{"id":55302,"date":"2026-07-23T17:34:24","date_gmt":"2026-07-23T23:34:24","guid":{"rendered":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55302"},"modified":"2026-07-23T17:34:25","modified_gmt":"2026-07-23T23:34:25","slug":"dia-3-do-encontro-guerra-contra-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55302","title":{"rendered":"Dia 3 do Encontro \u201cGuerra contra a Humanidade\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Dia 3 do <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55029\">Encontro \u201cGuerra contra a Humanidade\u201d<\/a><br>(As popula\u00e7\u00f5es e a natureza sob cerco)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>22 de julho de 2026<br>Cideci \/ Universidad de la Tierra, Chiapas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No audit\u00f3rio lotado do Cideci \/ Universidad de la Tierra Chiapas, reuniram-se, em 22 de julho de 2026, 645 pessoas de 27 regi\u00f5es do mundo, al\u00e9m de mais de 200 \u201cescutas\u201d zapatistas, para o terceiro dia do <a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?page_id=55029\"><strong>Semillero Guerra contra la Humanidad (Las poblaciones y la naturaleza bajo asedio)<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse grande espa\u00e7o de pensamento cr\u00edtico, foram compartilhadas reflex\u00f5es profundas sobre a fase atual do capitalismo, assim como sobre o genoc\u00eddio do povo palestino, mas tamb\u00e9m sobre sua resist\u00eancia e dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compartilhamos aqui um resumo das confer\u00eancias, bem como os \u00e1udios e os links para os textos completos, que consideramos fundamentais para compreender o nosso mundo e, assim, construir coletivamente alternativas reais diante do desastre que nos assola.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Carlos Alberto R\u00edos Gordillo &#8211; \u201cRastrear a hidra de muitas cabe\u00e7as. Pistas para uma contra-hist\u00f3ria rebelde\u201d<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55263\">Texto da fala completa aqui<\/a><\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(<strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CarlosAlbertoRiosGordillo.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a><\/strong>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CarlosAlbertoRiosGordillo.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O historiador Carlos Alberto R\u00edos compartilha uma reflex\u00e3o sobre o pensamento cr\u00edtico diante da hidra capitalista, representada como uma \u201chidra de muitas cabe\u00e7as\u201d, que pode ser compreendida e enfrentada quando aprendemos a ler seus rastros, identificar suas transforma\u00e7\u00f5es e reconhecer a forma como reproduz a explora\u00e7\u00e3o, o despojo, a repress\u00e3o e a devasta\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">R\u00edos retoma o semin\u00e1rio <strong>\u201cO pensamento cr\u00edtico diante da hidra capitalista\u201d<\/strong>, realizado h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, no qual o Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional comparou o capitalismo \u00e0 hidra da mitologia: um monstro que se fortalece sempre que \u00e9 atacado. No entanto, afirma que ele n\u00e3o \u00e9 invenc\u00edvel, e que sua principal fraqueza pode ser descoberta por meio do pensamento cr\u00edtico e da organiza\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O historiador recorda um dos relatos da sabedoria do Velho Ant\u00f4nio, no conto <strong>\u201cOs riachos quando descem\u201d<\/strong>, que simboliza aqueles que \u201cleem os rastros\u201d: pessoas que n\u00e3o apenas observam os sinais, mas identificam o perigo na montanha, se escondem, antecipam-se e se preparam para o ataque. Mas, enfatiza, n\u00e3o basta identificar o advers\u00e1rio; \u00e9 preciso compreender como ele reescreve a hist\u00f3ria para justificar a domina\u00e7\u00e3o e ocultar as causas profundas da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo R\u00edos, \u00e9 fundamental narrar a hist\u00f3ria a partir da perspectiva dos povos que resistem, e n\u00e3o da vers\u00e3o dos vencedores. Cada rastro do capitalismo \u2014 massacres, desaparecimentos, espolia\u00e7\u00f5es, crises ambientais ou megaprojetos \u2014 revela a l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o de capital por tr\u00e1s dos conflitos contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O historiador reivindica a experi\u00eancia da autonomia zapatista e a forma como os zapatistas aprenderam a ler o mundo, narrar sua hist\u00f3ria e revelar aquilo que se encontra ao redor dos rastros. A partir deles, sabem quem \u00e9 o inimigo, de onde