma das express\u00f5es mais cru\u00e9is da guerra contra a humanidade. Agradeceu ao movimento zapatista por abrir um espa\u00e7o de di\u00e1logo e destacou que sua an\u00e1lise nasce do aprendizado compartilhado com as fam\u00edlias buscadoras. Sua exposi\u00e7\u00e3o organizou-se em tr\u00eas eixos: o diagn\u00f3stico da crise, a disputa em torno dos n\u00fameros e a esperan\u00e7a constru\u00edda pela busca coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afirmou que o desaparecimento for\u00e7ado n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno novo nem exclusivo do M\u00e9xico, mas que, desde o in\u00edcio da chamada guerra \u00e0s drogas, o pa\u00eds atingiu n\u00edveis de viol\u00eancia sem precedentes na Am\u00e9rica Latina. Mais de 135 mil pessoas desaparecidas, milhares de valas clandestinas e dezenas de milhares de corpos sem identifica\u00e7\u00e3o revelam uma crise que vai muito al\u00e9m das estat\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a autora, o desaparecimento tornou-se uma tecnologia de guerra vinculada ao despojo territorial, ao deslocamento for\u00e7ado, ao recrutamento compuls\u00f3rio e \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de riqueza por meio da viol\u00eancia. As valas clandestinas transformaram a rela\u00e7\u00e3o das comunidades com seus territ\u00f3rios, pois deixaram de existir apenas em locais remotos e passaram a aparecer tamb\u00e9m em cidades, escolas, parques e espa\u00e7os cotidianos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda parte de sua fala, denunciou o que chama de \u201cguerra contra os n\u00fameros\u201d: o esfor\u00e7o do Estado para minimizar a dimens\u00e3o da trag\u00e9dia por meio da manipula\u00e7\u00e3o estat\u00edstica e de discursos que desumanizam as v\u00edtimas. Criticou a redu\u00e7\u00e3o do problema a percentuais e categorias administrativas enquanto persistem a impunidade, a criminaliza\u00e7\u00e3o das pessoas desaparecidas e a aus\u00eancia de investiga\u00e7\u00f5es eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, contrap\u00f4s a essa pol\u00edtica de esquecimento a resist\u00eancia das fam\u00edlias buscadoras. S\u00e3o m\u00e3es, pais, irm\u00e3s, irm\u00e3os e filhos que, diante da aus\u00eancia de respostas oficiais, organizam buscas, escavam a terra e constroem redes de solidariedade para encontrar seus entes queridos e todas as pessoas desaparecidas. A busca deixa de ser um ato individual e transforma-se em uma causa coletiva baseada na mem\u00f3ria, na dignidade e na defesa da vida. Para Andrea Horcasitas, a esperan\u00e7a n\u00e3o consiste em negar o horror, mas na capacidade das fam\u00edlias de transformar a dor em organiza\u00e7\u00e3o, solidariedade e resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ra\u00fal Romero \u2013 \u201cCorpora\u00e7\u00f5es criminosas e as lutas pela Vida\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55342\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/RaulRomero.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/RaulRomero.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua apresenta\u00e7\u00e3o <strong>\u201cCorpora\u00e7\u00f5es criminosas e as lutas pela vida\u201d<\/strong>, Ra\u00fal Romero argumentou que a viol\u00eancia vivida no M\u00e9xico n\u00e3o pode ser compreendida apenas como um problema de narcotr\u00e1fico ou de inseguran\u00e7a, mas como express\u00e3o de um capitalismo criminoso que utiliza a guerra, o despojo e a viol\u00eancia para favorecer processos de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de sua experi\u00eancia junto a organiza\u00e7\u00f5es sociais, fam\u00edlias buscadoras e v\u00edtimas da viol\u00eancia, afirmou que a guerra iniciada em 2006 fortaleceu as organiza\u00e7\u00f5es criminosas em vez de enfraquec\u00ea-las, deixando como saldo mais de 135 mil pessoas desaparecidas, centenas de milhares de assassinatos e deslocamentos for\u00e7ados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Romero sustenta que o crime organizado integra uma estrutura transnacional formada por atores legais e ilegais \u2014 banqueiros, empres\u00e1rios, pol\u00edticos, for\u00e7as de seguran\u00e7a, fabricantes de armas e grupos criminosos. Essas redes, que denomina <strong>corpora\u00e7\u00f5es criminosas<\/strong>, funcionam como empresas globais diversificadas, atuando no tr\u00e1fico de pessoas, armas e recursos naturais, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e cibern\u00e9ticos, entre outras atividades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor apresenta ainda o conceito de <strong>estatalidade criminosa<\/strong>, segundo o qual o Estado mexicano n\u00e3o fracassou, mas foi reconfigurado para responder \u00e0s necessidades do capitalismo criminoso e do capitalismo extrativista. Nesse contexto, a fronteira entre o legal e o ilegal torna-se difusa quando institui\u00e7\u00f5es e governos colaboram com essas redes, garantindo impunidade e facilitando o despojo territorial associado aos megaprojetos. Para Romero, a militariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa uma solu\u00e7\u00e3o; ao contr\u00e1rio, conviveu e alimentou a expans\u00e3o do crime organizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como contraponto, destacou as <strong>lutas pela vida<\/strong>, protagonizadas por povos ind\u00edgenas e camponeses que defendem seus territ\u00f3rios, fam\u00edlias buscadoras, organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, caravanas migrantes, coletivos juvenis e diversas iniciativas comunit\u00e1rias que colocam a vida, a solidariedade e o bem comum no centro de sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Romero, essas resist\u00eancias representam uma alternativa \u00e9tica e pol\u00edtica ao capitalismo criminoso, apostando na organiza\u00e7\u00e3o coletiva, na mem\u00f3ria, na arte, na cultura e na defesa dos territ\u00f3rios como caminhos para construir um mundo em que a vida prevale\u00e7a sobre a l\u00f3gica do despojo, da acumula\u00e7\u00e3o e da morte.