veio, como mudou, para onde vai e como enfrent\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">R\u00edos interpreta as treze reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do EZLN \u2014 terra, moradia, trabalho, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, independ\u00eancia, liberdade, democracia, justi\u00e7a, paz, informa\u00e7\u00e3o e cultura \u2014 como uma alternativa concreta ao modelo capitalista. S\u00e3o, afirma, \u201cpalavras m\u00e1gicas\u201d, pois permitem imaginar um mundo voltado para a vida. N\u00e3o s\u00e3o apenas defini\u00e7\u00f5es de dicion\u00e1rio; como ensina <strong>\u201cA hist\u00f3ria das palavras\u201d<\/strong>, do Velho Ant\u00f4nio, elas precisam carregar cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas demandas tornam-se pr\u00e1ticas cotidianas nas comunidades aut\u00f4nomas, onde a organiza\u00e7\u00e3o, o autogoverno e o princ\u00edpio de \u201cmandar obedecendo\u201d demonstram que outras formas de vida s\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, alerta que o capitalismo n\u00e3o combate apenas militarmente as experi\u00eancias rebeldes, mas tamb\u00e9m procura apropriar-se de seus aprendizados por meio de estrat\u00e9gias contrainsurgentes, programas assistencialistas e mecanismos de coopta\u00e7\u00e3o. Por isso, insiste: ler os rastros do inimigo n\u00e3o basta; a verdadeira defesa est\u00e1 na organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e na constru\u00e7\u00e3o permanente de alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conclui afirmando que \u201crastrear\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas um m\u00e9todo de interpreta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, mas uma ferramenta pol\u00edtica para desmascarar o poder e revelar possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o onde o sistema insiste em afirmar que n\u00e3o h\u00e1 alternativas. Nessa perspectiva, a contra-hist\u00f3ria zapatista convida a narrar o mundo \u201cdesde baixo e \u00e0 esquerda\u201d, reconhecendo na resist\u00eancia cotidiana dos povos o lugar onde ainda \u00e9 poss\u00edvel semear esperan\u00e7a diante da crise global.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mateo Crossa Niell: Os novos rostos da explora\u00e7\u00e3o na guerra do capital contra a classe trabalhadora<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55271\">Texto da fala completa aqui<\/a><\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(<strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/MateoCrossaNiell.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a><\/strong>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/MateoCrossaNiell.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador e doutor em Estudos Latino-Americanos pela UNAM, Mateo Crossa Niell, afirmou que o capitalismo atravessa uma nova etapa marcada pela acelerada concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e pela alian\u00e7a entre o capital financeiro e as grandes corpora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, processo que transforma as formas de explora\u00e7\u00e3o do trabalho e o papel dos Estados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante sua confer\u00eancia no Cideci\/UniTierra Chiapas, explicou que, ap\u00f3s a pandemia de COVID-19, a concentra\u00e7\u00e3o do capital aumentou em velocidade sem precedentes. Destacou que o centro do poder econ\u00f4mico j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 apenas nos grandes empres\u00e1rios, mas em gestoras globais de ativos como BlackRock, Vanguard e State Street, cuja influ\u00eancia se estende a milhares de empresas estrat\u00e9gicas, incluindo as principais companhias de tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crossa afirmou que essa converg\u00eancia entre finan\u00e7as e tecnologia permite concentrar o controle sobre plataformas digitais, infraestrutura computacional e intelig\u00eancia artificial. Segundo ele, essas ferramentas n\u00e3o est\u00e3o voltadas para libertar o trabalho humano, mas para intensificar a explora\u00e7\u00e3o, fortalecer monop\u00f3lios e ampliar os mecanismos de vigil\u00e2ncia e controle.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m argumentou que o ressurgimento dos discursos nacionalistas responde \u00e0 necessidade do capital de voltar a utilizar o Estado-na\u00e7\u00e3o como instrumento para reorganizar a competi\u00e7\u00e3o global, legitimar processos de militariza\u00e7\u00e3o e proteger os interesses econ\u00f4micos dominantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda parte da exposi\u00e7\u00e3o, abordou as novas formas de explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Contestou a ideia de que a intelig\u00eancia artificial substituir\u00e1 massivamente os trabalhadores e sustentou que, ao contr\u00e1rio, ela amplia e reorganiza a explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano. Afirmou que a classe trabalhadora atual inclui n\u00e3o apenas oper\u00e1rios industriais, mas tamb\u00e9m empregados do setor de servi\u00e7os, entregadores por aplicativo, trabalhadores de plataformas digitais, desenvolvedores de software, profissionais da log\u00edstica, migrantes e pessoas que realizam tarefas invis\u00edveis para treinar sistemas de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Retomando o conceito de <strong>\u201cinfoproletariado\u201d<\/strong>, explicou que milh\u00f5es de pessoas trabalham sob vigil\u00e2ncia permanente, ritmos intensificados e crescente precariza\u00e7\u00e3o. Criticou os modelos de contrata\u00e7\u00e3o por plataformas, que mant\u00eam os trabalhadores dispon\u00edveis sem garantir renda m\u00ednima e excluem o tempo de espera da jornada de trabalho, transferindo os riscos empresariais para quem trabalha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destacou ainda a exist\u00eancia dos chamados <em>ghost workers<\/em> (\u201ctrabalhadores fantasmas\u201d), pessoas que, de suas casas, rotulam imagens, textos e dados para treinar algoritmos, geralmente por meio de subcontrata\u00e7\u00f5es internacionais, recebendo baixos sal\u00e1rios e utilizando seus pr\u00f3prios recursos. Para ele, a intelig\u00eancia artificial n\u00e3o elimina o trabalho humano, mas o torna invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como conclus\u00e3o, Crossa Niell afirmou que a classe trabalhadora do s\u00e9culo XXI \u00e9 mais ampla, diversa e dispersa do que nunca, mas continua sendo a base do funcionamento do capitalismo. Diante das novas formas de explora\u00e7\u00e3o, defendeu o reconhecimento dessa nova composi\u00e7\u00e3o do trabalho e o fortalecimento da organiza\u00e7\u00e3o coletiva como resposta aos desafios do capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Subcomandante Insurgente Mois\u00e9s<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55279\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(<strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/SupMoi-1.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a><\/strong>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/SupMoi-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Subcomandante Insurgente Mois\u00e9s afirmou que o problema central do capitalismo \u00e9 a propriedade privada, origem da explora\u00e7\u00e3o, da desigualdade, da injusti\u00e7a e da destrui\u00e7\u00e3o da vida. Explicou que os zapatistas escutam atentamente as an\u00e1lises apresentadas no encontro para confirmar, a partir de diferentes realidades do mundo, que o sistema capitalista concentra cada vez mais o poder econ\u00f4mico, pol\u00edtico e militar nas m\u00e3os de poucos propriet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disso, afirmou que a principal pergunta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 como funciona o sistema, mas o que fazer para transform\u00e1-lo. A resposta constru\u00edda pelas comunidades zapatistas \u00e9 <strong>o comum<\/strong>, uma forma coletiva de organizar a vida inspirada nas experi\u00eancias de seus antepassados, que enfrentaram a explora\u00e7\u00e3o organizando-se comunitariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Explicou que o comum n\u00e3o significa retirar os bens individuais, mas produzir coletivamente aquilo que beneficiar\u00e1 a todos: a terra, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, o conhecimento e os frutos do trabalho. Insistiu que esse modelo nasce da pr\u00e1tica, do aprendizado constante e da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m ressaltou que a transforma\u00e7\u00e3o exige a participa\u00e7\u00e3o de todas as gera\u00e7\u00f5es: os mais velhos contribuem com sua experi\u00eancia e os mais jovens garantem a continuidade da luta. Defendeu ainda que a organiza\u00e7\u00e3o deve surgir em todos os espa\u00e7os onde exista explora\u00e7\u00e3o \u2014 no campo, na cidade, nas escolas, nos hospitais, nas f\u00e1bricas e entre os povos origin\u00e1rios \u2014 fortalecendo-se sobretudo pela pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Criticou as pol\u00edticas da chamada Quarta Transforma\u00e7\u00e3o, considerando que aprofundaram a fragmenta\u00e7\u00e3o das comunidades e favoreceram novas formas de espolia\u00e7\u00e3o. Por fim, advertiu que o capitalismo acelera a destrui\u00e7\u00e3o da natureza e afirmou que ningu\u00e9m libertar\u00e1 os povos se eles pr\u00f3prios n\u00e3o se organizarem. Concluiu que o capitalismo \u00e9 um sistema desumano, cruel e criminoso, imposs\u00edvel de ser humanizado, defendendo a constru\u00e7\u00e3o de alternativas coletivas desde baixo e em comum.