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Subcomandante Insurgente Mois\u00e9s &#8211; Mensagem \u00e0s fam\u00edlias buscadoras<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55338\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/SupMoi-2.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/SupMoi-2.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falando em nome do Comit\u00ea Clandestino Revolucion\u00e1rio Ind\u00edgena do EZLN, o Subcomandante Insurgente Mois\u00e9s dirigiu uma mensagem \u00e0s fam\u00edlias buscadoras, expressando a solidariedade zapatista e reconhecendo sua luta como exemplo de dignidade, resist\u00eancia e esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afirmou que os zapatistas se identificam com sua experi\u00eancia porque, como povos origin\u00e1rios, tamb\u00e9m foram historicamente invisibilizados e exclu\u00eddos pelo sistema capitalista. Por isso, consideram as pessoas desaparecidas parte de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia e compartilham a dor de quem as procura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anunciou que o EZLN decidiu aproximar-se das fam\u00edlias buscadoras, reunir-se com elas na Cidade do M\u00e9xico e, sobretudo, escut\u00e1-las, reconhecendo o valor de sua experi\u00eancia e de sua luta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto persistirem os desaparecimentos, a viol\u00eancia e a injusti\u00e7a, afirmou, o M\u00e9xico continuar\u00e1 distante do pa\u00eds que desejam construir. Somente por meio da organiza\u00e7\u00e3o coletiva, da luta e do trabalho conjunto ser\u00e1 poss\u00edvel construir um pa\u00eds verdadeiramente justo e digno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, fez um chamado aos povos do campo e da cidade para que se unam e se organizem, lembrando que ningu\u00e9m resolver\u00e1 esses problemas em seu lugar. A responsabilidade de transformar o presente cabe \u00e0 sociedade civil organizada; somente assim ser\u00e1 poss\u00edvel deixar um futuro melhor para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Capit\u00e1n Insurgente Marcos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55340\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CapitanMarcos-1.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CapitanMarcos-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao encerrar o quarto dia do Semillero, o Capit\u00e3o Marcos agradeceu \u00e0s pessoas participantes por suas contribui\u00e7\u00f5es e refletiu sobre o impacto das exposi\u00e7\u00f5es no p\u00fablico zapatista. Longe de apenas confirmar conhecimentos pr\u00e9vios, afirmou que as apresenta\u00e7\u00f5es revelaram aspectos da realidade que ele pr\u00f3prio desconhecia e que enriquecem a an\u00e1lise zapatista sobre a crise atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destacou a import\u00e2ncia de articular diferentes formas de conhecimento \u2014 a experi\u00eancia das comunidades, o trabalho cient\u00edfico, a pesquisa e a pr\u00e1tica pol\u00edtica \u2014 compreendendo que todas podem conduzir a conclus\u00f5es comuns por caminhos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m agradeceu o esfor\u00e7o das e dos palestrantes, que custearam suas pr\u00f3prias viagens e compartilharam generosamente seus conhecimentos com um p\u00fablico formado por ouvintes zapatistas, militantes, integrantes de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, ativistas, pessoas solid\u00e1rias e muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o Capit\u00e3o, as interven\u00e7\u00f5es realizadas at\u00e9 o momento constituem um verdadeiro semillero de ideias e aprendizagens para o zapatismo. Concluiu agradecendo tanto aos que j\u00e1 participaram quanto aos que ainda participariam, expressando o desejo de que o encontro fortale\u00e7a a reflex\u00e3o coletiva e que os aprendizados adquiridos sejam levados aos lugares de origem de cada participante, contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o de novas formas de organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/RZ1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"233\" data-id=\"55352\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/RZ1-350x233.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55352\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/RZ1-350x233.jpg 350w, 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Pozol<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 4 do Semillero \u201cGuerra contra la Humanidad\u201d(Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio) 23 de julho de 2026Cideci \/ Universidad de la Tierra, Chiapas Neste quarto dia do Semillero \u201cGuerra contra a Humanidade\u201d (As popula\u00e7\u00f5es e a natureza sob cerco), o Capit\u00e3o Marcos informou que, at\u00e9 o dia anterior, havia 686 participantes de 28 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