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Capit\u00e3o Insurgente Marcos &#8211;<\/strong> <strong>O amor e o desamor segundo o Ex\u00e9rcito Zapatista de Libera\u00e7\u00e3o Nacional<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55255\">Texto completo aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CapitanMarcos.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CapitanMarcos.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o EZLN, explicou poeticamente o Capit\u00e3o Insurgente Marcos, o amor e o desamor s\u00e3o princ\u00edpios \u00e9ticos e pol\u00edticos. O amor, afirmou, \u00e9 uma semente que exige cuidado, perseveran\u00e7a e compromisso constante para florescer. O verdadeiro amor n\u00e3o busca a semelhan\u00e7a, mas nasce do reconhecimento e do respeito \u00e0s diferen\u00e7as, preservando um caminho comum sem que cada pessoa ou coletivo renuncie \u00e0 sua pr\u00f3pria identidade. Para o zapatismo, amar significa fazer com que aqueles que caminham juntos sejam sempre melhores, tanto individual quanto coletivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contraste, o desamor est\u00e1 relacionado ao esquecimento, ao oportunismo, ao interesse passageiro e ao uso das pessoas ou das lutas para obter benef\u00edcios pr\u00f3prios. O EZLN distingue, assim, aqueles que permaneceram solid\u00e1rios ao longo do tempo daqueles que se aproximaram apenas por conveni\u00eancia ou por modismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O EZLN tamb\u00e9m reconhece e agradece a todos que acompanham a luta zapatista h\u00e1 d\u00e9cadas: comunidades religiosas comprometidas, defensoras e defensores de direitos humanos, artistas, intelectuais, organiza\u00e7\u00f5es sociais, jovens, pessoas mais velhas \u2014 ou &#8220;de ju\u00edzo&#8221; \u2014 e movimentos do M\u00e9xico e do mundo que compartilharam essa resist\u00eancia sem deixar de ser quem s\u00e3o. Destaca, de maneira especial, as m\u00e3es buscadoras, cuja luta representa um exemplo de dignidade e resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, o EZLN estende esse amor solid\u00e1rio a todas as lutas hist\u00f3ricas contra a opress\u00e3o e, em particular, \u00e0 Palestina, s\u00edmbolo contempor\u00e2neo que concentra as contradi\u00e7\u00f5es, as viol\u00eancias e as resist\u00eancias diante do capitalismo, e cuja causa permanece como uma express\u00e3o viva da luta pela vida e pela dignidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Micaela Gramajo &#8211; \u201cProyecto Olivo\u201d<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55283\">Texto completo aqu\u00ed.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(<strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/MicaelaGramajo.mp3\">Descarga el audio aqu\u00ed<\/a><\/strong>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/MicaelaGramajo.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Micaela Gramajo apresentou uma reflex\u00e3o sobre a hist\u00f3ria da Palestina, o sionismo e o papel da arte como ferramenta de mem\u00f3ria, den\u00fancia e solidariedade. Iniciou sua exposi\u00e7\u00e3o com um percurso hist\u00f3rico que situou a Palestina como um territ\u00f3rio habitado, com vida pol\u00edtica, social e cultural pr\u00f3pria antes da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Explicou que a Declara\u00e7\u00e3o Balfour (1917), a imigra\u00e7\u00e3o sionista promovida durante o mandato brit\u00e2nico, a Nakba de 1948, a ocupa\u00e7\u00e3o de 1967 e o bloqueio de Gaza consolidaram um processo de coloniza\u00e7\u00e3o, expropria\u00e7\u00e3o e apartheid que, segundo ela, culmina no atual genoc\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora definiu o sionismo como uma ideologia pol\u00edtica colonial e ressaltou que ele n\u00e3o deve ser confundido com o juda\u00edsmo. Lembrou a exist\u00eancia de correntes hist\u00f3ricas de judeus antissionistas, como o Bund, e criticou o uso da acusa\u00e7\u00e3o de antissemitismo para desqualificar cr\u00edticas ao Estado de Israel. A partir de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria familiar \u2014 marcada pelo Holocausto e pelo ex\u00edlio durante a ditadura argentina \u2014 relatou como chegou ao antissionismo e sua participa\u00e7\u00e3o no coletivo <strong>Jud\u00edes por una Palestina Libre<\/strong>, que defende o fim do genoc\u00eddio, o direito de retorno do povo palestino e a articula\u00e7\u00e3o das lutas por justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda parte de sua interven\u00e7\u00e3o, apresentou o processo de cria\u00e7\u00e3o da obra <strong>Projeto Oliveira<\/strong>, uma pe\u00e7a teatral desenvolvida em conjunto com duas meninas mexicanas e o palestino Omar, cuja hist\u00f3ria familiar permitiu narrar a hist\u00f3ria da Palestina desde 1948 at\u00e9 os dias atuais. Destacou que a obra privilegia o testemunho e a presen\u00e7a das pr\u00f3prias crian\u00e7as em cena, em vez da representa\u00e7\u00e3o teatral tradicional, transformando o palco em um espa\u00e7o de encontro, aprendizado e solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, Gramajo refletiu sobre o adultocentrismo e prop\u00f4s reconhecer crian\u00e7as e jovens como sujeitos pol\u00edticos, capazes de participar, decidir e transformar sua realidade. Defendeu a constru\u00e7\u00e3o de formas de protagonismo compartilhado entre gera\u00e7\u00f5es e concluiu lembrando o impacto devastador da guerra sobre a inf\u00e2ncia palestina, reafirmando a necessidade de ouvir suas vozes e manter viva a solidariedade com a Palestina.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ivan Prado &#8211; Palestina, palavra semente de esperan\u00e7a, raiz da humanidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/?p=55268\">Texto completo aqui.<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(<strong><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IvanPrado.mp3\">Baixe o \u00e1udio aqui<\/a><\/strong>)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IvanPrado.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma emocionante interven\u00e7\u00e3o, Iv\u00e1n Prado compartilhou uma reflex\u00e3o pol\u00edtica e pessoal sobre a Palestina a partir de sua experi\u00eancia como integrante do <strong>Pallasos en Rebeld\u00eda<\/strong>, organiza\u00e7\u00e3o com a qual atua h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas em territ\u00f3rios palestinos. Por meio de relatos vividos em Gaza e na Cisjord\u00e2nia, mostrou como a arte \u2014 especialmente o circo e o teatro \u2014 se transforma em uma forma de resist\u00eancia diante da ocupa\u00e7\u00e3o. Destacou a dignidade, a solidariedade e a capacidade de esperan\u00e7a do povo palestino, simbolizadas na hist\u00f3ria de um palha\u00e7o que continuou levando alegria aos pacientes de um hospital durante um apag\u00e3o provocado pela falta de combust\u00edvel. Para Prado, essas experi\u00eancias demonstram que a vida e a solidariedade s\u00e3o mais fortes do que a destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prado sustenta que Israel constitui um projeto militar e colonial baseado na ocupa\u00e7\u00e3o, no despojo e na destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do territ\u00f3rio palestino, que define como uma forma de <strong>\u201cnecrocolonialismo\u201d<\/strong>. Segundo ele, essa l\u00f3gica busca n\u00e3o apenas controlar a terra, mas tamb\u00e9m apagar a mem\u00f3ria, a cultura e as condi\u00e7\u00f5es de vida do povo palestino. Ao mesmo tempo, afirma que o Estado israelense exerce forte influ\u00eancia internacional nos campos pol\u00edtico, midi\u00e1tico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, defende o fortalecimento da solidariedade internacional por meio de iniciativas como o movimento <strong>Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS)<\/strong> e enfatiza a import\u00e2ncia de distinguir entre juda\u00edsmo e sionismo, reconhecendo a exist\u00eancia de comunidades e movimentos judaicos antissionistas que rejeitam as pol\u00edticas do Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prado conclui que a Palestina tornou-se um s\u00edmbolo universal de resist\u00eancia e esperan\u00e7a. Sua luta ultrapassa as fronteiras geogr\u00e1ficas e representa a defesa da dignidade humana diante da injusti\u00e7a. Hoje, afirma, a Palestina \u00e9 uma <strong>\u201cpalavra-semente\u201d<\/strong> que inspira a solidariedade internacional e a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, no qual a resist\u00eancia e a vida prevale\u00e7am sobre a viol\u00eancia e a opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><a href=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pozol1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"255\" height=\"300\" data-id=\"55288\" src=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pozol1-255x300.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55288\" srcset=\"https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pozol1-255x300.jpeg 255w, https:\/\/radiozapatista.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pozol1-870x1024.jpeg 870w, 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